terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Somos uma cambada de estúpidos

Desde que, aqui há tempos, o primeiro-ministro Coelho resolveu falar na "democratização da economia" que ando a matutar no assunto. Que raio de coisa será esta da "democratização da economia"?
Quando o governo resolveu vender a EDP à China ainda conjecturei que a explicação estava mesmo à vista. Pois não é verdade que a China é uma República Popular? Ora, Popular quer dizer do Povo. Se é do Povo, o Povo é quem manda. Se o Povo é quem lá manda é porque a China é uma "democracia". Se se vende a EDP a uma "democracia" como não encarar esta venda como o abrir do caminho para chegar ao tal "democratizar"?
Esta hipótese de explicação revelou-se, porém e a breve trecho, inconsistente. De facto, pelo que leio por aí, o primeiro-ministro regressou ao tema na sua mensagem de Natal, o que revela que a "democratização da economia" ainda está por concretizar. E sendo assim,o mistério permanece e a dúvida persiste. 
Constato, porém, com natural regozijo, que o que por aí não falta é muito boa gente que partilha da mesma perplexidade. Pois se até há pessoas como Vítor Malheiros, por quem tenho a maior das considerações, que se interroga sobre o que é que aquela expressão significa e vai ao ponto (hoje no "Público") de instar os jornalistas a deixarem de "servir de pés de microfone" e a interpelar 'os políticos quando eles prometem coisas como "democratizar a economia"'!
E mais, pelo que tenho visto, não andarei longe da verdade se disser que, afora o próprio primeiro-ministro (que é, sem dúvida, muito "esperto", pois enganou uma boa parte do eleitorado) o Relvas, o Gaspar e mais uns quantos auxiliares, todos também muito "espertos", a grande maioria dos portugueses não faz a mínima ideia do que seja a "democratização da economia" com que o primeiro-ministro Coelho nos anda, novamente, a dar cabo da cabeça.
Não se admirem pois se se disser que somos todos, com as referidas e notáveis excepções, uma cambada de estúpidos. E o pior é que é verdade. Tão estúpidos que até os aturamos. Aos "espertos"!

2 comentários:

Anónimo disse...

Excelente análise!Dizer melhor do nossa ignorância perante tanta sabedoria do nosso Primeiro, é impossível!..Pois é, Francisquinho, o frio da Sertã,aguçou-te o engenho...
BJS-GINGINHA

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Caro Francisco
Gostei da análise, mas não foi só a parte da democratização da economia que eu não percebi( embora me pareça que ele tenha querido dizer que vai dar oportunidade a mais alguns para explorar quem trabalha...)
O discurso é tão vazio e nihilista que bem poderia ter sido proferido pelo Alexandre do Pingo Doce, ou pelo Amrim das cortiças.
Abraço