Mostrar mensagens com a etiqueta Sócrates. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sócrates. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

A Justiça é cega?


É um lugar comum afirmar que a Justiça é cega, mas, de facto, a asserção tem tanto de comum como de falsa. E nem é preciso fazer grandes indagações para concluir pela sua falsidade. Basta atentar na forma como foram (estão) a ser tratados dois arguidos considerados mediáticos:  o ex-primeiro-ministro do Governo anterior (José Sócrates) e o um ex-ministro do actual governo (Miguel Macedo)
O contraste entre o modo como foram tratados, enquanto arguidos, um e outro chega a ser chocante.
Conhecem-se os tratos de polé a que José Sócrates tem sido sujeito pelos agentes da justiça responsáveis pelo respectivo processo, desde o primeiro momento que coincide com a sua prisão previamente anunciada a alguma comunicação social, dando oportunidade para a prática do primeiro de muitos actos que tiveram como fito principal o achincalhamento do detido

Veja-se, para estabelecer uma comparação, a forma como o Público retrata o tratamento dado ao ex-ministro Miguel Macedo: 
« O ex-ministro da Administração Interna Miguel Macedo foi esta terça-feira interrogado durante seis horas como arguido no processo dos vistos gold, no âmbito do qual é suspeito de três crimes prevaricação de titular de cargo político e de um crime de tráfico de influências. O interrogatório ao deputado social-democrata começou pelas 15h e foi interrompido pelas 21h. Miguel Macedo terá de regressar para a continuação do interrogatório “em data a designar”, informou a Procuradoria-Geral da República (PGR) ao início da noite desta terça-feira, confirmando também o estatuto de “arguido” do deputado.
(...)
A audição de Miguel Macedo não decorreu no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) como seria normal. A procuradora Susana Figueiredo, titular deste inquérito, realizou o interrogatório no edifício do Gabinete de Documentação e de Direito Comparado da PGR a poucos metros do edifício do DCIAP. Com esta manobra, o MP trocou as voltas aos jornalistas que aguardavam Miguel Macedo, ao início da tarde desta terça-feira, à porta do DCIAP. Quando a comunicação social soube o local onde de facto ocorreria a audição, já Macedo tinha entrado, acompanhado pelo advogado Alfredo Castanheira Neves.

Também só depois das 15h, quando já decorria a audição, é que a PGR confirmou às redacções a realização do interrogatório. “Confirma-se que Miguel Macedo é ouvido hoje pelo Ministério Público, no âmbito do inquérito onde se investigam, entre outras, matérias relacionadas com a atribuição de vistos gold”, disse então a procuradoria. »

Não pretendo com este arrazoado e com a transcrição supra, censurar o procedimento da procuradora Susana Figueiredo, que me parece inteiramente correcto e que poderia até servir de exemplo para outros colegas de magistratura, nem a questionar, por um só momento que seja, a inocência de Miguel Macedo. Não só a presumo, como atesto que este tem agido, a meu ver, sem falhas a apontar, desde que surgiu o caso dos vistos gold
O que me parece inquestionável resultar da comparação é a confirmação de que a justiça, entendida esta como instituição servida por gente boa e menos boa, decente e menos decente, independente e menos independente, recta e menos recta, proba e menos proba, nunca foi, nem é, cega.
Como digo, não é preciso recuar muito no tempo (e não faltariam casos para apreciar) para se chegar a essa conclusão.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

"Algo está podre no reino da Dinamarca"

«"O juiz, depois do procurador Rosário Teixeira ter pedido a prisão preventiva, afirmou que esta medida de coação, a pecar, não era por excesso." DN de 27/1.

Tente ignorar que esta frase respeita a um processo em que está envolvido José Sócrates. Faça uma tentativa para esquecer que ele foi o homem que arruinou Portugal ou o herói que lutou até ao fim contra a intervenção externa. Desta vez, ponha para trás a sua convicção de que ele foi o melhor político português desde D. Afonso Henriques. Ou o pior. Pode ser complicado, mas assuma que está como praticamente toda a gente: não sabe se ele é culpado ou inocente dos crimes pelos quais está indiciado.

