segunda-feira, 31 de maio de 2010

Para que serve a NATO ?

Não me reconheço nenhuma autoridade em matéria de política internacional, mas mesmo assim, perante mais este atentado cometido pelo Estado de Israel, desta vez contra um navio dum país membro da NATO (a Turquia) não posso deixar de me interrogar, perante o silêncio e a inacção da NATO, para que serve esta organização militar internacional.
Dir-me-ão que a NATO está no Afeganistão e noutros pontos do globo a lutar contra o terrorismo e em prol da paz mundial. Não me parece, no entanto, que o principal foco de tensão mundial esteja no Afeganistão, mas sim no Médio Oriente. Aqui sim pode estar em perigo a paz mundial enquanto não for resolvida a questão palestiniana, questão que, duma maneira ou doutra está relacionada com o terrorismo islâmico. Na verdade, mesmo que se aceite que o terrorismo procedente de sectores islamitas tem raízes mais fundas, a verdade é que o modo como Israel tem tratado, com a complacência do mundo ocidental, os palestinianos e a questão palestiniana em nada contribui para o apaziguamento, antes tem servido para incendiar os ânimos no mundo muçulmano.
O risco de um confronto sério a nível mundial está no Médio Oriente e as chancelarias ocidentais devem-no saber melhor do que eu, até porque também sabem que Israel possui armas nucleares, sendo também verdade que o senhor Benjamin Netanyahu não é propriamente um modelo de prudência, nem de moderação, a exemplo, aliás, de alguns antecessores.
Perante um ataque, ilegal do ponto de vista internacional e criminoso (porque morreram pessoas, às mãos de soldados de Israel) dirigido, em águas internacionais, contra um navio dum país membro, era expectável alguma atitude por parte da NATO e dos países que integram a organização que não fosse a hipócrita lamentação do "incidente". No mínimo, é exigível à NATO e aos países membros que assegurem a livre circulação no Mediterrâneo e que ponham termo ao vergonhoso bloqueio a Gaza que, pelos vistos, até impede o envio de ajuda humanitária.
A inacção duma e doutros só prova que a NATO não passa de um "pau mandado" dos Estados Unidos e que mais não faz do que intervir quando e onde tal for do interesse do "dono". Mas sendo assim, a manutenção da organização não faz nenhum sentido, até porque a Rússia já não é nenhum "papão". A menos que, para os países membros, continue a fazer sentido desempenhar o papel de criados.

Indignação

A coberto da complacência, quando não do apoio dos Estados Unidos, Israel tornou-se um Estado arrogante e desrespeitador do direito internacional que mata onde, quando, e como quer, seguro que está, por via daquele apoio, da sua impunidade. Uma vez mais voltou a fazê-lo ao atacar um comboio de navios de transporte de ajuda humanitária com destino a Gaza.
E as autoridades israelitas ainda têm o descaramento de alegar que foram os israelitas os primeiros a ser atacados. Será que não foram eles os assaltantes e que as mortes não ocorreram no navio assaltado?
Toda a indignação é pouca perante mais este acto terrorista praticado pelo Estado de Israel.

O discurso da tanga segue dentro de momentos (2)

O PIB português cresceu 1% até Março, face ao trimestre anterior, e 1,7% em termos homólogos, segundo a OCDE, que salienta também que "com uma evolução superior à da economia portuguesa só mesmo a Coreia (1,8%), a Suécia (1,4%) e o Japão (1,2%)."

domingo, 30 de maio de 2010

Mais papistas do que o Papa

Só alguém mais papista do que o Papa se teria lembrado de pôr a correr a versão de que o encontro entre José Sócrates e o Chico Buarque teria sido da iniciativa deste, porque, como é evidente, a relevância do encontro não dependia minimamente desse pormenor.
Sabe-se agora que tal versão não correspondia à verdade, pois o Chico Buarque já a desmentiu e o próprio gabinete do primeiro-ministro já reconheceu ter havido um erro na informação.
Assim, graças à estupidez do(s) responsável (eis) pela versão, a importância do encontro sumiu-se. Sobrou apenas e só o ridículo da situação.
José Sócrates bem pode aproveitar este episódio para dele colher a lição de que o excesso de zelo não é bom conselheiro. Já o devia saber, mas o caso sempre lhe pode servir para o confirmar e para dele tirar ilações.

