segunda-feira, 11 de março de 2013

O peso da culpa

A maior parte dos comentadores, senão a totalidade, considera excessivamente auto-justificativo, o prefácio de Cavaco Silva ao "Roteiros VII". Coincidindo na apreciação, há, no entanto, que encontrar a explicação que os comentadores, em geral, não procuram ou, pelo menos, não explicitam. De facto, se Cavaco sentiu necessidade de se auto-justificar é porque algo lhe pesa na consciência e, na verdade, motivos não lhe faltam.
Enquanto tomou papel activo e tem inegáveis responsabilidades no derrube do anterior Governo, com as consequências que estão à vista (desemprego galopante, decréscimo da economia a bater recordes, depois do actual governo, por ele patrocinado, ter assumido funções), Cavaco passou de actor interventivo a simples espectador, mas preocupado em descomprometer-se da desgraçada solução política pela qual é efectivamente responsável.
A tentativa de auto-justificação  redime-o? A crer na opinião pública, tudo indica que não. Pela minha parte direi que a auto-justificação foi mesmo contraproducente, pois constitui uma confissão de culpa, cujo peso Cavaco terá que continuar a suportar pelo menos até ao fim do mandato. A menos que tome a decisão de demitir o governo, enquanto é tempo e a situação social e económica do país não se deteriora a pontos de se tornar irremediável.

1 comentário:

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Clamotamigo

Conheço o Correia de Campos desde o tempo do Liceu Camões, onde começámos a ser amigos, prática que se vai mantendo ao longo dos anos. Estou, uma vez mais, de acordo com ele.


Vogando pela blogosfera, sem rumo definido, encontrei-te no blogue do Barbosa. Vim até cá – e gostei. Foi uma boa dica. Se não tivesse gostado, também to dizia. Sou pão, pão, queijo, queijo; ou como na tropa aprendi: serviço é serviço; conhaque é… conhaque.

Vou a caminho dos 72 aninhos. Sou virgem (20/09/41, para efeitos de prenda…) mas tenho, temos, a Raquel e eu, três filhos, três noras/filhas, quatro netos e uma neta. E vamos fazer 50 anos de casado – ai o que eu tenho sofrido para aguentar tamanha cruz… Bodas de ouro? Nada, não. Na verdade, bodas de felicidade.

Gosto de ser brincalhão e brejeiro com quem mo merece – e mo permite e me responde no mesmo tom. A minha Travessa do Ferreira (http://aminhatravessadoferreira.blogspot.com ) pode ser o exemplo do que adoro gozar: enfim, sou um velhote que persiste em ser jovem… da cabeça… de cima.

Como aqui vim e como Amor com Amor se paga, espero por ti, pelos teus comentários e pela tua (per)seguição. O mesmo já aqui fiz, ou seja: já faço parte dos teus seguidores. Podes entrar na minha Travessa que então será também tua. Isto é, nossa. Não pagas portagens, não te cobro impostos, incluindo o IVA a 23%.
Peço-te desculpa deste escrito que é maior do que a légua da Póvoa; mas tentei meter o Rossio na rua da Betesga e aqui está o desastroso resultado. Enfim, eu sou realmente assim, maluco e orgulho-me de o ser.


Abç = abração
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NB – Este texto é estereotipado. Não tinha, nem tenho, nem teria tempo de o escrever um por um. Mas não entendas isto como falta de consideração ou despautério. Mas posso assegurar-te que quando se é reformado é quando se trabalha mais. E ainda: um jornalista nunca se reforma – no papel, sim, na mentalidade, nunca.