sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A "ameaça" e o medo

A afirmação  atribuída ao primeiro-ministro  de que "Um Governo sem orçamento aprovado não tem condições para Governar" tem sido entendida como uma "ameaça", expressão que, a este (des)propósito, tem sido insistentemente repetida em vários tons.
Falo em "(des)propósito", porque qualquer ameaça pressupõe que as palavras proferidas revelem uma intenção de causar dano e sejam de molde a suscitar medo a quem as ouve. Ora, não me parece que aquela afirmação reúna os requisitos para ser considerada como tal. Onde a intenção de causar mal, se se limita a enunciar o que é evidente?  De modo que, se mesmo assim, não existindo qualquer ameaça, há quem se sinta ameaçado, é porque já traz o medo dentro de si. Porventura, o medo de ter de Governar. E ele anda, de facto, por aí.

Avifauna portuguesa # 91: Felosa-musical (Phylloscopus trochilus)

Felosa-musical (Phylloscopus trochilus L.)
(Local e data: Cova da Piedade - Almada; 14 - Setembro - 2010)
(Clicando na imagem, amplia)

Má sorte ser idoso

Há dias, ficámos a saber que o número de idosos abandonados nos hospitais não pára de aumentar. Hoje chega a notícia de que o número de idosos vítimas de crimes passou de 290, em 2000, para 639, em 2009, o que representa um aumento de 120 por cento (dados da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima - APAV). E o mais grave é que, em metade dos casos, "o agressor é o cônjuge ou um filho".
Que vergonha de sociedade é esta que estamos a criar ?

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Um homem com qualidades

Carrilho (é dele que falo) é, por exemplo, um bom marketeer. Para vender a "banha da cobra" (leia-se: o livro agora editado) um homem (com as suas qualidades) lança mão do que for preciso. Mesmo que a sua demissão de embaixador junto da UNESCO tenha sido acordada, numa conversa, em Abril, como garante o ministro dos Negócios Estrangeiros e ele não desmente, deixar cair mais uma "acusação" é como sopa no mel para promover o produto (cujos méritos, todavia, não discuto, porque não li o livro).
O "acusado" agora é José Sócrates. E, amanhã, é Zeus ?
Mas mais: o homem é também um "patriota". Pois não é que ele se recusa a desmentir o ministro só "porque isso não traria prestígio para Portugal" ? Donde: se ele não se ensaia nada para "acusar" o primeiro-ministro é, por certo, com a melhor e a mais patriótica das intenções. Só pode!
(reeditada)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Para além dos desmentidos

Pouco interessa saber quem é que, nesta cena da demissão de Manuel Maria Carrilho do cargo de embaixador na UNESCO, tem razão: se a chefe de gabinete ministro dos Negócios Estrangeiros, segundo a qual, Carrilho foi informado no dia 15 de Abril  (versão por que opto, pois  tem a seu favor o facto de fazer sentido no âmbito da "rotação diplomática" e de se abonar com circunstâncias de lugar, tempo e modo); se o próprio interessado que alega ter tido conhecimento da sua substituição através de um despacho da agência "Lusa"".  
E digo que não interessa, porque a polémica pode fazer vender o livro de Carrilho, mas não tem nada a ver com o fundo da questão. O que releva é apurar se a demissão de Carrilho tem ou não cabal justificação.
Para responder, importa saber:
1. O cargo é vitalício? Não é.
2. Havia algum compromisso de que a missão de Carrilho na UNESCO era para manter indefinidamente até que o senhor se fartasse ? Não, pois nem o interessado o alega.
3. Foi a actuação de Carrilho de tal forma excelente que deixa "marcas" na UNESCO ?  Se foi, passou despercebida do grande público, onde me incluo.
4. (E mais importante) Carrilho tem perfil de diplomata ? A resposta é não. Abono a resposta com a seguinte consideração: um diplomata tem que ser inteligente (o que Carrilho é) cordato e bem educado (atributos que o televiso Carrilho não tem - Carmona Rodrigues que o diga); tem que ter noção das conveniências (o que o "ego" de Carrilho não permite); e ser dotado de bom senso e de sentido de responsabilidade (o que o pedante Carrilho não é, como já deu provas ao não acatar, em Setembro de 2009, as instruções de Luís Amado no sentido de votar no embaixador egípcio Farouk Hosny para cargo de director-geral da UNESCO*).
5. (E finalmente) A substituição de Carrilho não é coincidente com a "rotação diplomática" envolvendo  outros postos e vários diplomatas ? É.
O que há, pois, de extraordinário, na substituição de Carrilho como embaixador na UNESCO para levantar tanto ruído na comunicação social ? Nada, a não ser o facto de Carrilho não gostar de ser posto a mexer do lugar e de ter boa imprensa desde que, como ministro da Cultura de Guterres, teve, em tempo de vacas gordas, muitos milhões à sua disposição para distribuir.
* Só este facto era, a meu ver, razão mais que suficiente para justificar a demissão, na altura. Logo, a demissão só peca por tardia.