A festa foi "verde", pá !

Depois de ter vencido, por 27-25, a equipa polaca do MMTS Kwidzyn, no primeiro jogo da final da Taça Challenge 2009-2010, o Sporting voltou a derrotar a formação polaca por 27-26, em jogo disputado no Pavilhão Municipal Cidade de Almada e conquistou o primeiro troféu europeu da história do andebol português.
Foi bonita a festa pá !
Video:

Crise? Qual crise?

Muitos autocarros há neste país. E, pelos vistos, também muito dinheiro para os fretar. Ao STAL, pelo menos, a crise ainda não chegou. É caso para dizer: "boa vai ela". A vida!

sábado, 29 de maio de 2010

Fel-da-terra

Fel-da-terra [Centaurium erythraea Rafn ssp.grandiflorum (Biv.) Melderis]
Do Fel-da-terra lembrei-me ontem, aniversário do golpe de 28 de Maio de 1926. Para quem não se lembra, este "post" serve para o recordar.
Todavia,  a flor, pese embora o nome, merecido pelo sabor amargo que a planta tem, é linda e desse ponto de vista nada condizente com aquela data. Por isso, o "post" sai hoje. E a flor também.
(Clicando na imagem, amplia)

E o Vouga sem culpa nenhuma

Pela voz do juiz presidente do Tribunal da Comarca do Baixo Vouga ficou-se a saber que, por "lapso" as transcrições de algumas das escutas das conversas entre Armando Vara e o primeiro-ministro foram parar a outro processo. Provavelmente também por "lapso" (ou obra do acaso ?) as escutas acabaram por ir parar aos jornais. Sim, porque um, pelo menos, já iniciou novo folhetim.
Premonitória, digo eu, é a designação do tribunal: Baixo Vouga. De facto, baixo mais baixo, não há. O Vouga, porém, não tem culpa nenhuma. Mas há quem a tenha.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Crime, digo eu. E gestão desastrosa

(1)

(2)

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Os serviços da Câmara Municipal de Almada que têm a seu cargo a gestão do Parque da Paz lembraram-se de "limpar" toda a encosta do lado poente (como as fotos supra documentam) precisamente agora, em plena época de nidificação das muitas aves (selvagens, a maioria) que vivem no parque, arrasando todos os matos e arbustos, onde aquelas aves encontravam refúgio e onde nidificavam, destruindo, pela certa, muitas dezenas de ninhos de melro, de toutinegra, de chamariz, de pintassilgo,  de pato-real e de fuinha-dos-juncos que por lá abundam. Em particular, as zonas cobertas pelas fotografias 2 e 3, agora transformadas em quase desertos, constituíam importantes refúgios para todas as aves, dado que a vegetação nelas existente impossibilitava a sua devassa pelo público.
Por isso pergunto: Será que a limpeza não poderia ter sido feita, sem prejuízo para a avifauna, em qualquer outra altura do ano ?
E não será este procedimento um grave crime ambiental cometido, ainda por cima, no Ano Internacional da Biodiversidade ?

*
A desastrosa gestão do Parque da Paz não se fica, no entanto, por aqui.
Na mesma encosta, a Câmara plantou há um ano (ou dois) centenas de carvalhos e doutras árvores, todas de pequeníssimo porte, das quais, por incúria, desleixo, ou pelo quer que seja, já poucas restavam nesta altura. Pois mesmo essas poucas foram agora também levadas na "limpeza". De facto, andando agora por lá já não se vê nenhuma*, com excepção de alguns pinheiros mansos e  tamargueiras que restavam de plantações anteriores.
Diga-se, a propósito de plantações anteriores, que a incúria, desleixo ou o quer que seja, já não é de agora, pois tem-se assistido, ao longo dos anos, à plantação, no Inverno e na Primavera de árvores que se contam por milhares e que não chegam ao fim do Verão por falta de cuidados. No ano seguinte, toca a plantar de novo e nos mesmos locais. E o Zé que pague!
Gostava de saber os milhões que esta desastrosa gestão do Parque da Paz tem custado aos contribuintes. Milhões, sem dúvida, pelas minhas contas. Feitas por altoAlguém me sabe dizer?

