quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Eu confio!

Hoje foi, sem dúvida, um dia feliz para muitos portugueses. Mas não só. Foi também, e seguramente, um dia que no futuro será lembrado como um momento importante na consolidação do regime democrático português. 
Temos, hoje, por mérito de António Costa, Catarina Martins, Jerónimo de Sousa e de todos os que com eles colaboraram, uma democracia mais madura e mais completa, em que deixou de haver lugar para partidos e/ou cidadãos de primeira e de segunda.
Saúdo-os a todos eles, por isso e estou-lhes grato.
Com a tomada de posse  do XXI Governo Constitucional liderado por António Costa não foram removidas automaticamente as dificuldades que, ao contrário do propagandeado pela direita, ora remetida para a oposicão, são hoje maiores do que quando a direita tomou conta do poder, pois a pobreza e a desigualdade aumentaram, o número de portugueses forçados a emigrar cresceu exponencialmente, e se é verdade que, graças à intervenção do BCE, os juros da dívida pública têm vindo a decrescer, a dívida em si, em vez de diminuir, como era suposto, cresceu e de que forma. Portugal está hoje mais endividado do que nunca.
Os problemas a resolver e as dificuldades serão, pois, mais que muitas, mas sinceramente espero que os partidos  da esquerda (PS, BE, PCP e PEV) que foram capazes de dar passos enormes e de fazer esforços que até há pouco ninguém se atreveria a supor como possíveis, para se alcançar a convergência que tornou possível a formação do Governo liderado por António Costa, continuarão a ter inteligência, a lucidez e a capacidade para chegar a entendimentos e consensos para ultrapassar as dificuldades. Assim o exige a necessidade de consolidar uma política alternativa em que o mais importante seja o bem-estar e a felicidade (não necessariamente a riqueza) das pessoas.
Eu confio.

O discurso proferido por  António Costa na tomada de posse foi um bom começo, discurso que pode ser lido aqui e ouvido aqui.
(reeditado)

4 comentários:

Wilson_portugal_ama-te disse...

Infelizmente, discordo da escolha para o Ministério da Justiça. Foi publicada uma opinião subscrita pela escolhida para a pasta da justiça, "A procuradora-geral distrital de Lisboa chegou a ser representante do Governo português junto do conselho de administração do Observatório Europeu do Racismo e da Xenofobia no início dos anos 2000. Em 2012, em entrevista ao PÚBLICO, dizia: "No discurso político, a questão racial continua a ser tabu, manifestamente. Percebo que a abordagem não é fácil. Construiu-se a ideia de que os portugueses eram propensos à miscigenação, misturavam-se culturalmente e que, portanto, isso era um indicador de que não discriminavam racialmente. Eu digo 'não'."

Apesar de, na altura, confessar que nunca tinha sentido discriminação no local de trabalho, e que não achava que a justiça portuguesa discrimine, não tinha dúvidas quanto ao facto de existir racismo em Portugal. "Falta a abordagem franca da questão. Era importante encararmos isso como um problema que, se calhar, nem é assim tão difícil de resolver. Há uma componente educacional, mas é preciso investir nela.” com Joana Gorjão Henriques"
A meu ver é demasiado evidente no qeu toca à visão deturpada e enviesada da realidade e que é inadmissível à objectictividade e isenção que deve ser tida por um detentor de uma pasta delicada como o ´a Justiça.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Eu também confio, Francisco

Jorge Carvalheira disse...

Estranho, espantoso e fascinante dia! Em que o perigo de naufrágio de todos é, de todos, o único seguro de vida!
Cheira-me a que estes são os dias de história a sério. A madrugada do 25 de Abril foi um deles. O 26 de Novembro de 75 foi outro. Agora este, e não estou a ver outros.

Francisco Clamote disse...

Sem dúvida, Armindo Jorge. Inteiramente de acordo contigo. Abraço.