Idosos e SNS

Por muito que doa, a verdade é que esta situação é fruto duma sociedade egoísta, imbuída duma insensibilidade chocante e que só quer saber dos seus direitos e esquece os deveres.
Se não fosse o Serviço Nacional de Saúde, como se resolveriam estes casos que põem a nu a irresponsabilidade das famílias perante a necessidade dos "seus" idosos ?
Mais um argumento a juntar a tantos outros em defesa do actual SNS. Que seria dos idosos abandonados pela família, no dia em que os serviços públicos de Saúde vissem o seu financiamento prejudicado em benefício dum sector privado de saúde transformado em mais uma área de negócio, como pretende o PSD ? 
Para  alguns (uma minoria com dinheiro), não haveria problema. Para a grande maioria, como seria ?
Dir-me-ão que estou a exagerar, pois das propostas de Passos Coelho não decorrem tão funestas consequências. Não decorreriam forçosamente, de facto, se a política do PSD não fosse no sentido de mais cortes na despesa e se houvesse mundos e fundos para o Estado gastar. Ora, respondo, este não é o caso e, em matéria de saúde, como em qualquer outro sector, os que não têm voz (os mais pobres e, entre eles, os idosos) são sempre os mais prejudicados quando há que repartir meios escassos.
Ou não são ?
(reeditada)

Cavaco ao retardador

Depois de 10 anos a desempenhar as funções de primeiro-ministro e de mais 5 como inquilino de Belém, chegou a hora de Cavaco Silva descobrir a importância da Educação, considerando-a agora como “um desígnio nacional”.
Sabido que José Sócrates colocou, desde a primeira hora, a Educação no topo das prioridades e que nenhum Governo anterior investiu tanto no sector, não é ofensa, julgo eu, considerar que o discurso de Cavaco Silva  tem o sabor de requentado.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Liga de futebol: Nacional 0 - F C Porto 2 (Golos - Vídeos)

Com mais esta vitória, frente ao Nacional, por 0 - 2, o Futebol Clube do Porto, que conta por vitórias todos os encontros disputados na actual edição da Liga, está imparável e a concorrência, ainda que estejamos só no início do campeonato, já tem boas razões para começar a ficar preocupada. 
Entretanto,os golos, o primeiro dos quais por conta de um jogador do Nacional, na própria baliza. Quando até os adversários ajudam, tudo fica mais fácil, mesmo quando se falha a marcação de uma grande penalidade (Falcao). Foi o caso.
Golo de João Aurélio (p.b)


Golo de Silvestre Varela (Porto)


Com o título me enganas

O mesmo documento divulgado pelo INE  "TRANSPORTES EM FOCO Setembro de 2010 - Transporte aéreo de passageiros em Portugal e na UE27 – 2007/2009" dá origem a, pelo menos, estas duas notícias: 

Uma assinada por Rita Paz (DiarioEconomico.com) intitulada Europa perde 46 milhões de passageiros num ano, que reproduz com objectividade os dados constantes do documento do INE, onde se destaca a epígrafe "Transporte Aéreo de Passageiros em quebra generalizada na Europa em 2009" e o texto "No contexto da crise económica internacional, em 2009 a dinâmica do transporte aéreo ao nível europeu traduziu-se por uma quebra de 5,7%, face ao ano anterior, no movimento de passageiros nos aeroportos da UE27. Nos aeroportos nacionais a evolução negativa foi menos acentuada, com um movimento de passageiros que se situou 3,8% abaixo do volume de passageiros registado em 2008."