*


* Nenhuma é exagero meu. De facto, ainda lá permanece uma boa dúzia. No estado que as duas fotos supra atestam: destroçadas!
(Se clicar nas imagens, amplia)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Citações

"Creio que, num momento em que é preciso definir prioridades e unir esforços, a generalidade dos cidadãos não compreende o tempo e os recursos gastos pela Assembleia da República (AR) com o chamado caso TVI-PT- & arredores. Primeiro, na Comissão de Ética alegadamente se intentou apurar o estado da liberdade de informação em Portugal. Óptimo tema. Só que isso foi feito a partir de "episódios" e pressupostos que não eram, no mínimo, os mais adequados; e num clima, com previsíveis intenções e métodos antes de tudo político-partidários. Por isso, sem fazer disso nenhum alarde nem o tornar público, não aceitei o convite para ser ouvido em tal comissão.

Depois, veio a Comissão de Inquérito para apurar se o primeiro-ministro falara ou não verdade à AR quando disse não conhecer o dito caso. Comissão tão legítima quanto insólita: a AR vai ter muitíssimo trabalho acrescido se constituir tais comissões sempre que houver suspeitas de um político mentir, mesmo sendo o político chefe de Governo e a mentira proferida em S. Bento... Mas adiante.

Então, às dezenas de horas de audições anteriores, outras dezenas se seguiram, de pessoas já ouvidas a dizer a mesma coisa. Ideia generalizada: manter-se-iam as convicções, mas nada de provas. Entretanto, PSD e PCP propõem que sejam pedidas e ouvidas as escutas telefónicas do Face Oculta, um processo-crime que nada tem a ver com a matéria em debate na comissão e no qual Sócrates não é nem suspeito mas foi "interceptado" ao falar com dois dos arguidos.

Ora, sendo eu favorável à existência de escutas - há quem de todo as queira eliminar -, por indispensáveis para combater a grande criminalidade, penso que a nossa lei já vai bem longe na sua admissibilidade; e sei que, claro, apenas podem ser efectuadas nos exactos termos e para os efeitos nela previstos - de resto nenhuma lei penal ou restrição de direitos admite interpretação extensiva.

Assim, seria de uma extrema gravidade, a todos os níveis, utilizar tais escutas num inquérito parlamentar, num inquérito que nem é criminal antes só político. Por isso não deviam ter sido pedidas, e menos ainda enviadas pelo magistrado do Vouga, e com as considerações com que as terá acompanhado. Tê-lo feito, deixa-me preocupado e perplexo. Mas o facto é que enviou e o deputado do PSD, omnipresente multi-comentador, Pacheco Pereira, ainda a elas teve acesso, proclamando o seu carácter "avassalador". Mota Amaral, que à comissão preside com a seriedade e sentido de equilíbrio que se lhe conhece (e também Marques Guedes, como ele do PSD, presidiu bem e com sensatez à anterior comissão), teve a responsabilidade de impedir depois a utilização directa, com a consequente publicitação, das escutas.

Tal constituiria, além do mais, uma gravíssima violação da Constituição, da Lei (em particular do art.° 187, 7, do C. P. Penal, na redacção da Lei 48/2007, de 29/8) e do Estado de Direito. Que o PCP e o PSD o hajam defendido e que alguns deputados não tenham recuado perante nada para atingir os seus fins, é paradigmático de certas mentalidades e justificaria uma mais longa análise de certos comportamentos."
(José Carlos de Vasconcelos, in VISÃO)
(Negritos meus)

Tivessem perguntado ao Belmiro

Se antes tivessem feito a pergunta a Belmiro de Azevedo, o tempo e dinheiro que o Parlamento tinha poupado com a Comissão de Inquérito ao negócio PT/TVI ! Até o deputado Pacheco escusava de ter feito (e de continuar a fazer) figuras tristes.

