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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O inferno está cheio de boas intenções, não é, Baldaia?

O DN publica na sua edição on line uma peça intitulada " Moedas avisa Costa: corte de fundos comunitários depende do governo". 
Lê-se o texto e onde o jornalista viu um "aviso"( pelos vistos, ameaçador, visto que, no desenvolvimento da notícia, o plumitivo fala em "pressão sobre Costa na questão dos fundos")  não se encontra mais que a enunciação do que é doutrina da Comissão Europeia sobre os fundos europeus, doutrina que é mais que conhecida pelo Governo português. O comissário europeu Carlos Moedas limitou-se, com efeito, a dizer  que "Se Portugal continuar a cumprir em termos de orçamento, em termos de números, isso [corte de fundos] não será uma questão". 
Só uma imaginação muito fértil ou uma mente mal intencionada é que pode ter visto um "aviso" ou uma "pressão" sobre o primeiro- ministro de Portugal numa afirmação onde não existe o menor tom de ameaça. Não existe, nem seria expectável que existisse, pois a verdade é que Carlos Moedas, enquanto comissário europeu, tem tido um comportamento onde não encontro falhas no relacionamento com o Governo português.

A notícia é, pois, no mínimo, especulativa, pois falha completamente no teste da objectividade.

Dá-se a coincidência de no mesmo dia, o DN publicar um texto do seu novo director, Paulo Baldaia, onde este assume, em nome do jornal "o compromisso de fazer jornalismo com rigor, livres para fazer escolhas, com total transparência e ao serviço dos leitores".

Um texto, já se vê, pleno de boas intenções, mas que, por um azar dos diabos, sofre logo no mesmo dia um completo desmentido.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O veneno, tal como no escorpião, está na cauda

A reportagem, dita "investigação", publicada na Revista do "Expresso" do último sábado sobre "A nova vida de Sócrates em Paris" (que, na capa, passa de "nova" a "misteriosa"), já mereceu mais que um comentário e já a vi muito justamente qualificada de sórdida. Eu prefiro, no entanto, classificá-la como venenosa, porque o veneno está lá e, tal como no escorpião, o veneno está na cauda. 
Já que chamo ao palco o escorpião, também cabe invocar aqui a fábula do escorpião, pois vem mesmo a propósito. De facto, um semanário, dito de referência, que desce ao nível dum jornal de sarjeta, arrisca-se a ser a principal vítima da sua "ferroada", por perda de credibilidade. Se não é por força da "natureza" do escorpião, é por força da "natureza" das coisas. E atenção: "ferroadas" destas, várias vezes repetidas, podem ser fatais.

(imagem daqui)

sábado, 9 de julho de 2011

Divertido, curioso, inquietante...

"Confesso que me diverti a ver tanta gente a clamar contra as agências de rating. Sobretudo tanta gente que achou desculpável a bizarra incompetência das três manas (Moody's, Standard & Poor's e Fitch) na crise de 2008.  [...] Não tomei nota de todos os que agora estão dispostos a pegar em armas prontos a marchar sobre Washington. Mas a esmagadora maioria não se indignou quando, em abril, a Fitch cortou o rating de Portugal em cinco níveis em apenas uma semana."
(Ricardo Costa; in "Expresso", edição impressa de hoje)

"É curioso - e seria cómico se não estivéssemos a entrar no buraco a que ninguém sabe como fugir - o coro de protestos contra as agências de rating por parte de quantos, ainda há pouco, se mostravam complacentes com elas. Desde o Presidente da República a Manuela Ferreira Leite, passando por outros agentes políticos, incluindo os que estão agora no poder, desde banqueiros a especialistas de vários matizes, todos se atiraram à Moody's, como se o cerco das agências tivesse começado nesta quarta-feira".
(Fernando Madrinha; idem, ibidem)

"[...] Mas foi inquietante ver aqueles que se indignavam quando o engenheiro Sócrates rugia contra a especulação internacional - prontos para lhe copiar os piores tiques à primeira oportunidade. Aparentemente, houve quem se tivesse convencido de que a crise era o engenheiro Sócrates e que removido este e declaradas duas ou três boas intenções, não seriam precisos esforços nem resultados para  tudo passar a correr muito bem."
(Rui Ramos; id.; ibid.)