Já no Público.PT, a jornalista Raquel Almeida Correia, chama para título da notícia: Aeroportos portugueses continuam a perder passageiros.
Para se avaliar a adequação do título à notícia e a objectividade da jornalista note-se que esta ignora o essencial da notícia (v. supra) e lança mão de um parágrafo pouco menos que irrelevante no contexto do documento e que diz nem mais nem do que isto: "O primeiro trimestre de 2010 parece confirmar o período negativo que o transporte aéreo de passageiros atravessa observando-se decréscimos de passageiros embarcados na maior parte das origens com dados disponíveis. Destaca-se a excepção do Reino Unido que, nos três primeiros meses do ano, apresentou já uma inversão de tendência com um crescimento de 2%, face a igual período de 2009". (Só os negritos são meus. Os dados disponíveis podem ser consultados no documento do INE - link supra ).
Pelos vistos, no "Público", a objectividade à moda do Zé Manel continua a fazer "escola" e a ter seguidores. A Raquel Almeida Correia desculpar-me-á, mas não lhe dou os parabéns por figurar entre eles.

domingo, 19 de setembro de 2010

Liga de futebol: Benfica 2 - Sporting 0 (Golos - Vídeos)

Nada melhor que um derby Benfica-Sporting, para o Benfica arrebitar !
Infelizmente, digo eu.
Fique-se com os golos (2) de Cardozo, de "pé quente", depois dos assobios, no jogo anterior para a Liga Europa:



Dá para entender ?

Não há dia em que o PSD não exija que o Governo faça mais cortes na despesa pública.
Faz, pois, algum sentido que o mesmo partido, emparceirando com o BE e o PCP, venha anunciar que vai apresentar “em breve” uma proposta no Parlamento sobre a atribuição gratuita de manuais escolares a todos os alunos do ensino escolar obrigatório, obrigando o Estado a gastar o que não há com quem não precisa ?
Salvo sempre melhor opinião, isto é mais que despesismo. É parvoíce.
(Reeditada)

Um bota bem descalçada

Afinal, ao contrário das minhas previsões, Gilberto Madaíl, não teve nenhuma dificuldade em encontrar um novo treinador responsável pela selecção nacional de futebol, pois já tem o assunto resolvido. Descartada a hipótese Mourinho, anuncia-se que o novo seleccionador será Paulo Bento.
Vendo o modo como a "coisa" é apresentada (Mourinho era uma solução provisória e temporária que teria a vantagem de não colocar o novo seleccionador - o já escolhido Paulo Bento - numa posição difícil, se os próximos dois jogos não correrem de feição) diria até que Madaíl descalçou bem esta bota.
Quanto à bondade da escolha, veremos, como diria o outro. A alternativa em cima da mesa (Humberto Coelho) era bem pior.

PSD: mais uns quantos na campanha de "intoxicação"

Os deputados do PSD, Pacheco Pereira, António Preto e José Eduardo Martins criticaram a forma como foi entregue o projecto de revisão constitucional na Assembleia da República sem  que os deputados eleitos pelo PSD tivessem tido a oportunidade de analisar o documento.
Certamente não compreenderam o quão urgente era a entrega do projecto! 
Mas não esperaram muito pela resposta. De pronto surge um tal Branquinho que os acusa de estarem a  dar tiros no pé, "auxiliando o PS", o que, na gíria em voga no PSD, quer dizer que há mais uns quantos, no partido, a engrossar a campanha de "intoxicação".
A coisa, lá para os lados da bancada parlamentar do PSD, está a ficar preta. Ou branca ?

