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domingo, 16 de outubro de 2016

Chamem o exorcista!

Chamem e com urgência, porque o mafarrico anda mesmo a fazer das suas.
O primeiro-ministro António Costa garantiu, durante o debate quinzenal que teve lugar no passado dia 14, que o diabo, ao contrário do vaticinado por Pedro Passos Coelho, não só não pediu para entrar no país, como nem sequer se apresentou aos balcões do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.
Ainda que não ponha em dúvida a afirmação do primeiro-ministro, a verdade é que tudo indica que o demo, ainda que por caminhos ínvios e utilizando portas e travessas, entrou no país e se encontra entre nós.
De facto, não encontro outra explicação para o comportamento que tem vindo a ser atribuído a alguns dos principais responsáveis pela política de austeridade do governo cessante, com particular destaque para a ex-ministra de Estado e das Finanças, Maria Luís Albuquerque (MLA), a qual, segundo a comunicação social, terá proferido afirmações que são a perfeita negação de tudo quanto ela defendeu e levou à prática, enquanto governante. 
Com efeito, alguém acredita que ela, uma pessoa supostamente séria, responsável, enquanto ministra do governo cessante, não só por cortes nas pensões e nos salários e por aumentos de impostos como não há memória, e pelo agravamento das desigualdades como nunca se viu em tempo algum, seria capaz de afirmar que o OE assenta muitíssimo no aumento de impostos generalizado e vai reforçar a injustiça social e as desigualdades”? Eu muito simplesmente não acredito, tanto mais que é certo que, com frequência, MLA  tem vindo a acusar o actual Governo precisamente do contrário.
Maria Luís Albuquerque, já se viu, ao longo dos últimos anos, é capaz de muita coisa, mas nem a ela julgo capaz de tamanho descaramento. Resta, por isso, a hipótese, que tenho na conta de certeza, de as afirmações que lhe são atribuídas não serem dela, mas do manhoso que, perito em disfarces, se tem feito passar por ela.
Alguém tem dúvidas? Admito que sim e por isso faço o apelo: chamem o exorcista! Só  ele poderá, afinal, pôr tudo em pratos limpos.
(Ilustração daqui)

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Aldrabões e piratas

«1 Quando está em causa empatar num banco mais de cinco mil milhões de euros dos contribuintes, toda a cautela é pouca, todas as dúvidas são legítimas, todas as perguntas são pertinentes. Venham elas dos especialistas, dos analistas, dos partidos ou dos cidadãos anónimos. (...) No entanto, e como em todas as regras, é aconselhável prever exceções.(...) Resulta incompreensível, por exemplo, que o PSD delegue em Maria Luís Albuquerque lições sobre a CGD, seja no púlpito da Universidade de Verão, seja à mesa do café.

A ex-ministra das Finanças classifica o processo conduzido pelo atual Governo como uma "sucessão de trapalhadas" e conclui, sem se engasgar, que, se ainda fosse ela a mandar, faria "praticamente tudo diferente". Ora, o problema de Albuquerque, quando era ela a mandar, não foi ter feito diferente. Foi não ter feito nada. Nem na CGD, nem no Banif. Empurrou os problemas com a barriga e com isso deu o seu contributo para que se somassem milhões à fatura a pagar pelos contribuintes. Com as devidas diferenças, perder tempo com as cautelas, dúvidas e perguntas de Maria Luís Albuquerque sobre o processo de recapitalização da CGD faz tanta falta como ir pedir ao ladrão de bancos conselhos sobre as falhas de segurança depois de consumado o assalto.

2 É uma das notícias do ano, pelo número e pelo sinal de que o poder económico ainda não subjugou por completo o poder político. A Comissão Europeia impôs à Apple (a empresa mais valiosa do Mundo em bolsa) o pagamento de 13 mil milhões de euros, por conta de uma massiva fuga aos impostos. Não se trata de uma vulgar fraude fiscal, antes um esquema criminoso com a cumplicidade do Estado irlandês que, tal como outros estados da União Europeia (Holanda, Luxemburgo), sustenta os seus êxitos económicos no "dumping" fiscal, ou seja, taxas pornograficamente baixas sobre os lucros das empresas. No caso da Apple, deu-lhe ainda cobertura para transferir os lucros com as vendas de toda a Europa para empresas sediadas na Irlanda, mas que só existem no papel. E, dessa forma, milhares de milhões de euros foram sujeitos a uma taxa de imposto que variou entre 1% (em 2003) e 0,005% (em 2014). Faltam no entanto duas etapas para que a premissa inicial faça sentido: a execução da sentença; e que, por pressão dos cidadãos, a União Europeia ponha fim à pirataria fiscal praticada em alguns dos seus estados. É impossível? Também o parecia ser a decisão sobre a Apple.»