(...)

Olhe para si como alguém que tem de ser um garante do Estado de direito, que tem de cumprir escrupulosamente a lei, de ser um bastião dos direitos consagrados na Constituição da República Portuguesa, um ponto de equilíbrio entre quem acusa e quem defende. Que sabe que não pode pactuar com julgamentos na praça pública, que não os pode promover passando ou deixando passar para esgotos a céu aberto, mascarados de jornais, pedaços de informação que devem permanecer confidenciais. Que jamais utilizará esses lodaçais para obter na praça pública as condenações que a lei e os seus procedimentos não permitem. Que não pode permitir que escutas sejam tornadas públicas, nem as que interessam ao processo nem as que não têm pingo de interesse para o que quer que seja senão para achincalhamentos públicos. Mais, que tem de ter um extremo cuidado para que essas não aconteçam e o mais depressa possível sejam destruídas.

Não se esqueça, também, que tem de ter uma exata noção da importância de uma decisão que sujeita a prisão alguém que ainda não foi, de facto, julgado. Alguém que ainda não pode defender-se de uma forma absolutamente cabal. Já imaginou a responsabilidade de tirar aquilo que a civilização ocidental considera o mais precioso bem? É que não há, em qualquer sistema de justiça de uma democracia, maior pena que a privação da liberdade.

Há, no entanto, um juiz que considera que tem indícios tão graves, tão graves, que está tão convicto da culpabilidade de alguém, que não só acha que ele deve estar preso - cumprindo, claro está, os requisitos da lei, ou melhor, estando certo de que esses requisitos se aplicam - que até pensa que devia existir uma medida de coação mais contundente. Dado que no nosso sistema não há nenhuma mais grave, em que é que o juiz estará a pensar? Chicotadas, tipo sharia? Não deve ser isso - é que até para aplicar chicotadas os condenados têm de ser julgados antes.

Aliás, achando que a prisão preventiva, neste caso, peca por defeito, das duas uma: ou o juiz pensa que o ex-primeiro-ministro deva ser amarrado e amordaçado para que não possa fugir, destruir provas ou repetir os crimes pelos quais está indiciado, ou então olha para essa prisão como uma pena e acha--a até leve. Qual das duas possibilidades a pior.

Verdade seja dita, nada se ganha em tentar interpretar aquela frase. Ela fala por si. Basta que fiquemos com a certeza de que há um juiz que pensa que a prisão preventiva não é medida de coação suficiente. Convinha, no mínimo, saber se já o tinha dito para outros casos e qual seria a sua sugestão para algo mais grave que a privação de liberdade sem julgamento. É que se o juiz Carlos Alexandre só fez este tipo de comentário no caso Sócrates, parece evidente que tem um preconceito contra o arguido em causa e que, assim sendo, não está capaz de cumprir corretamente as suas funções neste processo. Mas se também os fez noutros processos tem um problema mais grave, digamos assim.

De tudo, o que mais impressiona é a forma como aquele comentário não causou um tumulto na comunidade. Um juiz que tem os mais importantes processos deste país, faz um comentário daquela gravidade e toda a gente encolhe os ombros. Ouvimos uma ministra da Justiça a dizer que fala para o telefone como se fosse um gravador, vemos peças processuais em segredo de justiça a aparecer nos jornais, escutas circulam como se nada fosse, sentenças são lavradas dizendo que se julga interpretando o sentir da comunidade e tudo é encarado com normalidade: a anormalidade tornou-se normal. Só isso pode explicar que nem um único político tivesse uma palavra sobre o assunto, que nem um editorial tivesse sido dedicado a este assunto, que nem um único representante da justiça se tivesse indignado.