De facto, é divertido, curioso e, ao mesmo tempo, inquietante ver estes jornalistas e comentadores a criticar aqueles cujas fantasias (o culpado era Sócrates) opiniões e opções partilhavam. O que é que esta gente escrevia antes do 5 de Junho?

terça-feira, 12 de abril de 2011

Desnorteado



O "Público", na sua edição de ontem, atribuia a Passos Coelho uma seta para cima, como se vê na reprodução supra.
Hoje, o parceiro do negócio, Fernando Nobre, leva com uma seta para baixo:

Se isto não é desnorte, será o quê?

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Com o título me enganas...

A realidade é esta: no final de Outubro, encontravam-se inscritos nos Centros de Emprego do Continente e das Regiões Autónomas menos 4.974 pessoas do que no mês anterior.
Porém, ao ver o anúncio da notícia no "Público" on line, "Outubro com mais 33.320 desempregados" confirmado pelo título da notícia, "Centros de emprego registam mais 33.320 desempregados em Outubro" confesso que não me livrei dum susto.
Jornalismo de referência, dizem. Para aldrabões, talvez, acrescento eu.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Com o título me enganas

O mesmo documento divulgado pelo INE  "TRANSPORTES EM FOCO Setembro de 2010 - Transporte aéreo de passageiros em Portugal e na UE27 – 2007/2009" dá origem a, pelo menos, estas duas notícias: 

Uma assinada por Rita Paz (DiarioEconomico.com) intitulada Europa perde 46 milhões de passageiros num ano, que reproduz com objectividade os dados constantes do documento do INE, onde se destaca a epígrafe "Transporte Aéreo de Passageiros em quebra generalizada na Europa em 2009" e o texto "No contexto da crise económica internacional, em 2009 a dinâmica do transporte aéreo ao nível europeu traduziu-se por uma quebra de 5,7%, face ao ano anterior, no movimento de passageiros nos aeroportos da UE27. Nos aeroportos nacionais a evolução negativa foi menos acentuada, com um movimento de passageiros que se situou 3,8% abaixo do volume de passageiros registado em 2008."

Já no Público.PT, a jornalista Raquel Almeida Correia, chama para título da notícia: Aeroportos portugueses continuam a perder passageiros.
Para se avaliar a adequação do título à notícia e a objectividade da jornalista note-se que esta ignora o essencial da notícia (v. supra) e lança mão de um parágrafo pouco menos que irrelevante no contexto do documento e que diz nem mais nem do que isto: "O primeiro trimestre de 2010 parece confirmar o período negativo que o transporte aéreo de passageiros atravessa observando-se decréscimos de passageiros embarcados na maior parte das origens com dados disponíveis. Destaca-se a excepção do Reino Unido que, nos três primeiros meses do ano, apresentou já uma inversão de tendência com um crescimento de 2%, face a igual período de 2009". (Só os negritos são meus. Os dados disponíveis podem ser consultados no documento do INE - link supra ).
Pelos vistos, no "Público", a objectividade à moda do Zé Manel continua a fazer "escola" e a ter seguidores. A Raquel Almeida Correia desculpar-me-á, mas não lhe dou os parabéns por figurar entre eles.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Parado ? Não. A marcar passo ! *

Garante-nos, nas páginas do "Público" e online, o jornalista e assistente no processo, José António Cerejo, que o processo Freeport não esteve parado até ao momento em que o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) tomou conta dele, no Verão de 2008. Diz-nos isto, com a preocupação de contrariar anteriores afirmações do procurador-geral da República. (Estava bom de ver aonde é que o Cerejo queria chegar). O Cerejo teve, porém, azar. Basta ler a prosa do "artista" para se concluir  que o processo, de facto, não esteve parado. Esteve simplesmente a marcar passo, o que vem a dar no mesmo. Não será assim, ó Cerejo ?
Diria eu, cá na minha, que aldrabão é quem por Cerejo se assina e não quem o Cerejo aponta. E para a tal conclusão chegarmos, nem é preciso ir longe. O próprio Cerejo o confessa ao declarar nas páginas do "Público" que não se constituiu como assistente no processo para exercer o papel que a lei consigna a tal figura.
Ora, se assim é, ó Cerejo, fica-te com esta: quem utiliza, em desconformidade e com violação da lei, instrumentos que o legislador criou para um certo e determinado fim, sério, pelo menos, não é. Ou, se é, não parece.
(Reedição)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O que é que o Cerejo tem que outros não têm ?