(Rafael Barbosa; Os ladrões de bancos. Na íntegra: aqui)

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Maria Luís Albuquerque, mais uma que, no PSD, não tem noção do ridículo.

Enquanto a Banca elogia a actuação do Governo por, designadamente, ter conseguido que Bruxelas aprovasse a recapitalização da Caixa sem considerar a operação uma ajuda estatal, chegando altos responsáveis do sector a qualificar o resultado como "uma enorme vitória", Maria Luís Albuquerque [ex-ministra das Finanças e actual deputada do PSD (de que partido outro poderia ser ser?) e administradora ao serviço da Arrow Global, uma empresa gestora de créditos mal parados] não tem pejo em classificar o mesmo processo como "uma sucessão de trapalhadas".
Reconhece-se que a ex-ministra é especialista em trapalhadas, tantas foram aquelas em que se envolveu, algumas delas no âmbito do sector bancário. Os casos de resolução do BES, do Banif e mesmo a não concretização da recapitalização da Caixa (que já no tempo em que ela era ministra passava pela mesma necessidade de reforço de capitais) aí estão para o confirmar. Assim sendo, mais é de estranhar que Maria Luís Albuquerque (MLA) não consiga ver quão diferente de qualquer das suas "trapalhadas" é o processo de recapitalização da Caixa desenvolvido pelo actual Governo. 
Em tais circunstâncias, só mesmo alguém sem a mínima noção do ridículo é que se permitiria fazer uma afirmação tão desfasada da realidade e tão desencontrada em relação à manifestada pelos primeiros interessados na resolução do problema - os banqueiros. 
Julgará MLA que ainda há por aí alguém que tenha em conta a suas disparatadas opiniões? Ou será que, em matéria de afirmações descabidas e tolas, não quer ficar atrás do líder do seu partido? Para não destoar ? Quem sabe?
(ilustração daqui)

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

BES: já alguém pintou a cara de vergonha?


Como se pode concluir pela leitura do extracto da crónica de João Vieira Pereira que a imagem supra reproduz, publicada no Caderno de Economia do Expresso de sábado passado, já nem os mais esforçados defensores das teses da direita, onde se inclui o citado cronista, acreditam que a decisão tomada na sequência da crise que afectou o BES tenha sido a aconselhável.
Atendendo aos argumentos que aduz, não custa concluir que, no caso, a razão lhe assiste, por inteiro. A resolução foi a pior solução, escreve, tese que não me custa acolher, tal como subscrevo a afirmação de que a recapitalização, antecedida, acrescento eu, do afastamento da administração Salgado, teria sido a solução adequada para a crise do banco.
O parágrafo final da crónica suscita-me, no entanto, alguma perplexidade. Maria Luís Albuquerque é, sem dúvida, uma das pessoas responsáveis pela opção tomada que, sabe-se já hoje sem margem para dúvidas, vai sair cara aos portugueses (e ainda não sabemos da missa a metade). Mas não é a única. Passos Coelho, como é óbvio, é, como primeiro-ministro, o principal responsável e Portas, como vice-primeiro-ministro. vem logo a seguir. E nem Cavaco está livre de responsabilidades. Não promulgou ele o diploma feito à pressa indispensável à tomada da decisão sobre a resolução?
Segundo o cronista, Maria Luís Albuquerque devia pintar a cara de vergonha. E por que razão, Passos Coelho, Portas e Cavaco não são chamados na crónica a assumirem as suas responsabilidades?
Será porque na direita, que há mais de quatro anos vem destruindo o país, já não há ninguém com vergonha na cara?
PS. Não menciono Carlos Costa, porque, sendo embora o executor, não foi mais que um pau-mandado e só esse facto já é motivo mais que suficiente para se sentir envergonhado. Já não precisa de pintar a cara.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Passos Coelho que se cuide!