Afinal, o "mercado" tem sempre razão ?

Com todos ou quase todos os países da União Europeia (Irlanda, Grécia, Espanha, Itália, Alemanha, Reino Unido ...) a cortar forte e feio na despesa pública, obedecendo às ordens dos mercados financeiros, das duas, uma: ou o "mercado" tem sempre razão, ou então, o que é pior, estão a dar-lhe razão.
A resposta, se resposta houver, chega mais tarde.

É disso que a casa gasta, pá!

Em crónica ontem publicada no "Público" sob o título "Abram os olhinhos, pá !" (já acessível aqui) Rui Tavares (historiador e deputado independente ao Parlamento Europeu pelo BE) dá-nos conta do desinteresse com que os jornalistas portugueses (não) acompanham os trabalhos do Parlamento Europeu, não dando qualquer relevo a assuntos que ganham destaque noutros países como a Alemanha, França, Reino Unido e Estados Unidos e estranha que a não notícia de que o Parlamento Europeu iria gastar 4,3 milhões de euros na compra de um iPad para cada deputado europeu tenha ganho um inesperado relevo na imprensa portuguesa.
Estranha o Rui Tavares, mas sem razão, porque são as não notícias, as notícias falsas, a maledicência, a coscuvilhice e o "populismo antipolítico" as matérias que mais servem de alimento aos media portugueses.
É disso que a casa gasta, pá!
E não se admire o Rui Tavares se o seu conselho "Já agora, mantenham-se acordados para as coisas sérias também" vier a cair em saco roto. É o mais provável, para não dizer que é mais que certo. 

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A ler as estrelas

Conclusão: não há em toda a Europa, nem mesmo em todo o orbe terráqueo, um homem tão avisado como Cavaco Silva. Pelos vistos, o único com capacidade para ler as estrelas. Sorte, ou azar o nosso?

"Diga-me lá outra coisa !"

O deputado do PCP, João Oliveira, ainda queria novas audições na Comissão de Inquérito ao negócio PT/TVI, desta vez à porta fechada, mas, perante a oposição  por parte do Bloco de Esquerda, PS e CDS/PP, lá teve que desistir da segunda ronda de questões ao primeiro-ministro  e de solicitar mais audições.
E assim fica o deputado Oliveira impedido de exercitar novamente o seu "Diga-me lá outra coisa!"
Que lástima! As lições de civilidade que a gente perde !

O discurso da tanga segue dentro de momentos

1. A OCDE lançou hoje uma previsão de crescimento de um por cento da economia portuguesa este ano, acima dos 0,7 por cento previstos pelo Governo no PEC, bem como da previsão do Banco de Portugal e do FMI.
2. De acordo com  um estudo elaborado pela consultora Mercer, num universo de 221 cidades, a nível mundial, Lisboa ocupa o posto da 45.ª cidade com maior qualidade de vida , à frente de cidades como Roma, Madrid, Nova Iorque, Praga.
3. A Bolsa de Lisboa  fechou hoje a ganhar 3,19 por cento.
(Actualizada)

domingo, 23 de maio de 2010

"Os malandros"