Lama, meus senhores, muita lama. Isto que ele escreve não é uma notícia, pois se o fosse, teria sido dado conhecimento dos factos, na altura própria. Publicado agora, em vésperas de eleições autárquicas, não é mais que uma cavadela, contando, para ser perfeita, com a colaboração do "Público" que, na sua edição impressa, chama o escrito à primeira página, onde se lê "Câmara pagou um milhão sem esperar pelo juiz", para lhe dedicar no interior (p. 26) uma página quase inteira onde o milhão se reduz a meio milhão. Em que ficamos, Zé Manel ? Um milhão, ou meio milhão? E, já agora, ainda que mal pergunte: a Câmara de Lisboa tinha mesmo que "esperar pelo juiz"? Porquê e em nome de quê ? Expliquem lá, sff. Talvez para o processo se arrastar durante anos pelos tribunais. Será ? É que eu até compreendo o motivo da publicação, mas não vi nada de censurável no relato. A não ser a "lama", claro está.

domingo, 13 de setembro de 2009

No "mundo paralelo" do Zé Manel é assim

"Subitamente neste Verão"
"O curso habitual da política nacional foi perturbado no transacto 18 de Agosto com a manchete do PÚBLICO: "Presidência suspeita estar a ser vigiada pelo Governo". A notícia, assinada por São José Almeida (S.J.A.), citava um membro não identificado da Casa Civil do Presidente da República [PR] para informar que "o clima psicológico que se vive no Palácio de Belém é de consternação [,] e a dúvida que se instalou foi a de saber se os serviços da Presidência da República [PR] estão sob escuta e se os assessores de Cavaco Silva [C.S.] estão a ser vigiados". Tudo isto para reagir a declarações de dirigentes socialistas criticando a participação de assessores presidenciais na elaboração do programa eleitoral do PSD (participação que, aliás, a fonte de Belém não desmentia).
No dia seguinte, em nova manchete, o PÚBLICO reincidia, alegando que "a origem das suspeitas [da PR] remonta a uma viagem [presidencial] à Madeira, há um ano e meio, na qual um adjunto [do primeiro-ministro - PM] teve comportamentos que levaram colaboradores de C.S. a apertar o circuito da informação para evitar fugas". Segundo a nova notícia, elaborada por S.J.A. e pelo editor Luciano Alvarez (L.A.), esse adjunto de José Sócrates, Rui Paulo Figueiredo (R.P.F.), teria sido incluído na comitiva presidencial "sem nenhuma explicação natural", e os autores descreviam o seu comportamento no arquipélago como o de um penetra que abusivamente "ter-se-á sentado, sem ser convidado, na mesa de outros membros da comitiva, violando as regras protocolares" e até "multiplicado os contactos e as trocas de informação com alguns jornalistas do continente que se deslocaram à Madeira". R.P.F. não foi ouvido para a redacção do texto: o PÚBLICO, dizia a notícia, tentara "sem êxito" contactá-lo de véspera na Presidência do Conselho de Ministros (PCM).
A segunda manchete motivou o envio ao provedor de uma reclamação de R.P.F. com os seguintes tópicos (recomenda-se a leitura da documentação integral do caso no blogue do provedor): "Foi com enorme surpresa e consternação que li esta 'notícia'. (...) Não só pelo seu conteúdo, que reputo de fantasioso e totalmente falso, mas também pelo facto de não ter sido citado o meu desmentido (...), em obediência às mais elementares regras deontológicas de audição e publicação do contraditório. De facto, em tempo, fui abordado pelo jornalista do PÚBLICO Tolentino de Nóbrega [T.N., correspondente no Funchal] sobre este tema (...). Tive oportunidade de negar completamente tudo aquilo com que fui confrontado. E de lhe referir que ele, como testemunha de toda a visita (...), poderia comprovar facilmente o que eu lhe estava a afirmar. Esclareci-o que estive oficialmente na visita e que o meu nome constava no livro oficial da visita elaborado pela PR. E que o motivo