quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Definitivamente: os portugueses não são gregos!


Dizem as "crónicas" que para Passos Coelho, o programa do Syriza que os gregos acabam de sufragar em eleições legislativas é "um conto de crianças", só porque, no seu entender, "é difícil de ser conciliado com aquilo que são as regras europeias".
A afirmação de Passos Coelho é tão estúpida e revela uma tal falta de sentido de estado que só não é motivo de espanto, porque não destoa do nível de linguagem rasca que usa com frequência. E também é demonstrativa de que Passos Coelho não prima pela subtileza, dado que nem sequer se apercebe que a sua afirmação constitui objectivamente uma grave ofensa ao povo grego tratado por ele como um colectivo de crianças que se deixou influenciar pelo primeiro que lhe apareceu a contar a história da carochinha. 
A ofensa em causa, para além de motivo de vergonha para o seu autor,  acaba também por envolver o país no despautério, atendendo às funções que ele (infelizmente) desempenha, o que torna o caso ainda mais lamentável.
Diga-se entretanto, olhando para o caso numa outra perspectiva, que, mesmo que a versão de Passos Coelho tivesse alguma aproximação com a realidade dos factos (que não tem), sempre se poderia dizer (e eu digo) em abono dos gregos que, enquanto estes poderiam, segundo tal versão, ter-se deixado embalar com contos para crianças, os portugueses deixam-se enganar com muito maior facilidade, E sobre este ponto não restam dúvidas, pois é um facto que já figura nos anais da história: bastou que lhes tivesse aparecido um Passos Coelho contador de aldrabices, para os levar à certa, com as consequências que estão à vista. 
Mas mais: os gregos ao votarem Syriza deram provas que não vão mais em balelas austeritárias. Em contraponto, em Portugal, continua em exercício, como primeiro-ministro, um fanático da austeridade, seguidor, custe o que custar, da senhora Merkel.
Definitivamente: os portugueses não são gregos. Se fossem, já teriam corrido o fanático para fora de cena, com um pontapé no traseiro.

4 comentários:

Majo disse...

~
~ Ainda não somos, mas poderemos vir a ser!

~ ~ ~ Não nos subestimemos!


~ ~ Excelente análise, Francisco. ~ ~
.

Francisco Clamote disse...

Oxalá tenha razão, Majo.

Graça Sampaio disse...

Quem nos dera!!! Faço muita força para acreditar no que a Majo escreveu ali acima. Mas espero....

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Já sabíamos que ele gostava de ir além da troika, mas desta vez foi além da Merkel. Um bandalho