O diagnóstico sobre as actuais dificuldades de financiamento está feito, não havendo grandes dúvidas sobre o facto de que tais dificuldades resultam do elevado endividamento da economia portuguesa, face ao exterior.
 Constata-se, porém, face aos dados disponíveis, que, ao contrário do que tantas vezes se diz, não é o Estado o principal  responsável pela situação. De facto, como aqui se salienta, as dificuldades não resultam tanto "do défice público, que está abaixo do do Reino Unido, por exemplo, ou da dívida do Estado, que fica muito longe da da Bélgica". E também não é verdade que, como tantos se esforçam por fazer crer, que o "culpado" seja Sócrates, pois o problema já vem de há muito. Vem, pelo menos, desde os tempos de Cavaco Silva, o "pai do monstro" por via do "Novo Sistema Retributivo da Função Pública, que na década seguinte implicou um crescimento na ordem dos dez por cento ao ano dos custos do pessoal do Estado". Aliás, José Sócrates, que pode invocar a seu favor a redução do défice público para 2,6%, nos primeiros anos da sua governação e  a realização de várias reformas para domar "o monstro", no âmbito da segurança social e no domínio da Administração Pública, só não pode reclamar-se de completamente inocente por, em ano eleitoral, ter cedido ao eleitoralismo, ao aprovar o aumento dos salários dos funcionários públicos em 2,9%, aumento que somado ao reforço dos apoios sociais (estes inteiramente justificados pela crise) fizeram disparar o défice para os 9,3%.
Usando uma terminologia intencionalmente desculpabilizante, diz-se com frequência que as dificuldades derivam da fraca produtividade geral da nossa economia. É verdade que sim. Só que não é a verdade toda, porque o problema não existiria se o que consumimos não excedesse o que produzimos. Ora,  sabe-se que o valor do consumo excede em mais de 10%  o valor do produto. Em termos nus e crus, isto quer dizer que vivemos há muito, "muito acima das nossas possibilidades".
Pondo de parte os que vivem em situação de pobreza, é evidente  que a responsabilidade é colectiva. É dos produtores e é dos consumidores. Somos todos, afinal, responsáveis, embora em graus diferentes, como é óbvio.
E, todavia, quem é  assume a sua quota de responsabilidade? Não é, por certo, o empresário que, por muitas dificuldades que se vivam na empresa, não dispensa os gastos para fins de ostentação pessoal, nem o consumista sobreendividado que não dispensa as férias nas Caraíbas, mesmo que tenha que recorrer ao crédito que lhe vai custar os olhos da cara. Um e outro mais depressa lançam as culpas para cima dos "malandros do Governo".
E, como estes, muitos outros, pois ninguém sente constrangimento em tirar a água para fora do capote, mesmo que, entretanto,  já se tenha mudado de indumentária, como é o caso dos vários ex-ministros das Finanças em recente romagem a Belém e até de Cavaco Silva que, por muitos apelos que agora faça, nunca vi assumir as responsabilidades que lhe cabem enquanto primeiro-ministro.
O estimado leitor já viu ?

Marchas lentas

Por muito lentas que sejam estas marchas, bem mais lentas são as mentes que as promovem. Está bem de ver que, para esta gente, continua de pé a máxima: os "outros" (ricos ou pobres) que paguem a crise. Sim, porque os "outros" é que são sempre os culpados.
Marchas lentas, ou lenta compreensão ? 

Inter: Campeão da Europa (Inter 2 - 0 Bayern) (Golos - videos)

Com dois golos de Milito, ambos soberbos, o Inter de Milão, comandado por Mourinho (que continua a fazer milagres) depois de vencer a Taça de Itália e o respectivo campeonato, arrecadou também a Taça da Liga dos Campeões na final disputada em Madrid, frente ao Bayern de Munique. O jogo até não foi um grande espectáculo.
Espectaculares, foram sim os dois golos de Milito. Especialmente o último. Aqui ficam, para os apreciadores.