Não, o que se passa no processo Sócrates está longe, muito longe de ser normal. Mas o mal é mesmo maior, muito maior.
»

(Pedro Marques Lopes;" Anestesiados". Na íntegra: aqui)

(A ser verdade que para o juiz Carlos Alexandre a prisão preventiva pode pecar, não por excesso, mas por defeito, quando a lei portuguesa, por força do disposto na própria Constituição da República, não admite, nem conhece medida de coacção mais grave, é caso para nos questionarmos como é que um tal indivíduo pode continuar a ser juiz. Se tal continuar a ser possível é porque "algo está podre no reino da Dinamarca". Definitivamente.) 

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Trabalho de Hércules

Não podendo contar com a cooperação por parte do inquilino de Belém, como hoje é claro, e não dispondo, à partida, de uma maioria parlamentar, José Sócrates tem pela frente uma tarefa digna de Hércules. Todavia, a sua capacidade de resistência, a sua determinação e coragem (qualidades de que já deu abundantes provas) dão a esperança de que consiga levar a nau a bom porto. Ele é, de resto, no momento presente, a única alternativa possível para capitanear o barco. Haja, pois, fé !

domingo, 13 de setembro de 2009

A outra "padeira de Ajubarrota"

O debate entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite teve o mérito de nos revelar outra "padeira de Aljubarrota", mas uma "padeira" incapaz, antiquada e incoerente.
Pesei as palavras "incapaz" e "antiquada" e "incoerente", antes de as escrever e só porque as pesei é que não vou mais longe.
Na verdade, vir afirmar que não avança com o TGV por este só interessar aos espanhóis revela a incapacidade de ver que Portugal, estando numa posição geográfica excêntrica em relação a toda a Europa, é o país que mais interesse tem na ligação à rede europeia de comboios de alta velocidade. Se o não vê, é porque, repito, é incapaz de compreender o que está à vista de toda a gente. Menos dela.
E como não chamar-lhe "antiquada" quando da sua boca saem pérolas como estas: "não gosto dos espanhóis metidos na política portuguesa" ou "Portugal não é uma província espanhola"? Este discurso cheira a mofo, de fio a pavio. Como é que uma "política", como Ferreira Leite, pode vir ressuscitar fantasmas há muito enterrados ao proferir um tal discurso, quando sabe, ou devia saber, que Portugal e Espanha são os dois, actualmente, membros da União Europeia e que existe um excelente relacionamento, a todos os níveis, entre os dois países ?
E não será incoerente quem, como ela, arrasta às costas a responsabilidade de, enquanto ministra das Finanças no Governo de Durão Barroso, ter assinado um compromisso com Espanha visando a construção de quatro linhas, de TGV, e se recusa (recusará?) agora honrar o compromisso que assinou, mesmo se já não estão em causa quatro linhas, mas apenas duas?
A sua rigidez mental (só ela é detentora da "Verdade") e a sua desonestidade intelectual (o caso do TGV é um exemplo, mas há outros como a alegada "asfixia democrática" que, na boca dela, se vive no Continente, enquanto na Madeira, sob o regime opressivo de Alberto João Jardim, se vive, ainda segundo ela, na mais ampla liberdade, ou como o "abalozito de terra" expressão que ela usa para qualificar a maior crise económica que o mundo já viveu nos últimos oitenta anos) até assustam.
É claro que Manuela Ferreira Leite, venceu o debate com Sócrates: em matéria de hipocrisia não há político em exercício que a consiga bater.
E esta "política"("séria" ?) quer ser primeira-ministra de Portugal ? Zeus nos livre !
(Imagem daqui)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Louçã: a estratégia falhada