da minha presença justificava-se (...) pelo facto de, entre outras funções, acompanhar temas relacionados com as Regiões Autónomas. Aliás, já não era a primeira vez que, nesse âmbito, me deslocava à Região Autónoma da Madeira assessorando membros do Governo da República (...). Estive presente somente nos actos para os quais a minha presença estava prevista no referido programa. (...) Referi-lhe que, ao longo dos seis dias que durou a visita do PR (...), me desloquei nas viaturas que me foram indicadas, me sentei nas mesas que me foram destinadas e com as companhias, das mais diversificadas, que estavam previstas pela organização de cada evento. (...) Não perceb[o] a que se referem quando invocam contactos com jornalistas do Continente. Tive apenas conversas de circunstância com alguns, do Continente e da ilha, enquanto esperávamos que alguns eventos terminassem. Como aconteceu com o próprio T.N. (...). Fiquei igualmente estupefacto com a afirmação de 'que o PÚBLICO tentou, sem êxito, contacta[r-me] na PCM'. Não só porque não tenho indicação nenhuma dessa nova tentativa de contacto como pelo facto de ter sido ignorado o contacto efectuado por T.N. Já não falando no facto de o meu local de trabalho ser S. Bento e não a PCM."
Este caso não só se reveste de enormes implicações, por estar em causa a relação entre dois órgãos de soberania, como suscita diversas questões relacionadas com a prática jornalística, o que levou o provedor a aprofundar a sua investigação muito para lá da queixa do adjunto governamental, abrangendo todo o procedimento do PÚBLICO no processo.
O provedor pôde concluir que o contacto inicial de um membro da PR com o jornal para se queixar da "espionagem" de S. Bento sobre Belém, e até da possibilidade de escutas telefónicas, se deu há cerca de 17 meses, pouco após a visita de C.S. à Madeira. Mas ao longo deste quase ano e meio a mesma fonte não apresentou qualquer indício palpável da existência dessas escutas, pelo que a possibilidade de termos aqui um Watergate luso, como chegou a ser aventado entre as inúmeras reacções que a notícia desencadeou, é no mínimo um insulto a Bob Woodward e Carl Bernstein, os jornalistas que denunciaram o caso original.
Salvo melhor prova, tudo não passa de um indício, sim, mas de paranóia, oriunda do Palácio de Belém. Só que tal manifestação é em si já notícia, porque revela a intenção deliberada de alguém próximo do PR minar a relação institucional (ou a "cooperação estratégica") com o Governo.
O que dá toda a razão de ser à manchete inicial publicada pelo jornal. O provedor apenas estranhou a demora: se o elemento da Casa Civil falou ao PÚBLICO há quase ano e meio, porquê só agora, quando nada mais foi entretanto adiantado? Respondeu o director, José Manuel Fernandes: "Há ano e meio que o PÚBLICO, através de vários jornalistas e de contactos estabelecidos por mim próprio, procurava recolher elementos para sustentar as informações dispersas que chegavam ao jornal relativas à existência de uma tensão entre Belém e São Bento que tinha ultrapassado o patamar da divergência política normal para se situar no da desconfiança sobre os métodos seguidos pelo gabinete do PM. (...) Nunca estivemos em condições de o noticiar, pois consideramos que não devemos utilizar fontes anónimas quando os visados desmentem em on as informações e não possuímos provas materiais. (...) Na véspera da saída da primeira notícia, um membro da Casa Civil do PR confirmou formalmente ao PÚBLICO uma das várias informações de que há muito tínhamos conhecimento. (...) Como jornalistas a nossa opção só podia ser uma: no dia em que uma fonte autorizada da Casa Civil do PR assume que no Palácio de Belém se suspeita de que o Governo montou um sistema para vigiar os movimentos do Presidente, essa informação tem uma tal importância e gravidade que só podia ter o destaque que teve. Pessoalmente acompanhei este processo e, como o Livro de Estilo prevê, (...) inteirei-me da fiabilidade das fontes e dei luz verde à publicação da notícia."
