sábado, 8 de novembro de 2014

Américo [Aníbal] de Deus [António] Rodrigues [Cavaco] Thomaz [Silva]

Ao ver a imagem supra vinda hoje a lume na capa do "Expresso" associei, de imediato, o nome de Cavaco Silva ao de Américo Thomaz. Porquê? Porque, de facto, a afirmação que figura na imagem significa, sem margem para grandes dúvidas, que Cavaco Silva não passa, tal como Américo Thomaz, de um pau-mandado. Américo Thomaz às ordens de Salazar. Cavaco às ordens de Passos Coelho.
Em boa verdade, há que dizê-lo, Cavaco faz até pior figura, neste particular, do que Américo Tomás. Este não tinha forma de fazer frente a Salazar, o verdadeiro e único detentor do poder durante a ditadura do Estado Novo. Já a subserviência de Cavaco perante Passos Coelho não tem, aparentemente, explicação, pelo menos, em termos constitucionais: o Presidente da República não depende, a título nenhum, do primeiro-ministro, sendo que a inversa já não verdadeira, pois além de poder dissolver a Assembleia da República, o Presidente tem o poder, observadas certas condições, de demitir e exonerar o primeiro-ministro, o que torna ainda mais surpreendente o comportamento de Cavaco.
Mas será que a citada afirmação tem o significado que aqui lhe é atribuído e faz prova da invocada subserviência de Cavaco?
Julgo que sim, mas vejamos: a sociedade portuguesa, incluindo associações patronais e sindicais, partidos da oposição e múltiplas personalidades conotadas até com a direita, tem-se amplamente manifestado no sentido da realização antecipada das eleições legislativas por razões que se prendem com a necessidade de o país dispor de um orçamento aprovado pelas forças políticas vencedoras do pleito eleitoral em condições de entrar em vigor logo no início de 2016, objectivo que coincide, sem dúvida, com o interesse nacional.
Pode afirmar-se, sem receio de errar, que se, actualmente, algum consenso existe na sociedade portuguesa é o que aponta para a necessidade da realização das eleições legislativas, quanto antes, até porque este governo, que nunca foi um governo com legitimidade, a não ser formal, nem competente, é hoje, um governo em decomposição. Tal consenso só não é partilhado pelos partidos no poder e, designadamente, por Passos Coelho que já por várias vezes se manifestou contra essa eventualidade, garantindo outrossim que as eleições só teriam lugar na data prevista, expressão que corresponde quase ipsis verbis à que agora é proferida por Cavaco.
Esta sintonia entre o agora afirmado por Cavaco e a garantia antecipadamente dada por Coelho não é, seguramente, fruto do acaso, até porque há antecedentes que apontam em sentido contrário. De facto, ainda recentemente Cavaco pediu a fiscalização preventiva da constitucionalidade de vários diplomas só porque tal interessava ao governo. A extrema urgência posta no pedido (os diplomas mal tinham saído de São Bento já Cavaco estava a assinar o requerimento) mostra, a par da sintonia aqui apontada, que, nesta altura, Cavaco não passa de um factotum de Coelho, limitando-se aquele a satisfazer as exigências deste, situação que, em termos constitucionais é absurda e inexplicável, à luz do que é conhecido.
Algo de estranho se passa para que Cavaco confunda os interesses de Passos Coelho com o "superior interesse nacional", confusão que já não é de agora, pois vem desde que este governo entrou em funções, se é que não teve início antes. Seja como for, um dado me parece certo: Cavaco vai ter um triste final de mandato e, se calhar, Cavaco até faz questão que assim seja, para não destoar do restante período em que deteve o exercício da função presidencial, período que, no final do actual mandato, perfará dez anos. Cá está um caso em que, com toda a propriedade, se pode falar de uma "década perdida", embora eu prefira falar, a este propósito, de uma "década desgraçada".Sim, desgraçada, porque a eleição e a reeleição de Cavaco foram duas autênticas desgraças.
Que mal teremos feito a Zeus para nos ter mandado uma tal praga!?

2 comentários:

Graça Sampaio disse...

Um delegado do "governo" em Belém! Um m*rdas!!!

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

A minha única dúvida é saber as razões porque Cavaco estará às ordens de PPC. Assim de repente, ocorre-me apenas uma hipótese com 3 letrinhas: BPN