domingo, 17 de maio de 2015

Os "ultras" da "troika"

Há um provérbio português segundo o qual, "Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade", provérbio que Passos Coelho e o seu governo conhecem muito bem, porque lhes tem servido de lema durante toda a governação.
Vêm estas considerações a propósito de um comentário de Nicolau Santos (in Caderno de Economia do "Expresso" do passado sábado, acessível por esta via ) onde o conhecido jornalista admite que "Passos ganhou a batalha ideológica". 
Admitindo que haja uma boa dose de verdade na tese defendida por Nicolau Santos, falta dizer que Passos alcançou um tal objectivo levando a "verdade" do ditado à letra e sem desfalecimentos.
De facto, a prática deste governo, ao longo de toda a legislatura, é um continuum de mentiras, com início ainda durante a campanha eleitoral, prática que a comunicação social e, em certa medida, até as forças políticas têm deixado passar sem reparo de maior, o que não deixa de ser surpreendente. Quem é que, com a mesma frequência com que Passos Coelho e Portas nos enchem os ouvidos com patranhas, aparece na comunicação social a denunciá-las ?
Pondo de parte, porque bem conhecidos, os (negados e logo depois efectuados) cortes de pensões, salários e subsídios, e as (negadas e a seguir concretizadas) subidas de impostos, deixo. a título de exemplo, a patranha que, por estes dias, vem sendo a mais usada e repetida pela dupla Passos/Portas. Um e o outro têm ultimamente repetido até à exaustão, a pontos de causar enjoo, a versão de que os dois nada tiveram a ver com a vinda da troika, e de que não lhes cabe qualquer responsabilidade nas medidas inscritas no memorando. Ora, faz parte da história que se houve forças políticas que advogaram a vinda da troika e que, em boa verdade, tudo fizeram para que a sua entrada no país se concretizasse foram o PSD de Coelho e o partido de Portas. O ponto está historicamente bem documentado, pois as assinaturas dos dois partidos figuram no memorando, mas mesmo que assim não fosse, nem por um momento se poderia duvidar da sua responsabilidade. É que o Governo de então, presidido por José Sócrates, era um Governo demissionário e como tal não tinha legitimidade para assinar aquele documento, uma vez que a sua competência estava limitada à gestão corrente da res pública. Ao derrubarem o Governo de José Sócrates, Cavaco, o PSD e o CDS, sabiam já que estavam a forçar a vinda da troika e que a intervenção de todos eles, Cavaco incluído, era, duma forma ou de outra, imprescindível para haver acordo, pois a troika, também não anda(va) a dormir. Era imprescindível, como foi.
Aqui chegados, é altura para nos interrogarmos sobre se a verdade ainda tem possibilidade de sair vitoriosa da contenda. Eu tendo a apostar que sim, desde que, sem desfalecimento e a toda a hora, se contraponha a verdade à mentira e desde que, na defesa da verdade, se ponha o mesmo empenho que a direita usa na propaganda da mentira.
Algumas recentes intervenções de António Costa parecem-me ir nesse sentido. Venham mais tiradas como esta: “Os portugueses só festejarão a saída da troika quando este Governo sair, porque este Governo é pior que a troika”.
Verdade! 
De facto, a afirmação de António Costa não belisca minimamente a verdade, pois limita-se a fazer eco de afirmações do próprio Passos Coelho que proclamou, por várias vezes, que, em matéria de austeridade, pretendia ir além da troika.  E foi. Se Passos Coelho e o seu governo na sua actuação procedem como ultras da troika, há que afirmá-lo e reafirmá-lo as vezes que for preciso.

4 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

É verdade tudo o que escreves, mas Nicolau Santos tem razão. O PS tem de fazer mais para conquistar os votos dos portugueses.

Graça Sampaio disse...

Subscrevo!
Só tenho a dizer que esse dito da «mentira mil vezes repetida...» não é (felizmente) um provérbio português, mas uma frase dita pelo nazi Göbbels. Muito de acordo com o trajeto feito por este "governo" algo "göbbeliano"...

Majo disse...

~ ~ ~
~~ Não vejo o dia de nos livrarmos desta 'troica'
~ de ultra jumentos lusitanos! ~~~
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Carlos Martins, Neca disse...

Continuando nas frases feitas, não basta ao PS "dizer que o rei vai nu", é preciso "chamar os bois pelos nomes"; Não se estão a esquecer de mais ninguém que tenha contribuído para a vinda da troika?
Então e os comunistas e bloquistas? Ceguinhos para verem o país andar para trás para no fim apanharem com as sobras da esquerda que caíssem do PS!
O PS, será para a esquerda mais à esquerda que perderá os votos, porque o centrão só se for burro e muito muito burro mesmo é que voltará a votar nesta coligação que os desgraçou.
julgo que já é tempo de responder à letra, de preferência com as mesmas armas, para esta esquerda que também tudo fez para trazer a troika.