sábado, 18 de setembro de 2010

Um disparate seguido dum sarilho

A Federação Portuguesa de Futebol não esteve, a meu ver, nada bem na gestão do "caso Queirós", mas a iniciativa de convidar Mourinho para orientar a selecção portuguesa, em part time e a partir de Madrid, só pode ser levada à conta dum perfeito disparate e duma completa idiotice. À uma, porque a solução já de si não era boa, pois Mourinho, conquanto seja um excelente treinador, ainda não faz milagres. E, por outro lado, ainda que Mourinho estivesse, como parece que estava, disponível para aceitar o convite, era previsível a recusa do acordo por parte da direcção do Real Madrid, que contratou Mourinho como treinador a tempo inteiro e a peso de ouro. Aliás, ao que transparece das palavras de Mourinho proferidas ontem em conferência de imprensa, a recusa do Real Madrid em dar o seu acordo, já não é só previsível, mas mais que certa.
Ora, se há disparates que não têm grandes consequências, este não vai ser o caso, a meu ver. De facto, a Federação Portuguesa de Futebol, na sequência do falhanço desta iniciativa (ainda que seja só da responsabilidade do presidente da direcção, Gilberto Madail) meteu-se num grande sarilho, pois não será fácil desencantar, nas alternativas de que se tem falado, um treinador que esteja disposto, nesta altura, a aceitar o cargo de seleccionador nacional depois do insólito convite dirigido a Mourinho que só pode significar pouca confiança nessas hipóteses. E, o que é pior, mesmo que encontre quem aceite, o novo seleccionador vai  iniciar o seu trabalho numa posição de fraqueza e isso não é, seguramente, aquilo de que a selecção nacional precisa. Se tal nunca é recomendável, muito menos o é, na actual situação.

Baratas tontas

O alarido que a comunicação social tem feito a propósito da anulação do concurso para a construção do troço Lisboa-Poceirão do TGV, como se se tratasse duma surpreendente (*)  novidade quando é sabido que a decisão foi tomada há meses e, na altura, amplamente noticiada, revela que os jornalistas portugueses ou têm memória fraca, ou não passam de baratas tontas. Ou padecem dos dois males.
(*) Surpreendente é que tenha que ser  o presidente do Governo Regional da Extremadura espanhola a lembrar aos jornalistas que a decisão de anular TGV é conhecida desde Maio e não menos surpreendente é que os jornalistas façam  notícia desta declaração. Será que eles nem se dão conta do ridículo da situação ?

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O "pecado" mora sempre ao lado

Os números que dão conta que o Estado português se endivida à media de 2,5 milhões de Euros, à hora, são deveras impressionantes, mesmo que as necessidades de financiamento  para este ano se encontrem já asseguradas, em 90%, como afirma o ministro da Presidência, Silva Pereira, o que, a ser verdade, parece não comprometer as metas estabelecidas no PEC, nem ultrapassar os limites orçamentais, como, aliás, decorre da comparação entre os números avançados para a dívida já contraída (14,2 mil milhões de euros) e o montante máximo de endividamento consignado no Orçamento de Estado (17,4 mil milhões de euros) não havendo, por isso, como sublinha o primeiro-ministro, razão para alarmismos.
Mesmo que, como afirma o Governo, não haja razão para alarmismos,  aqueles números não deixam de levar à conclusão de que há que limitar o endividamento do Estado até porque os juros da dívida pública têm vindo a aumentar progressivamente e o Estado não dispõe de meios para travar esta subida, a não ser reduzindo a dívida.
Há, porém, outros números que não são menos surpreendentes, nem menos preocupantes do que aqueles. Com efeito, ainda há dias ficámos a saber que os portugueses compraram, só no 1º semestre deste ano, perto de 3 milhões de telemóveis (sem dúvida, mais um número impressionante) e hoje veio a lume a notícia de que as vendas de automóveis descem na UE mas sobem em Portugal, cifrando-se o aumento das vendas, nos primeiros oito meses, em 46,4 por cento, em relação a igual período do ano passado.
É obra !
Estes números demonstram que os portugueses continuam, apesar da crise, a viver à grande e à francesa, mesmo sabendo que a dívida externa portuguesa deriva, sobretudo, do excessivo endividamento dos particulares e das empresas, endividamento que é, por isso, responsável, em igual medida, pelas dificuldades de financiamento da economia portuguesa e pelo aumento dos juros dos empréstimos.
Que mais dizer a não ser que, perante as dificuldades que o país atravessa, o comportamento dos portugueses é bem próprio de quem entende que o "pecado" mora sempre ao lado e que os culpados são sempre os outros e em especial os governos (o actual, ou qualquer outro que o tenha antecedido, ou qualquer outro que lhe venha a suceder). Possivelmente, também se poderia concluir, como o faz hoje Jacinto Nunes, que “só nos metem na ordem à força”.
Mesmo que a afirmação não corresponda à verdade, só o facto de haver quem o afirme já é pouco agradável.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Fugindo com o rabo à seringa