Aparentemente, está em curso no seio do PSD, uma acesa disputa sobre quem merece a palma da falta de seriedade. 
É verdade que passos coelho tem uma reputação bem firmada como aldrabão e mentiroso. Pelo menos, é o que dizem as sondagens que se têm interessado em fazer perguntas sobre o assunto. Porém, maria luís albuqerque, desde há algum tempo apontada como uma provável substituta de passos coelho, em caso de insucesso eleitoral da coligação PàF(!) nas próximas legislativas, parece empenhada em não perder a corrida para obter um tal galardão, que, pelos vistos, nos tempos que correm, é indispensável para se atingir a liderança do PSD.
E, como é evidente, numa disputa como esta, nenhum dos contendores pode dar-se ao luxo de desperdiçar toda e qualquer oportunidade para firmar os seus créditos.
Não admira, por isso, que maria luís albuquerque tenha aproveitado a oportunidade proporcionada pela "óniversidade" de verão do PSD, para dissertar sobre os "malefícios" das propostas contidas no programa do PS, programa que, todavia, não leu:"O programa todo, não, não li. Li algumas coisas daquilo que são os documentos que o PS tem vindo sucessivamente a publicar e alguns comentários sobre os mesmos.
Alguém duvida, perante o teor da afirmação, que a (imagine-se!) ministra das finanças não leu coisa nenhuma? Eu não.
Termino como comecei: Coelho que se cuide, pois, se quiser manter o título de político com maior índice de falta de seriedade, tem em maria luís albuquerque uma adversária à altura. 

domingo, 12 de julho de 2015

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A incrível ministra das Finanças

A afirmação de Maria Luís Albuquerque de que «Portugal poderá vir a seguir os passos da Irlanda e sair do seu programa de ajuda externa sem recorrer à protecção europeia de um programa "cautelar"» é, pelo menos, tão incrível quanto o facto de ela ser ministra das Finanças. De facto, se há assunto sobre o qual, nem o próprio governo, tem dúvidas, para já não falar das instituições internacionais e dos economistas de vária proveniência que se têm debruçado sobre o tema, é o de que Portugal não conseguirá financiar-se nos "mercados", em condições normais, ou seja, sem uma qualquer forma de ajuda por parte dos parceiros europeus.
A afirmação da ministra só é compreensível, e tão só do ponto de vista lógico, se se admitir que pode ter passado pela cabeça da incrível ministra a ideia de que o recorrer ou não recorrer a um qualquer mecanismo de protecção é algo que depende apenas da vontade do freguês, ou seja, no caso, da vontade dela.
Ideia absurda, como é evidente, mas quem sabe o que pode passar pela cabeça de alguém tão incrível como ela?

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O "novo ciclo": antes, lapsos, agora,contradições

O ex-ministro Relvas era muito dado a "lapsos". A actual ministra das Finanças, pelos vistos, é muito atreita a "contradições".
Receio bem que a diferença entre o "novo ciclo" de que este governo agora fala e o "ciclo" que alegadamente o antecedeu, seja a mesma que existe entre os "lapsos" de Relvas e as "contradições" de Maria Luís Albuquerque. Ou seja, nenhuma.
(Reeditada)

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Cavaco e o castigo

Se o demissionário secretário de Estado do Tesouro, Joaquim Pais Jorge se revelou uma peça defeituosa na estrutura do governo de Passos & Portas, a ministra das Finanças, responsável pela sua escolha, o que ainda seria o menos, mas também responsável pela malograda manobra de diversão para o manter no governo, mesmo depois de conhecido o defeito da peça, não pode sair ilesa de todo este enredo. A senhora que já não se livra da fama de ser pouco afeiçoada à verdade, tendo em conta as declarações que prestou no Parlamento, confirmou agora, (com a patranha sobre a alegada, mas inexistente, manipulação do documento revelado pela SIC que atestava a presença de Pais Jorge nas reuniões com assessores do Governo anterior para tentar vender os swaps fraudulentos) que é, ela  própria, uma peça ainda mais defeituosa e que não tem, por isso, condições para se manter no cargo.
Não é de excluir a hipótese de Passos Coelho continuar a afirmar que mantém a confiança na ministra, repetindo o que já fez por mais de uma vez, o que está muito longe de ser um bom sinal. Veja-se o que aconteceu com Miguel Relvas. Mais cedo ou mais tarde a ministra Maria Luís Albuquerque vai ser forçada a seguir o mesmo caminho.
Falta saber se só, ou se também acompanhada por todo elenco governamental. O governo, aliás, tão enfermo e tão em crise estava, ainda há poucos dias, que só sobreviveu graças ao empenho de Cavaco em exercícios de reanimação in extremis.
Ao que parece, em vão, porque os últimos desenvolvimentos parecem indiciar que se o governo estava enfermo, enfermo continua, após a reanimação. E se Cavaco insistir em salvar o meio-morto, terá de fazer, hora a hora, manobras de respiração assistida.
É o castigo. Merecido.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Quem pergunta, desconfia