Não nego que Francisco Louçã seja um político brilhante e de verbo fácil, mas, neste debate com José Sócrates, a sua estratégia, que passa por chamar à colação um ou outro caso concreto, para depois generalizar, falhou redondamente. Não só encontrou pela frente, um político com igual ou superior capacidade, como cometeu o erro (fatal?) de se referir a um caso (o da adjudicação duma auto-estrada à Mota-Engil) que, garantiu Sócrates, não é verdadeiro. Se se vier a confirmar que as afirmações de Louçã são falsas, a imagem que ele tenta transmitir de paladino da seriedade e da transparência na vida pública vai sofrer um grande rombo.
E, manda a verdade (a minha, pelo menos) dizer que Sócrates, ao usar o programa eleitoral do BE, e ao referir-se às nacionalizações e à extinção dos benefícios fiscais (propostas do Bloco de Esquerda) conseguiu aquilo que, à partida, não seria suposto: pôr Louçã à defesa.
Quem se atreve a dizer que a melhor defesa não é o ataque?

domingo, 6 de setembro de 2009

Nem todos são "Paulinhos"

Por razões que não vêm ao caso, não vi o debate José Sócrates/Jerónimo de Sousa, mas, pelos vários comentários que já tive oportunidade de ler, incluindo este, foi um debate civilizado, em que ambos poderão ter ganho votos.
Só me posso congratular com o facto, que serve para confirmar, que, como antecipei, há dias, na política portuguesa, nem todos são "Paulinhos". Haja Zeus !

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A peixeirada do "Paulinho"

Abreviando e resumindo: Paulo Portas, violando, por sistema, as regras acordadas, e contando com a complacência e a incompetência de Constança Cunha e Sá, conseguiu transformar o debate entre ele e o primeiro-ministro numa "peixeirada", onde foi difícil ouvir os argumentos e as razões de uma e outra parte.
Para Paulo Portas pouco interessa, pelos vistos, o esclarecimento dos eleitores. O seu repetido "vá perguntar aos seus camaradas de partido" como resposta às observações de José Sócrates, a que, sistematicamente, se recusou responder é a mais cabal prova disso. Interessa-lhe mais, seguramente, o "barulho" das feiras. Ele lá sabe porquê. E eu também.
Se esta experiência acabar por vir a repetir-se, uma e outra vez, pouco haverá a esperar dos debates agendados. Em todo o caso tenho fé que tal não venha a acontecer, pois nem todos os políticos envolvidos nos debates são "paulinhos", nem todos moderadores têm o estofo da Dª Constança.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Resistir ao canto da sereia

Em época eleitoral não é tarefa fácil recusar os apelos no sentido da baixa dos impostos como forma de incentivar o investimento privado e, no entanto, foi essa a posição de José Sócrates que considerou hoje que a descida dos impostos, nesta conjuntura, seria uma "grave imprudência". Fez bem, ainda que tal atitude possa ter custos eleitorais, pois a descida dos impostos, em época de crise, como a que se vive actualmente, seria uma má opção. Isto, porque o relançamento do investimento privado, mesmo com a descida dos impostos, não é um dado adquirido, já que a restauração da confiança não se opera de um dia para o outro, como, aliás, se tem visto, nem é seguro que esteja relacionada com uma baixa fiscalidade. A retoma da economia e a manutenção do desemprego em níveis socialmente aceitáveis, passa, inevitavelmente pelo reforço do investimento público e este requer, pelo menos, a manutenção do actual nível de imposição fiscal.
Convém, pois, resistir ao canto da sereia. Para evitar que a nau encalhe.

sábado, 27 de junho de 2009

O povo quer suicidar-se? Está no seu direito !

A transcrição é longa. O meu comentário é curto.
Apenas duas observações:

1. A utilização da expressão "rasgar as políticas sociais", por parte de José Sócrates, não é uma acusação, mas a simples reprodução de afirmações de Manuela Ferreira Leite que, há apenas dois dias, talvez entusiamada com o recente êxito eleitoral resolveu revelar a sua verdadeira face e proclamou tal intenção de forma cristalina: “Vamos rasgar e romper com todas as soluções que têm estado a ser adoptadas em termos de política económica e social”.

