segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

É só penas. Alheias.

O governo de Passos, Portas & C.ª faz-me lembrar, irresistivelmente, uma galinha enfeitada com penas de pavão. 
Não se passa um só dia que não tenhamos que ouvir falar dos sucessos deste execrável governo, quando a realidade nos mostra, também todos os dias, que os alegados sucessos não têm qualquer correspondência com a realidade.
Nem é preciso fazer grandes indagações para chegar a uma tal conclusão. De facto, todos os indicadores são de molde a contrariar o discurso optimista do governo, ou o de Cavaco, que é o mesmo, e de tutti quanti.
E, por isso, nem se justifica perder tempo a fazer a demonstração, porque é por demais evidente que o resultado da política de austeridade "além da troika" levada a cabo por Passos & Portas, com o apoio entusiástico de Cavaco, se traduziu num enorme retrocesso verificável em todos sectores da vida do país, medindo-se esse retrocesso nalguns casos, em dezenas de anos.
Não há, realmente, um único sector que tenha escapado à fúria destruidora deste governo. Nesse sentido, sim, pode falar-se de sucesso, pois, se a ambição de Passos, Portas & Cavaco era o "empobrecimento do país" como aquele proclamou solenemente, então temos de convir que a política seguida durante esta legislatura teve um enorme sucesso. Para o comprovar aí estão: os indesmentíveis aumentos da pobreza e do desemprego; a emigração maciça durante os anos desta legislatura, emigração que, em números, já anda pelas 400 mil almas forçadas a procurar emprego no estrangeiro; os cortes nos subsídios sociais aos mais carenciados; o recuo do PIB; a degradação da escola pública visando a sua destruição em benefício dos privados; a degradação do SNS, de que, nos últimos tempos, temos visto claríssimos sinais, com idêntico objectivo; e, last but not least, o crescimento imparável da dívida pública, em  termos nunca vistos, apesar de este governo ter passado a patacos quase tudo o que, fazendo parte do património do Estado, havia para vender.
Não obstante, os governantes, os políticos da maioria e os seus lacaios e apaniguados não cessam de cantar loas a esta governação desastrosa. Com frequência, em abono da suas teses, recorrem ao facto de os juros da dívida pública terem vindo a baixar, consecutivamente, batendo sucessivos recordes no sentido da baixa.
É verdade, e não é sério negá-lo, nem há nenhuma vantagem em dizer o contrário, que os juros têm vindo a baixar, mas também não é menos verdade que é uma redonda mistificação imputar esse resultado à política económica do governo. Não há um único economista politicamente independente que não atribua a continuada baixa da taxa de juro da dívida pública portuguesa ás medidas tomadas pelo BCE. 
Em bom rigor, nem sequer é necessário ser economista para se chegar a tal conclusão, pois é patente para qualquer pessoa que as sucessivas baixas das taxas de juro da dívida pública portuguesa têm ocorrido ao mesmo tempo que nos outros país países europeus e em particular nos países periféricos com taxas de juro mais elevadas, incluindo a Grécia (porventura o Estado que por maiores dificuldades tem passado) e sempre na sequência de tomadas de posição por parte do BCE. Um episódio recente acaba de confirmar a asserção: "Declarações do presidente do BCE levaram a novos mínimos históricos nos juros da dívida dos periféricos (...)"
O governo sabe perfeitamente, porque pode ser chefiado por um aldrabão contumaz, mas tem no seu seio gente que não é tola, que não lhe cabe qualquer mérito na descida das taxas de juro da dívida pública.
É ao proclamar os méritos devidos inteiramente à acção do BCE, como seus, que este governo se assemelha a uma galinha com penas de pavão. De facto, tal como a sobredita galinha,  o governo enfeita-se com penas que não são suas. E digo "assemelha", porque, em boa verdade, este governo nem galinha chega a ser. É só penas. Penas de outrem (os milhões de portugueses vítimas da sua política), que não dele, nem dos boys ao seu serviço.

1 comentário:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Durante todo o ano vamos ter de ouvir a teoria do milagre económico deste governo. Muitos vão acreditar, como aliás já é constatável através da análise de confiança dos consumidores.
O problema é que, quando acordarmos em 2016, vamos todos perceber que isto está tudo preso por arames. Se o PS ganhar as eleições, claro que todos o vão acusar de destruir o que este governo fez.Mas quem consegue destruir um país devastado por uma política insana de um grupelho de aventureiros incompetentes?