O convidado de hoje da entrevistadora Judite de Sousa, Pedro Passos Coelho (PPC) não teve a vida facilitada, contra o que, a meu ver, seria de esperar da entrevistadora, tendo em conta os antecedentes. E até estou disposto a admitir que a entrevista não teria corrido mal (Passos Coelho tem um discurso linear e não se engasga) se não se desse o caso de o entrevistado fugir sistematicamente com o rabo à seringa, sempre que a entrevistadora solicitava exemplos concretos para esclarecimento das propostas  do PSD. Ficámos assim sem saber o que é PPC entende por razão atendível para os despedimentos e também sem saber quem é que paga os custos com os serviços de saúde e de educação e como é que funcionarão esses serviços, uma vez substituídos os actuais sistemas, pois já não restam dúvidas de que a substituição por algo que continua nebuloso é a intenção do PSD, ou pelo menos, a do seu líder.
Foi pena que PPC não tenha aproveitado a oportunidade para fazer um exercício de clareza e transparência, logo ele que tanto delas se reclama.

Liga Europa: Porto 3 - Rapid Viena 0 (Golos - vídeos)

Dois bons resultados para as equipas portuguesas na competição para a Liga Europa: depois da vitória do Sporting sobre o Lille por 2-1(ver post anterior) coube ao Futebol Clube Porto não deixar os seus créditos por mãos alheias, ao derrotar o Rapid Viena, por 3-0, em jogo disputado no Estádio do Dragão a contar para o Grupo L da Liga Europa.
Vejam-se os golos, com destaque para o último de Ruben Micael (espectacular):

Golo de Rolando:


Golo de Falcão:


Golo de Ruben Micael

Liga Europa: Lille 1 - Sporting 2 (Golos - vídeos)

As vitórias da equipa de futebol do Sporting têm vindo a rarear tanto, que bem se justifica que aqui se deixe registo da vitória alcançada hoje no campo do adversário, frente ao Lille, em jogo do grupo C da Liga Europa.
Vejam-se os golos:

Golo de Vukcevic (Sporting)


Golo de Postiga (Sporting)


Golo de Frau (Lille)

Marcelo Rebelo de Sousa entra na campanha de "intoxicação"

