terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Regressos e outros "sucessos"

Portugal "regressou aos mercados", um "sucesso", no dizer de banqueiros, governantes, jornalistas, comentadores, farsantes e outros meliantes. Cumpre, no entanto, salientar que há, entre jornalistas e comentadores, honrosas  excepções, pois nem todos se vendem por lentilhas feijões.
No que respeita a "sucessos" há, porém, outros "regressos"  que convém lembrar.
Pois não é verdade que centenas de milhares de portugueses estão de regresso aos caminhos da emigração, porque na terra onde nasceram falta o pão?
E não haverá quem esteja a regressar à "sopa dos pobres", não faltando até quem, pela primeira vez, nela se veja forçado a ingressar?
E que dizer das pessoas idosas albergadas em lares e noutras instituições de acolhimento forçadas a regressar as suas casas ou a casas de familiares, porque as suas magras pensões são indispensáveis ao equilíbrio da débil economia  dos respectivos agregados familiares?
E também não é verdade que milhares de emigrantes que pensavam ter encontrado em Portugal a terra prometida, estão de regresso às  origens, porque em Portugal se acabou o "leite e o mel?

Mas se há "regressos" também há "não-regressos" a ter em conta como bons indicadores de "sucesso".
Há, por exemplo, centenas de milhares de desempregados que não conseguem regressar ao trabalho;
Há (outro exemplo) milhares de portugueses que são despejados na rua, impedidos de regressar a casa, porque esta deixou de ser sua. 
Entre regressos e não-regressos não faltam motivos para que este governo possa reivindicar "sucessos" e mais "sucessos".

1 comentário:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Todas as semanas, no meu voluntariado, encontro um novo sem abrigo, Francisco. Dói ouvi-los falar de sucesso, porque nunca saem à rua para verem o que estão a fazer desta gente.
Estes tipos seriam um caso de sucesso no mundo do crime!