Pelo que o provedor percebeu, só há uma fonte, que é sempre o mesmo colaborador presidencial que tomou a iniciativa de falar ao PÚBLICO em 2008, mas este milagre da multiplicação das fontes é uma velha pecha do jornalismo político português e não vale a pena perder agora mais tempo com ela. Vale sim a pena dizer que essa fonte falou não só das escutas como da história do adjunto de Sócrates na Madeira, na tentativa de corroborar a tal operação de espionagem.
Claro que uma acusação dessa natureza deveria ser comprovada, e foi o que acertadamente começou por fazer L.A., ao pedir na altura a T.N. que confirmasse in loco a atitude do abelhudo R.P.F. retratado pela fonte da Casa Civil. Interpelado pelo provedor, relatou T.N.: "No final de Abril de 2008, alguns dias após a visita do PR à Madeira (...) fui contactado pelo editor L.A. no sentido de apurar localmente dados para confirmar ou desmentir a suspeita de que o PR teria sido espiado pelo gabinete do PM. O suposto espião seria um adjunto do PM que na visita se teria introduzido indevidamente na comitiva, nomeadamente em actos e em almoços e jantares oficiais, em mesas de assessores de Belém, para as quais não estaria convidado. Após difíceis diligências (...), concluí que:
os preparativos da visita, rodeada de exageradas medidas de segurança, foram controladíssimos pela Casa Civil da PR; (...) R.P.F. integrava a comitiva oficial do PR, constando o seu nome na lista de convidados para os diferentes actos oficiais e da comitiva restrita presente às audiências do PR com representantes das associações empresariais locais (...); R.P.F. integrava igualmente a lista de convidados para os almoços e jantares oficiais, distribuídos pelas mesas sob prévia indicação dos serviços da PR. (...) Destas minhas conclusões dei conhecimento a L.A., que, face aos dados apurados, deixou cair o assunto das suspeitas."
O contacto que T.N. teve com R.P.F. ocorreu um ano depois: "Dada a sua presença no Funchal quando da visita do PM à Madeira (15 de Maio de 2009), confrontei-o pessoalmente com a situação, na tentativa de validar ou não as informações anteriormente por mim colhidas. As respostas dadas nada acrescentaram ao que eu próprio apurara um ano antes, e de que dera conhecimento a L.A. no início de Maio de 2008. Desde então nunca mais abordámos este assunto nos contactos quase diários que mantemos."
Em conversa telefónica, T.N. adiantou ao provedor não ter comunicado à redacção o resultado do seu contacto com R.P.F. não só por reiterar as informações que já antes enviara mas também por pensar que, ao fim de 12 meses, o tema fora abandonado pelo PÚBLICO.
Solicitados pelo provedor a explicar por que razão os dados recolhidos há ano e meio por T.N., e que de algum modo contrariavam a versão do assessor de Belém, não entraram na notícia sobre o "espião" de S. Bento, nem J.M.F. nem L.A. responderam (S.J.A. disse que a parte sobre R.P.F. não foi da sua responsabilidade, mas sim de L.A.).
Como o leitor já terá intuído chegado a este ponto, estamos perante um caso que se reveste de grande complexidade e gravidade, pelo que ao provedor não é possível esgotar a sua análise numa única crónica. Voltaremos ao assunto no próximo domingo".
(Joaquim Vieira, Provedor do leitor, "Público", Domingo, 13 de Setembro de 2009)
Aguardemos pela continuação da prosa do Provedor. Em todo caso, um facto é já evidente. O "mundo paralelo" em que vive o director do "Público" e o seu acólito Luciano Alvarez é dominado pelo fedor da intriga e da pouca vergonha jornalística. Qual a paga, Zé Manel ?