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O inglório esforço de PPC

É evidente que a prioridade da agenda de Pedro Passos Coelho (PPC) se centra na revisão constitucional. Tal ficou claro no Congresso realizado logo após a sua eleição e à medida que o tempo tem  passado mais essa evidência se tornou clara. Como clara tem ficado cada vez mais a razão para tal empenhamento: manifestamente, o actual líder do PSD considera a Constituição, na sua actual formulação,  excessivamente programática e eivada de travões (para usar a sua própria terminologia) que impedem o legislador ordinário de legislar a seu bel prazer, designadamente, em matérias como a  protecção dos trabalhadores, a saúde e a educação.
É verdade também que o PSD se esforça por escamotear quais as suas verdadeiras intenções no que respeita às reformas que pretende introduzir nessas e noutras áreas, razão por que a sua proposta de revisão constitucional  apresenta um articulado o mais inodoro possível, embora não tanto que não dê para perceber até onde é que quer ir (como se pode concluir com uma visita à série "Nitrogicerina constitucional" que tem vindo a ser publicada aqui). Não admira também, por isso, que os dirigentes  do PSD e, em particular,  PPC falem em "intoxicação" sempre que alguém ou alguma força política, põe a claro o que está por detrás das sucessivas versões do seu projecto de revisão.
Se tudo isto é, a meu ver, claro, há algo, no entanto, que me escapa. Explico-me. Sabe-se pelas reacções dos dirigentes do PS, a começar pelo primeiro-ministro e secretário-geral do partido, que as alterações propostas pelo PSD nas matérias citadas (despedimentos, educação e saúde) não colhem o acordo do PS e, sendo assim, por falta da requerida maioria de dois terços, tais alterações não têm qualquer hipótese de virem a obter vencimento, em sede de revisão constitucional. Ora, sendo assim, se é bem compreensível que o PSD tenha tentado deitar o barro à parede, já o mesmo se não pode dizer da insistência, até porque o PSD se mostra incapaz de apresentar argumentos que mostrem a razoabilidade das suas propostas. Pelo contrário, até foge das explicações como o diabo da cruz.
Alguma razão, no entanto, deve haver para o PSD não desistir da sua cruzada. Será que PPC pretende apresentar a viabilização do próximo orçamento como moeda de troca da aceitação das suas propostas em matéria de revisão constitucional ?
Se o admite, é porque é incapaz de bem avaliar o que está em jogo, num caso e noutro e é bem mais ingénuo do que aquilo que eu pensava.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Ultrapassando a direita pela direita

Bagão Félix, conhecido, além do mais, como apoiante do CDS/PP considera que “Não há razões atendíveis que não sejam legais”, coincidindo assim com a opinião expressa por estas bandas.
Ao mesmo tempo, afirma continuar a preferir a “actual formulação” constitucional, porque “o conceito de justa causa está sedimentado e consolidado”.
Não se diga, pois, que o PSD não está a ultrapassar a direita pela direita ou que são as forças de esquerda (e o PS, em particular) as responsáveis pela "intoxicação".

Mais um desgosto para as carpideiras...


"Verão positivo para o turismo português"
(DN, de hoje (sem link) retomando uma informação publicada no passado dia 3, com base em declarações da AETP)

Intoxicações (continuação)

Primeiro anuncia-se que o PSD abandona,  na sua proposta de revisão constitucional, o conceito de “razão atendível”, como justificativo dos despedimentos, em substituição da "justa causa". Vem agora a saber-se que a "razão atendível" é substituída, na versão remendada, pela "razão legalmente atendível".
Peço desculpa por perguntar: o "legalmente" altera o quê ? A "razão atendível" da versão inicial da proposta, era suposto ser ilegal ?
Mudar algo, diria eu, para tudo ficar na mesma só pode ser levado à conta de mais um excelente exemplo de intoxicação, a demonstrar que Passos Coelho, sendo um perito na matéria, não precisa da ajuda de ninguém para intoxicar a opinião pública. A área escolhida para a especialização é que não é lá grande coisa. Valha-o Zeus !
Nota adicional:
Sobre o mesmo assunto há quem tenha uma outra perspectiva que torna o caso bem mais grave. A ler aqui.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