2. Miguel Abrantes, no Câmara Corporativa, deu-se ao trabalho de apresentar um primeiro elenco das medidas tomadas pelo Governo em matéria de política económica e social, ora sob a "ameaça" de Ferreira Leite, elenco que tomo a liberdade de reproduzir aqui:

"• O Complemento Solidário para Idosos;
• As escolas do 1.º ciclo do básico a funcionarem a tempo inteiro, até às 17:30, com inglês e refeições escolares;
• O abono pré-natal;
• A majoração do abono de família;
• O apoio público à procriação medicamente assistida para casais com problemas de fertilidade;
• O programa PARES, que tem financiado a criação de centenas de novos equipamentos sociais, nomeadamente assegurando um investimento sem precedentes na expansão do pré-escolar;
• O cheque-dentista para grávidas e crianças e jovens;
• As unidades de cuidados continuados integrados para idosos acamados e outros doentes prolongados;
• O programa de cirurgia oftalmológica, que permitiu no último ano operar — no sistema nacional de saúde — milhares de pessoas que há anos esperavam por uma simples operação às cataratas;
• O aumento da acção social escolar e o alargamento dos respectivos beneficiários;
• Os programas e-escolas e e-escolinhas;
• A reforma da segurança social, que assegurou a sua sustentabilidade e retirou Portugal do grupo de países de alto risco;
• O investimento nas energias renováveis, que tornou Portugal um caso de sucesso e um exemplo elogiado a nível internacional;
• A redução do IRC para empresas do interior e a criação de dois escalões (em que os primeiros 12.500 euros de matéria colectável são taxados a metade);
• O incentivo fiscal à actividade empresarial de Investigação & Desenvolvimento."

Concluo: O povo quer suicidar-se, votando Ferreira Leite ? Está no seu direito. Mas não contem comigo para colaborar no enterro!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Não há pachorra !

Alguns deputados membros da Comissão Parlamentar de Inquérito ao Sector Bancário mostraram-se hoje muito ofendidos (em declarações prestadas antes da audição do ministro das Finanças) pelo facto de José Sócrates, na entrevista dada à SIC, ter manifestado a sua surpresa com o tratamento de deferência dado por alguns deputados inquiridores às pessoas a quem são imputadas responsabilidades pela situação a que chegou o BPN, em contraponto com o tratamento insolente (e no caso de Nuno Melo, malcriado) proporcionado ao governador do Banco de Portugal.
Já vi, a este propósito, atribuir a tais deputados o qualificativo de "virgens ofendidas". Ora, eu penso que não são uma coisa, nem outra. Na verdade, essa mesma afirmação ouviram eles da boca do governador do Banco de Portugal, durante a sua inquirição, que lhes disse isso mesmo, cara a cara, tendo eles comido e calado. Ora, se assim foi, tal significa que, ao ouvir o mesmo reafirmado por José Sócrates, já não era a primeira vez (logo não são virgens) e se, na altura própria, não reagiram, é porque não se sentiram ofendidos.
Ao que parece e ao que é por eles afirmado, no entender de tais deputados, José Sócrates, só pelo facto de ser primeiro-ministro está impedido de fazer apreciações menos lisongeiras para suas excelências, só porque as excelências são membros de um órgão de soberania de que o Governo depende.
O Governo depende, de facto, da Assembleia da República, mas não depende, nem do deputado A, nem do deputado B ou C. Por isso, criticar o órgão (Assembleia da República) parece-me inadmissível para o primeiro-ministro que dele depende. Pelo contrário, acho que o cidadão e secretário-geral do PS (José Sócrates) tem todo o direito de manifestar as suas opiniões em relação ao comportamento de cada um dos deputados e em relação todos os partidos onde eles se integram, em igualdade com todos os cidadãos e dirigentes partidários deste país. Isto parece-me tão evidente que julgo que nem carece de demonstração.
Tinha, aliás, a sua graça se levássemos o entendimento de tais deputados até às suas últimas consequências: em qualquer debate parlamentar, o primeiro-ministro teria de entrar mudo e sair calado, a menos que fizesse coro com todos os que o confrontassem.
Em nota de rodapé, devo dizer que assisti, em parte, ao desenrolar dos trabalhos da dita Comissão, pelo que posso testemunhar que, no caso do ex-presidente do BPN, Oliveira e Costa, assisti a uma audição, entremeada até com algumas graças para amenizar o ambiente e, no caso do governador do Banco de Portugal, o que vi foi uma inquirição. Só pela utilização das palavras (audição e inquirição) já se vê o quão justos foram os reparos de Vítor Constâncio e de José Sócrates.
Tais deputados, que são tão expeditos a criticar, quanto sensíveis às críticas quando estas lhes tocam, não gostaram. Paciência ! É que não há pachorra para tanta sensibilidade ! Digo eu.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Cuidado com os exageros ! ...