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Impensável, digo eu...

É o que afirma Manuela Moura Guedes em entrevista dada ao "Público", embora não se percebam as suas razões de queixa quando, afinal, segundo confessa, até já teve "alguns secretários de Estado" no seu "jornal".
Impensável é, de facto o que Manuela Moura Guedes pensa. A liberdade para fazer o que bem entenda, é para a "jornalista" em causa um exclusivo seu. O Governo pelos vistos não tem liberdade de escolha. Ou vai ao seu "jornal" quem ela quer e quando ela quer, ou então é a democracia (dela) em perigo.
Não menos impensável é que um "jornal de referência" dedique à entrevista a tão alto expoente do jornalismo mais rasca deste país, duas páginas inteiras da sua edição impressa de hoje, reproduzida também, com grande destaque, no PUBLICO.PT.
É impensável, mas compreende-se. O director do "Público", vive realmente num mundo paralelo. Não será o mundo que ontem reivindicou nas páginas do "Público" (Caderno P2), mas sim o da baixa política e do jornalismo rasca.
Salvem o "meu" jornal!
Adenda:
O "jornal" de Moura Guedes foi suspenso. Compreende-se agora melhor a razão da entrevista. A estratégia de antecipação não resultou. Não serei eu a lamentar a decisão, por uma razão simples: Manuela Moura Guedes, pode ser o que muito bem quiser. "Jornalista" é que ela não consegue ser. Falta-lhe, além do mais, isenção e sentido das proporções.
Já agora, acrescentaria, porque a hipótese é aventada ou admitida, por alguns, e dada como certa, por outros, que não acredito que tenha havido qualquer interferência do poder executivo na tomada da decisão. Considero a hipótese simplesmente absurda, pois tal interferência, depois de tudo o que se passou com o folhetim Moniz, teria sido pura estupidez.
(reeditada)

sábado, 15 de agosto de 2009

Um forte ataque

Um "forte ataque" (nem mais nem menos) a Cavaco Silva, desencadeado por socialistas próximos de José Sócrates, é como o "Público" qualifica hoje as declarações de algumas vozes socialistas que entendem que certas atitudes e declarações com origem no Palácio de Belém podem pôr em causa a equidistância e neutralidade exigíveis a quem desempenha as funções de Presidente da República, em vésperas de campanhas eleitorais.
Um "forte ataque" de presidencialismo vejo eu, cada vez com maior frequência, nas páginas do "Público". De presidencialismo ou de "cavaquismo", se preferirem.

sábado, 4 de julho de 2009

sábado, 16 de maio de 2009

Deturpar é feio...

É com esta afirmação que o PUBLICO.PT encabeça um resumo da entrevista dada ao "Expresso" por Hugo Monteiro, "filho do tio" de José Sócrates, entrevista que o semanário obteve na China e que hoje dá à estampa na edição impressa.
Vai-se a ver e o que diz a este respeito Hugo Monteiro ?
Cito (com perguntas e respostas):
"P. Sócrates já disse várias vezes que não os conhece[Charles Smith e Manuel Pedro].
R. Eu acho que eles tiveram uma reunião juntos. Pelo menos foi o que o meu pai me transmitiu.
P. Mas quando falou com o seu primo ficou com a ideia que ele os conhecia ?
R. Não falámos de nomes em concreto. O meu primo falou com tanta gente quando era ministro que admito que não se lembre dessas duas pessoas especificamente."
O que fica transcrito é suficiente para concluir que o PUBLICO PT deturpa deliberadamente as afirmações do entrevistado, o que, suponho, constitui uma violação grave não só da deontologia profissional dos jornalistas, mas também das regras do livro de estilo lá da casa.
É verdade que tal procedimento não é propriamente uma novidade na forma como o "Público" tem tratado o "caso Freeport" e é mais que certo que a violação das regras deontológicas vai passar sem sanção e até pode contar com a absolvição do Provedor do jornal que, para o efeito, encontrará, com a ajuda do director, uma qualquer desculpa esfarrapada. O que não impede que aqui se conclua que "o "Público" falta descaradamente à verdade. Falta saber em nome de quê e no interesse de quem. Seja como for, justificam-se as perguntas: será isto o tal "jornalismo de referência"? Ou será "campanha" ?
Perguntas de resposta aberta. Que cada um conclua.
Pessoalmente, não garanto, mas acho, ou seja admito, (o que faz muita diferença) que o "Público" anda a fazer "fretes" a alguém. Isto, porque alguma explicação deve haver para tanta desinformação sobre o caso.
(reeditada)

