sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

"Nunca tão poucos fizeram tanto mal a tantos, em tão pouco tempo"

"O enorme aumento de impostos que, com as primeiras simulações de salários liquídos para este ano, começou a ser real na vida dos portugueses, nasce de um logro, que foi tendo diferentes versões ao sabor dos impulsos comunicacionais do Governo.

Primeira versão ... Este aumento de impostos foi a alternativa às alterações na TSU. É mentira. O efeito da alteração na TSU corresponderia, na melhor das hipóteses, a cerca de 25% da receita do Estado agora prevista com o colossal aumento de impostos.

Três quartos do aumento de impostos que estamos a sofrer teriam sempre de acontecer, para tapar o buraco criado em 2012.  Segunda versão ... Este aumento de impostos decorreu da decisão do Tribunal Constitucional. É mentira.

O que se passou foi que a execução orçamental derrapou de tal forma que só o alargamento da medida de retirada, por via directa ou por aumento de impostos, dos subsídios a todos os trabalhadores permite aumentar a receita nos valores necessários.

Terceira versão ... Este sacrificio vai permitir, finalmente, equilibrar as contas. É mentira. E já a ouvimos em 2012. O resultado está à vista. E vai-se repetir. Porque hoje já sabemos que os pressupostos do OE para 2013 estão errados. Confirmado pelo Banco de Portugal: A queda do PIB não vai ser só de 1%, o desemprego não vai ser só de 16,4% e a procura externa não se vai manter forte. Pior, com a quebra de PIB e de investimento, estamos a criar condições para não voltarmos a ter crescimento nem tão cedo.

Preto no branco: se o Governo tivesse levado a sua avante os trabalhadores teriam perdido 7% do seu vencimento para o aumento da TSU e mais qualquer coisa como outros 7% para o aumento de impostos (valores médios). Ao todo, 14%. Assim vão perder (em média) 9 ou 10%, entre redução de escalões, taxa extraordinária e redução das deduções.

É menos mau, mas ainda assim é terrível. Por onde vai o Governo? Dúvido que alguém consiga, com seriedade, explicar qual será o racional por detrás das opções. A não ser que o racional seja mesmo o de levar o país a um retrocesso de 20 anos, condenando da mesma penada os próximos 30.

Se não é, parece. Certeza, só esta: desde 1974 nunca tão poucos fizeram tanto tanto mal a tantos, em tão pouco tempo."
(Marco Capitão Ferreira; Preto no branco; aqui)

1 comentário:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Retrocesso de 20 anos? Estás a ser muito optimista, Francisco.