Se Cavaco Silva não tivesse dúvidas em relação à idoneidade política da ministra das Finanças, não teria questionado Passos Coelho sobre o assunto. Quem pergunta, é porque desconfia. Estranho seria, aliás, que não tivesse dúvidas sobre o comportamento da ministra depois de tudo o que tem sido relatado na comunicação social a propósito da sua actuação na questão dos swaps e das declarações que a tal respeito ela tem vindo a prestar, designadamente, na Assembleia da República.
No entanto, para desconfiado, Cavaco Silva, revela-se um excessivo confiante. Contenta-se, para remover as dúvidas, com a palavra do primeiro-ministro, como se este não fosse o protótipo da pessoa que, politicamente, não honra a palavra dada e como se não tivesse havido um caso Miguel Relvas que é replicado, de algum modo, pelo que envolve agora a ministra Maria Luís Albuquerque.
No caso Relvas, as reiteradas manifestações de confiança de Coelho deram no que deram, com Relvas a acabar por sair do governo. Maria Luís Albuquerque, tudo o indica, mais cedo ou mais tarde, acabará por seguir o mesmo caminho, pois até no PSD não faltam as vozes que consideram que ela é "uma pedra no sapato" (insuportável, como se sabe, durante muito tempo) e  que a sua nomeação foi "um erro". 
Perante os antecedentes, é óbvio que Cavaco tem todas as razões para não acreditar nas garantias dadas por Passos Coelho. Todavia, por razões que a razão desconhece, faz de conta que confia. O que também parece evidente é que quem assim procede não é digno de confiança. E de facto, por alguma razão, a confiança no governo e no presidente da República anda pelas ruas da amargura.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Morte por doença súbita, ou na sequência de doença prolongada?

"Por razões diferentes, Maria Luís Albuquerque será o novo Miguel Relvas de Passos. Uma bomba relógio ambulante, paralisada pela percepção pública das suas falhas de carácter. Se Passos a demite, um mês depois de a nomear e de com isso ter causado a maior crise política deste governo, morre de doença súbita. Se a mantem, morre de doença prolongada. É o destino de políticos impreparados que escolhem ministros em função das suas proximidades pessoais."
(Daniel Oliveira; "Albuquerque, o novo Relvas". Na íntegra: aqui)

Não contesto.

Pelo contrário, subscrevo:

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Acabou antes de começar...

... o "novo ciclo". 
A remodelação ainda não está completa e o governo "recauchutado" já tem um novo caso Relvas na pessoa da nova ministra das Finanças, cuja falta de credibilidade e de fiabilidade pede meças à do ex-ministro Miguel Relvas.
A gravidade do comportamento da ministra das Finanças, com as suas repetidas mentiras sobre a questão dos swaps não é menor. Antes pelo contrário. O paralelo entre os dois casos não se fica, porém, pela gravidade do caso. Também o comportamento de Passos Coelho é idêntico,  ao vir reafirmar a sua confiança na ministra. Provavelmente, o desfecho não será muito diferente. A Relvas de nada valeu a renovação da confiança por parte de Passos Coelho, pois acabou por ser removido do governo e a Maria Luís Albuquerque não está reservado outro destino, pois que não é só a oposição a exigir a sua demissão. Mesmo vozes conotadas com a direita entendem que  "A história é grave a ministra sai mal dela. E agora só tem mesmo uma saída: abandonar o Governo ou deixará ao primeiro-ministro o ónus de a afastar".
Diga-se que, ainda que este caso não tivesse surgido, nunca seria legítimo falar de um "novo ciclo". De facto, o primeiro-ministro é o mesmo e a remodelação não significa que ele tenha passado por uma qualquer "pia baptismal" para remoção dos seus pecados que, contando só os originais, são dois: Passos Coelho continua a ser a mesma pessoa que diz uma coisa e faz outra e que, de tão servil perante a troika, não hesitou em ir além do exigido pela mesma troika, com as consequências irreparáveis que até o ex-ministro Gaspar acabou por reconhecer na sua carta de demissão.
Visto isto e voltando à ministra das Finanças de que lhe pode servir a renovada confiança de Passos Coelho, se este pode ser tudo e mais alguma coisa (até primeiro-ministro, pelos vistos) mas digno de confiança é que ele não é?
Se ele a não tem, como é que a pode dar?