Digam o que disserem, o "anúncio" da "morte" política de José Sócrates era, afinal e manifestamente, um exagero. Viu-se, ontem, no debate da moção de censura, mas sobretudo na entrevista à SIC, conduzida por Ana Lourenço (uma senhora !), onde surgiu ao seu melhor nível.
Os ansiosos "coveiros", como este, podem guardar as enxadas: ele está vivo e bem vivo !

domingo, 7 de junho de 2009

Um discurso que se saúda

Ao assumir, por esta forma e sem sofismas, a derrota do PS, nas eleições europeias hoje realizadas, José Sócrates rompe com a tradição seguida pela classe política, que, por regra, tenta, por todos os meios e invocando os argumentos mais inesperados, escamotear os seus desastres eleitorais. É uma atitude que se saúda, pois a política deve, antes de tudo o mais, ser feita com verdade.
Como se saúda igualmente a sua determinação (bem manifestada nas suas palavras ao garantir que "estes resultados em nada diminuem a determinação do PS para estar à altura das suas responsabilidades na governação do país") e o seu ânimo (ao declarar que "os resultados destas eleições europeias tornam a nossa tarefa para as próximas eleições legislativas mais exigente e mais difícil, mas isso só reforça o nosso ânimo e a nossa vontade para uma preparação vitoriosa").
Assim é que é falar! Eia, pois !

domingo, 17 de maio de 2009

Citações # 35

"O melhor trabalho jornalístico português que vi nos últimos tempos, em todas as categorias, foi o do fotógrafo chinês Zhang Xiao Dong. Aconteceu ontem, no Expresso. A reportagem escrita esteve cargo de um bom repórter, Rui Gustavo, que foi à China encontrar o primo de Sócrates. O primo nada disse com interesse, porque o que teria interesse seria ele a comprometer o primo.
O que interessa - vou dar um exemplo para os leitores distraídos perceberem o que é hoje interesse jornalístico - seria Sócrates dizer no meio de uma viagem de Estado: "Vim à Capadócia porque era há muito um sonho da minha namorada vir à Capadócia." Como Sócrates não disse isso, esta frase não abriu telejornais. Talvez alguém tenha dito uma parecida, mas também não abriu telejornais, pois não? Sorte de quem tenha dito essa frase similar e possa - e ainda bem que pode - dizê-la sem escândalo
.
(...)
Ontem, no Expresso - desde a capa, com a foto do primo de Sócrates, lutador de kung fu, em cima de pilares, à dele rezando no templo de Shaolin - vi esse humilde ofício de jornalismo, contando, não aldrabando. Leitor de jornais, senti-me lavado. Ah, se só se contassem histórias e o jornalismo não fosse instrumento de sei lá o quê... "
Ferreira Fernandes - "Sócrates, o primo e a Capadócia"
(O omitido pode ser lido aqui)

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Citação do dia

"Irão vencer a actual crise os que apostarem na acção e não no travão, os que apostarem na decisão e não em ficar à espera que tudo passe".
José Sócrates (Sessão de encerramento do IV Fórum Mundial de Políticas de Telecomunicações)
(Notícia aqui)

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Sócrates e a entrevista

Sócrates provou à saciedade, na entrevista dada à RTP, que se está ferido e magoado (quem não estaria na situação em que o querem envolver ?) está também muito longe de estar enterrado.
Há quem não goste, (este, pela conversa, é um deles) mas contra factos não há argumentos. E também não adianta pedir a todos os santinhos o aumento da conflitualidade entre o Presidente da República e o Governo, como são os desejos de Aguiar Branco e do seu partido, porque até para essa questão, o primeiro-ministro tem resposta que chegue.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Dar o peito às balas !