sábado, 22 de maio de 2010

Umas no cravo, outras na ferradura

Cavaco Silva, tanto defende, num dia, a estabilidade governativa, como aproveita outra ocasião para dar alfinetadas no Governo. E até se compreende que assim seja. Dando uma no cravo e outra ferradura, tem a esperança de, por essa forma, não alienar definitivamente os eleitores nem à direita, nem à esquerda, eleitores que lhe fazem falta para o sucesso da sua eventual recandidatura, cada vez mais provável.
Não atribuo grande importância aos seus apelos no sentido da estabilidade, como também não considero muito relevantes as bicadas na acção governativa. Estou, aliás, em crer que a estabilidade governativa depende, essencialmente, neste momento, de dois factores: por um lado, a persistência e, diria mesmo, a coragem de José Sócrates em  arrostar com as dificuldades do tempo presente e, por outro, o temor de toda a oposição e, em particular, do PSD e do seu líder, em lidar com a actual situação.
Se os mercados financeiros acalmarem e se os dados económicos apurados no primeiro trimestre deste ano vierem a ter continuação, podemos ter a certeza que uma moção de censura não tardará a surgir. Pela mão do PSD. Mesmo que essa moção venha a  prejudicar Cavaco Silva. É que Passos Coelho, ao contrário de M. Ferreira Leite, não é um amigo do peito e antes de Cavaco, estão os interesses dele e os do seu partido.
Em todo o caso, não garanto o sucesso.

De antologia (1)

"Escutar com as orelhas d'outro?!
Então estamos assim: as escutas existem, Pacheco Pereira (PP) ouviu-as. Tal como já outros disseram: "Deus existe, eu vi-o!" Mas estes dizem-no para afirmar a sua fé, não na presunção disso ser uma prova da existência de Deus. Eles viram-no e acreditam por isso. Não presumem que por eles o terem visto, a Deus, eu seja obrigado a acreditar na existência dele. Já PP vai mais longe, quer-me envolver na epifania dele. Ele viu o morto, a bala, a pólvora e a pistola e, por causa disso, eu também sou obrigado a gritar para prender o mordomo. Pois eu digo que não. Não vejo, não acredito. Repito-me, de crónicas passadas: se Sócrates gamou, prendam-no. Quem de direito, que o prenda. Mas em sendo incapazes, esses magistrados que já deviam ter prendido Sócrates se ele foi criminoso não contem comigo para cúmplice da impotência deles. Não, não debico o milho que me atiram, milho a milho sem eu ver o filme todo. Nem o milho dos magistrados, nem agora PP que diz "eu ouvi", mas não pode dizer exactamente o quê porque não o deixam. E quem não deixa? Mota Amaral: "A Constituição não permite o uso de escutas a não ser em processo penal." Ah, sim? E a Constituição só foi inventada depois de PP ter ido espreitar? Eu vou dizer exactamente o que vejo: magistrados e políticos como baratas tontas. E, o que me chateia mais, a tomarem-me por tonto."
(Ferreira Fernandes, in DN)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

"Passos Atrás"

Pedro Passos Coelho, que acaba de se corresponsabilizar com as medidas de austeridade propostas pelo Governo, considerou hoje, em Arruda dos Vinhos, que as medidas de austeridade propostas pelo Governo não são suficientes para dar um rumo seguro a Portugal.
Perante tais considerações fico na dúvida sobre o verdadeiro nome do líder do PSD: "Passos Coelho", ou "Passos Atrás" ?

A nave dos "loucos"

Já se sabia que o destino da moção de censura apresentada pelo PCP e hoje debatida no Parlamento, era a sua rejeição, pois contava à partida com a oposição do PS e com a abstenção do PSD e do CDS.
Em boa verdade, também não era intenção do PCP vê-la aprovada, nem derrubar o Governo, por essa via. Tal resulta claro se se atender ao facto (bem original) de o texto da moção conter críticas dirigidas ao PSD, partido de cujos votos dependia a aprovação. Este é, pois, ponto assente.
O que o PCP pretendia, com a sua iniciativa, seria, no curto prazo, mobilizar as suas gentes para a próxima manifestação da CGTP e, a longo prazo, capitalizar o descontentamento. O discurso do líder parlamentar do PCP  "a luta continua lá fora, nas empresas e locais de trabalho, nas praças e avenidas" não deixa margem para dúvidas.
Dúvidas tenho eu, e grandes, sobre se esta iniciativa teve ou terá alguma utilidade, mesmo do ponto de vista do partido autor da moção. Na verdade, uma sondagem hoje vinda a público revela ( ver quadro ao lado) que, mesmo em época de crise e com novas medidas de austeridade em marcha, as intenções de voto no PCP decrescem.
Não é caso para admirar. Para além da retórica que não lhe falta, pergunta-se: que credibilidade tem hoje um partido que se revia num "Sol da Terra" que já se extinguiu (URSS); que é incapaz de avançar com qualquer programa com um mínimo de viabilidade, face às forças políticas e económicas em presença no mundo de hoje e aos movimentos sociais;  e que não tem outro modelo para oferecer que não seja o de uma Cuba onde está proscrita a palavra liberdade, o de uma China dominada por um capitalismo de estado com níveis de exploração que envergonhariam o mais retrógrado capitalista, ou o de uma Coreia do Norte governada por um louco que deixa morrer a sua população à fome?
Quem é que, no seu perfeito juízo, se dispõe a embarcar numa tal nave de "loucos"?