terça-feira, 23 de julho de 2013

Relvas em risco de ser destronado

O ex-ministro Miguel Relvas tinha a fama de faltar à verdade no Parlamento como a mesma facilidade com que se bebe um copo de água. Tratava-se, como ele dizia, de meros "lapsos". Pois em matéria de repetidos "lapsos", Miguel Relvas corre o sério risco de vir a ser ultrapassado pela agora ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque.
Depois de ter negado que o governo de Passos, Gaspar & Portas tivesse recebido informação do anterior Governo sobre a existência do problema dos swaps, quando ouvida sobre a questão, em comissão na AR, ainda na qualidade de secretária de Estado do Tesouro,  a novel ministra fez questão de garantir no plenário da AR, aquando do debate sobre o estado da Nação, que não tinha mentido, apesar de ter sido desmentida, na altura e de imediato, pelo ministro  das Finanças do Governo do PS, Teixeira dos Santos e pelo ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar. de quem ela própria dependia, na ocasião.
Passos já não se pode queixar por ter sido forçado a prescindir dos "lapsos" de Relvas. Já tem substitua à altura. Quiçá, com vantagem, pois, ao que parece, comete "lapsos", não com a facilidade de quem bebe água, mas com  a naturalidade de quem respira.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Em desespero de causa

Não vale a pena disfarçar o que é mais que evidente: a demissão de Gaspar representa, nem mais nem menos, do que o completo reconhecimento do seu próprio falhanço no cumprimento das metas acordadas com a troika e, bem entendido, o falhanço da política de austeridade prosseguida pelo governo, na medida em que era sob a sua batuta que se regia a orquestra desafinada, formalmente liderada pelo "impreparado"  Passos  Coelho.
Tendo em conta que o seu pedido de demissão já não é recente, tal significa que Gaspar há muito tinha consciência desse falhanço. Estranhamente, só Cavaco Silva, entretanto transformado em simples marioneta manipulada por Passos, (como se se viu recentemente com o caso da promulgação ultra-rápida da lei que protelou o pagamento do subsídio de férias dos funcionários públicos, dos reformados e pensionistas, para o mês de Novembro) é que ainda não se apercebeu disso. 
Que Cavaco vai continuar a esconder  a cabeça na areia para não ver o que se passa, tenho poucas dúvidas. Melhor dizendo, nenhumas.Será  que Portas vai continuar a fazer o mesmo?
É que se a saída de Gaspar do governo acaba por  ser reveladora da decomposição a que o actual executivo governo chegou, a escolha da pessoa encarregada de o substituir (Maria Luís Albuquerque) torna ainda mais claros os sinais da decomposição.
Como é evidente, a "ilustre" secretária de Estado do Tesouro, agora, estranhamente, promovida a ministra das Finanças, deveria, se neste governo existisse um réstia de decência, ter seguido o mesmo caminho que o trilhado por dois dos seus colegas de governo, responsáveis, tal como ela, pela contratação de swaps, caminho que só poderia ser o do olho da rua. A qualificação eufemística ("exóticos", por contraponto a "tóxicos") atribuída aos swaps em que ela interveio em nada modifica o julgamento, porque, substancialmente, não se consegue enxergar qualquer diferença.
Mas, o que torna esta nomeação ainda mais inverosímil, para não dizer inconcebível, é o facto de a "excelente senhora" ter acabado de ser desmentida pelo ex-ministro Gaspar em relação a firmações feitas por ela no Parlamento ao negar que o Governo anterior tivesse prestado a informação de que dispunha sobre swaps. Passos Coelho não escolheu seguramente a pessoa indicada para tomar conta do Ministério das Finanças, mas, ao que tudo indica, encontrou uma sucessora à altura de Miguel Relvas no que respeita ao tratamento da verdade a que o Parlamento tem direito.
Pelo que fica dito, a nomeação da nova ministra das Finanças tem todos os ingredientes de um verdadeiro escândalo, para o qual só vejo uma explicação: Coelho não encontrou, por certo, nenhuma personalidade com perfil e credibilidade que aceitasse ser ministro/a das Finanças de um governo em decomposição. Por isso, Maria Luís Albuquerque tem de ser vista como uma escolha em desespero de causa.