Diria, numa primeira apreciação, que o discurso de José Sócrates, na abertura do Congresso do PS (de que aqui se faz um resumo) não trouxe propriamente novidades, visto já terem sido divulgadas as linhas orientadoras da sua moção. Todavia, tal constatação não significa que o discurso não tenha sido interessante e muito importante. Pelo contrário. O discurso de Sócrates revela que estamos perante um homem com uma força anímica verdadeiramente extraordinária. Os ataques pessoais de que tem sido vítima não só não o enfraquecem, como lhe servem de estímulo para continuar a luta. O seu discurso revela que é um homem sem medo e pronto para dar o peito às balas. Temos homem !

Que grande escarcéu !

Não consigo entender todo o escarcéu feito pela líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, pelo facto de José Sócrates ter optado por participar no encerramento do Congresso do PS de que é Secretário-Geral e fazer-se representar por um ministro de Estado na Cimeira de líderes da União Europeia para discutir a crise económica.
Inaceitável e escandaloso, diz ela. Inacreditável e escandaloso, digo eu, é que a senhora faça toda esta barulheira, num caso destes, em que a opção de Sócrates é perfeitamente compreensível, pois é certo que a representação portuguesa será assegurada a alto nível, provavelmente, pelo ministro de Estado e das Finanças.
Manifestamente, a senhora não tem o sentido das proporções, nem mede as palavras, o que, diga-se, já não é novidade.
Posição bem diferente (e, a meu ver, louvável) tomaram, quer Jerónimo de Sousa que, comentando o assunto, resumiu a sua posição declarando: "Todos os males do mundo fossem esse”, quer Francisco Louçã que considerou toda esta questiúncula “absolutamente lamentável”.
Também acho.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Um será "esperto" mas o outro "passa-se"

Ao pronunciar-se sobre a compra do apartamento onde vive José Sócrates, não dispondo de outros dados que não fossem os dados à estampa pelo "Público", servindo-se, aliás, da deixa da sua commère Flor Pedroso, por sua vez escudada na nebulosa notícia do referido jornal, o Professor Marcelo Rebelo de Sousa (MRS) nas "Escolhas de Marcelo", comportou-se com a ligeireza que lhe é habitual, não curando, sequer, de saber que a notícia do jornal já tinha sido cabalmente desmentida por outras fontes que confirmaram que o preço pago por José Sócrates foi idêntico ao pago por outros compradores (Herman José, com conhecimento de causa, o disse). O professor Marcelo, porém, não se ficou pela ligeireza, tendo tido a desfaçatez de chamar "chico esperto" a José Sócrates, insinuando, com tal expressão, um comportamento menos sério do visado e ainda menos próprio de um primeiro-ministro.
É sabido que MRS é useiro e vezeiro em comportamentos deste tipo, mas nem por isso a sua atitude é menos censurável. Pelo contrário, a repetição deste tipo de comportamento prova que o professor se "passa" com demasiada facilidade, o que é indício de um qualquer distúrbio.
Quem me diz a mim que o sentar-se no "mocho" do tribunal, por esta e por outras, não seria um bom contributo para a cura?

domingo, 25 de janeiro de 2009

Esta senhora tem muito que aprender

Não é com derrotismos que Manuela Ferreira Leite vai lá. Recomenda-se que ponha os olhos no discurso do primeiro-ministro, pois é com empenho e alguma dose de optimismo que se vencem as crises. Tem, na verdade, muito a aprender com ele, se o quiser derrotar, cumprindo assim a promessa feita ao crédulo Alberto João Jardim!