As intoxicações de PPC **

Garante Passos Coelho que o PSD defende, que em bens sociais tão importantes como a educação, como a saúde, os sistemas sejam universais e gerais (*), adiantando que houve "uma intoxicação que fez efeito, lançada um bocadinho pelo PS".
Começando por esta afirmação, ainda que se admita, com Passos Coelho, que existiu  a tal  "intoxicação", forçoso é concluir que, se o PS, nas suas próprias palavras, só é "um bocadinho" responsável pelo fenómeno, ficou por esclarecer a quem cabe a maior responsabilidade, matéria sobre a qual nem ele, nem ninguém pode ter qualquer hesitação. Sabendo-se que partiu dele e do seu partido a iniciativa da divulgação da proposta de revisão constitucional em matérias como os despedimentos, a educação e a saúde, só pode tirar-se a ilação de que a responsabilidade maior cabe aos que tiveram essa iniciativa (Passos Coelho e PSD). E, se dúvidas houvesse a este respeito,  as polémicas que surgiram entre os próprios membros da comissão de redacção, quer quanto a aspectos substanciais, quer quanto ao modus faciendi, para já não falar das reacções de vários outros militantes, seriam suficientes para as afastar.
Sintomaticamente outras afirmações proferidas por Passos Coelho na mesma circunstância são de molde a  lançar mais confusão e logo a contribuir para mais intoxicação. De facto, se como afirma, o objectivo do PSD "é que aqueles que têm mais dificuldades, que provêm de classes de rendimento mais baixas, que esses possam manifestamente ser mais apoiados", não dá para perceber por que razão Passos Coelho faz tanto finca fé na recusa da fixação de um limite para as deduções, para todos os escalões, em sede de IRS, das despesas de saúde e de educação, que o Governo pretende introduzir, quando se sabe que a limitação, de acordo com o que tem sido anunciado, afectaria apenas as classes com rendimentos mais elevados, que são, sem margem para dúvidas, as mais beneficiadas com o actual regime.
Quem são, afinal, os "pobrezinhos" do PSD ?
*Aditamento:
Mesmo nesta matéria, pelos vistos, Passos Coelho, tem dias. Fruto de mais uma intoxicação ?
(**Título reeditado)

domingo, 12 de setembro de 2010

Índia: claro/escuro

A par destas maravilhas ...

(Taj Mahal - Agra)

(Estorninho-dos-pagodes (Sturnia pagodarum Gmelin)

[Calotropis procera (Aiton) W.T.Aiton]

... a Índia também proprociona, apesar dos elevados índices de crescimento económico, imagens tão deprimentes quanto estas, sendo certo que não se apresentam outras bem mais chocantes, porque a minha câmara fotográfica se recusou, terminantemente, a captá-las.
[Benares (Varanasi) - margem do rio Ganges)]
(Clicando nas imagens, amplia)

sábado, 11 de setembro de 2010

Sem razão atendível

Continuando a leitura do "Expresso" fica-se (?) a saber que o PSD  já não fará constar da sua remendada versão final da proposta de revisão constitucional, a alteração do artigo 53º da Constituição da República, incluída na 1ª versão e que visava permitir a substituição da actual "justa causa", pelo conceito mais maleável da "razão atendível" como justificativo dos despedimentos.
Utilizando a expressão ora abandonada pelo PSD, diria eu que não há "razão atendível" para este recuo. De facto, não subsistindo hoje grandes dúvidas na opinião pública de que a actual direcção do PSD é, em termos programáticos, favorável a uma maior flexibilidade nos despedimentos individuais, a manutenção da proposta inicial era irrelevante no que respeita à  imagem do PSD como partido liberal, até porque é essa a imagem que os seus dirigentes têm cultivado no seu discurso. 
Indo mais longe, diria até que o recuo se mostra contraproducente, pois vem dar razão aos que afirmavam que a alteração tinha como objectivo facilitar os despedimentos. O recuo prova, de facto, que a alteração não era inócua, ao contrário do que pretendiam os dirigentes do PSD.
Diria ainda e finalmente que a mudança de discurso, neste particular, não traz ao PSD qualquer vantagem. É que, em termos de credibilidade, é sempre preferível a clareza à cosmética, por muito que o Prof. Marcelo recomende o contrário.
(Imagem daqui)