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Lamentável e ridícula

Fiando-me no que a própria diz e aqui se relata, a afirmação de Rosário Gama de que é perseguida pelo PS por causa das suas declarações, é não só lamentável, como considera a deputada Manuela Melo, como é, sobretudo, ridícula.
Perguntar à senhora, como fizeram os deputados do PS, "por que é que há uma contradição entre aquilo que aparentemente é a sua opinião e o número de faltas registado no estabelecimento de ensino que ela própria dirige” é perseguição ? Pelos vistos, para a Drª Rosário Gama, o perguntar já não é só ofensa (como por vezes se considera). É também perseguição.
Desculpem o desabafo, mas a Drª Rosário Gama, no mínimo, deve ter sensibilidade a mais, ou qualquer outra qualidade (bom senso) a menos.
Lá por ser "Gama" não é ela que vai chegar à Índia ...
E, já agora, diga-se que não é menos ridículo dar destaque a uma trica destas.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Perdoados ?

Perdoados? Mas como, se no texto da notícia se esclarece que "A DGCI irá agora concentrar esforços na recuperação de impostos retidos (...), que não foram alvo de entrega nos cofres do Estado, nem sequer foram declarados, existindo indícios de ocultação da verdade material" , esforços que, em 2209, irão incidir particularmente sobre os contribuintes com retenções superiores a 7500 euros.
Os contribuintes que não fizeram entrega de impostos retidos, pelo que se lê no desenvolvimento da notícia, não foram perdoados. Foram sim descriminalizados os contribuintes com dívidas inferiores a 7500,00€, por acto legislativo aprovado na Assembleia da República, medida de que se pode discordar, mas que é coisa muito diferente de perdoar, pois mesmo estes contribuintes serão penalizados com contra-ordenações e coimas. E, sublinhe-se, a operação de resgate fiscal continua.
Se continua, onde está o perdão?
Dê-se-lhe a volta que se lhe der, o título da notícia é falso. E ponto final.
Mas é o título da notícia que dá o tom aos comentários. Parabéns, pois, que o objectivo foi atingido: estes governantes são uns malandros ... E, todavia, são estes os governantes que maiores êxitos têm alcançado na luta contra a evasão fiscal, a ponto de haver quem os acuse de excessiva pressão fiscal. Vá lá o diabo entender esta gente !
Disse jornalismo de referência?
Ora bolas, digo eu.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

De lana caprina...

"O gabinete do Presidente da República questionou a direcção editorial da Lusa sobre a veracidade de uma notícia que levantava dúvidas sobre eventuais diferenças na forma como a agência tratou entrevistas dadas por Cavaco Silva e José Sócrates a outros órgãos de informação, confirmou ao PÚBLICO uma fonte oficial do Palácio de Belém. Até ao final da tarde de hoje, a resposta ainda não tinha chegado a Belém.As dúvidas levantadas pela presidência devem-se à maneira como a direcção de informação da Lusa reagiu ao tratamento, feito por jornalistas da casa, de uma entrevista do PÚBLICO ao Presidente da República sobre o Estatuto dos Açores, publicada a 12 de Setembro, e na qual Cavaco Silva admitia recorrer ao veto político. Uma pequena notícia sobre este facto, publicada pelo "Diário de Notícias", indicava no início de Novembro que a direcção de informação da Lusa tinha repreendido dois jornalistas da agência por escrito, sobre o facto de estarem a "ecoar" entrevistas realizadas por outros órgãos de comunicação, neste caso a do Presidente da República. No entanto, acrescentava também que as mesmas questões não tinham sido levantadas relativamente a uma entrevista dada entretanto por José Sócrates, ao próprio Diário de Notícias e à rádio TSF.Luís Miguel Viana, director de informação da Lusa, afirmou hoje ao PÚBLICO que a resposta às questões de Belém já estava a seguir por carta, e que a mensagem do gabinete da Presidência lhe chegara às mãos apenas na última segunda-feira. Viana defende que não houve repreensão mas "uma troca de e-mails" com os dois jornalistas, questionando o facto de "não ter havido um esforço de fazer um follow up (acrescento de matéria nova)" à entrevista antes de a notícia ser colocada em linha, face ao acesso directo à mesma através da Internet.
Ou de como o PUBLICO. PT perde o seu espaço e o seu tempo com questões de lana caprina e o gabinete do PR, idem, aspas, aspas.