Palradores

O "Expresso", na sua edição de hoje, dá-nos conta de que, só no primeiro semestre deste ano, se venderam em Portugal  quase três milhões de telemóveis. Sabendo-se que já éramos um dos países com maior cobertura nesta área, a nível mundial, aquele número vem confirmar que somos um povo de palradores. E incorrigíveis, pois, pelos vistos, nem a crise nos corta o vício de falar pelos cotovelos.
Diga-se, fazendo um parêntesis, que não me parece que assista razão ao "Comendador Marques de Correia" que na sua habitual carta aberta na Revista Pública distribuída juntamente com a mesma edição do "Expresso", considera José Sócrates o protótipo de palrador. (Ele não usa propriamente a expressão, mas é aonde quer chegar). E não me parece porque, não só não é verdade que Sócrates faça discursos sem fim (por não saber o que é um discurso interminável, o "Comendador" deveria ouvir os discursos de Fidel, só durante a última década, para o castigo não ser muito pesado), como ser exímio no uso da palavra não é defeito, mas qualidade. Para além de que, Sócrates não se limita a falar. Também faz.
Regressando à notícia dos telemóveis, ficámos também a saber que para o aumento das vendas de telemóveis muito contribuiu o segmento dos smartphones, o segmento mais caro e que, no segundo trimestre, cresceu nada mais nada menos do que 79%.
Diria, cá na minha, perante estes números, que se é verdade que os smartphones são "espertos", os compradores portugueses estão muito longe de o serem.
(Imagem daqui)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A culpa é dos treinadores de bancada

Não pode o PSD queixar-se da falta de treinadores de bancada. Muito pelo contrário. De facto, ao treinador principal, Ângelo Correia, o delineador da estratégia, junta-se Pacheco Pereira (que ainda ontem na Quadratura do Círculo zurzia na táctica do ziguezague) e o Prof. Marcelo (que já hoje, a propósito da apresentação da remendada proposta de revisão constitucional, agendada, segundo se anuncia, para o próximo dia 14, aconselhou Passos Coelho a rever o discurso).
Com tanto treinador de bancada, como é que o "jovem" Passos Coelho não há-de andar mergulhado na maior das confusões ?

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Às vezes me espanto

Digno de espanto é o facto de Fidel Castro, ex-presidente cubano, só agora, muitas  décadas depois de ter tomado o poder em Cuba, ter reconhecido, em entrevista dada ao jornalista norte-americano Jeffrey Goldberg, correspondente da revista “The Atlantic",  que o modelo económico do seu país "já não funciona nem para nós”, conclusão  a que qualquer visitante que desembarque em Cuba chega em poucos dias.
Ainda assim, é de saudar a lucidez de que Fidel agora deu provas. Pena é que o momento de lucidez não lhe tenha servido para reconhecer que Cuba está também muito longe de servir como modelo em matéria de liberdades e de respeito pelos direitos humanos. É que até não era difícil chegar a tal conclusão. Para além de muitos outros, o caso dos presos políticos recambiados para Espanha aí está para lhe permitir tirar a ilação. Cito-o, porque, tratando-se de um caso recente é mesmo o aconselhável para quem já tem memória fraca, como será o caso dele, segundo suponho, atendendo à idade.

Pior era difícil

O processo Casa Pia é, de facto, como já tem sido sublinhado, um case study. Na verdade, finda que está  a fase do julgamento em 1ª instância, já se pode concluir que  fazer pior teria sido extremamente difícil. Pelo menos até esta altura.
Pelo que se sabe, começou da pior maneira, com uma investigação mal orientada - o cardápio das fotografias mostrado às vítimas é disso um bom exemplo - e  prosseguiu  na mesma senda com um juiz de instrução exibicionista que em muito contribuiu para excessiva mediatização do processo, mediatização que, a meu ver, impediu, duma forma ou doutra, a análise serena dos factos (como cumpre à justiça). O prolongado julgamento, ao contrário do que seria expectável, acabou por não contribuir para a credibilização da justiça, não só devido à sua longa duração, mas sobretudo tendo em conta as cenas finais: a forma como se procedeu à leitura da súmula do acórdão, de forma a deixar os interessados (réus e assistentes) sem conhecerem o bem fundado das decisões, bem como os sucessivos adiamentos na sua divulgação (que, a esta hora, continua por concretizar) não foram, nem são, de molde a criar confiança na justiça. Muito pelo contrário, legitimam todas as dúvidas sobre a conclusão do acordão e sobre a sua assinatura, na data em que foi feita a leitura da súmula.
Veremos, entretanto, se os recursos, cuja interposição está já anunciada, ainda poderão contribuir para remover as dúvidas sobre os aspectos substanciais da decisão que, do meu ponto vista, não são poucas e que são, como é óbvio, as que mais interessa esclarecer.