Em vez da suspensão, prioridade máxima

Sendo assim, lá vai ter o PSD que voltar a meter a viola no saco. Ou antes, as suas conclusões.

As cadelas apressadas

Tomando os seus desejos por realidades, o PSD, perante notícias que davam conta que o Governo espanhol iria rever todos os projectos de TGV, logo concluiu que a Espanha iria suspender o TGV desde Madrid até à fronteira portuguesa. Daí a exigir que o Governo português desistisse definitivamente do projecto de alta velocidade, foi apenas mais um passo. Com o argumento de que seria "uma loucura se o Governo pretender prosseguir este projecto depois de conhecida a posição espanhola de suspender o TGV do lado de lá da fronteira". E era, se fosse verdade.  Só que  do lado de Espanha não tardou a confirmação de que “não haverá qualquer alteração à execução da linha de alta velocidade entre Madrid e a fronteira com Portugal e que todos os compromissos que foram assumidos se mantêm”.
Estamos pois perante conclusões apressadas que um pouco de bom senso teria podido evitar. De facto, seria suficiente ter em atenção que a ligação por TGV entre Madrid e Lisboa foi objecto de um compromisso entre os dois países, para não lembrar a ninguém, nem ao PSD,  que a eventual suspensão do projecto não tivesse também de passar, forçosamente, por novas negociações. De que não havia notícias, nem indícios.
Se o povo diz que "as cadelas apressadas parem cachorros cegos", digo eu, à minha conta, que conclusões apressadas também não podem gerar coisa boa. Como se vê, pelo exemplo.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Uma pesada herança

Não tendo obtido, durante as sucessivas inquirições de gente séria, como Henrique Granadeiro, Zeinal  Bava e Manuel Polanco, qualquer prova em abono das teses que levaram o PSD e o BE a promover a Comissão de Inquérito ao negócio PT/TVI, Pacheco Pereira (& Cª) não tem pejo em utilizar material que um juiz (de Torto, que não de Direito) indevidamente lhe fez chegar  às mãos.
Nada demove o "avassalador" Inquisidor e seus pares. Nem a letra da Constituição, nem a decisão de Mota  Amaral, presidente da Comissão e deputado do mesmo partido (o PSD) de não permitir uso das escutas, por considerar, e bem, que em tal matéria há "uma barreira intransponível, pois "as escutas só são legitimamente utilizáveis em processo criminal, o que não é o caso". Decisão que o PSD teve que engolir pois a sua oposição não recolheu o acordo dos demais partidos (PS, BE, CDS e PCP) honra lhes seja.
Isolado na Comissão, o PSD, mesmo assim, não só se permite atropelar a Constituição República, como, num acto de desrespeito pela Comissão e de pura cobardia, ousa proclamar e concluir, pela voz de Pacheco, que "Não temos dúvidas, fundamentadas nos materiais enviados à comissão de inquérito, da existência no ano de 2009 de uma operação política de carácter conspirativo de controlo de órgãos da comunicação social, desenvolvida com conhecimento do primeiro ministro por quadros do PS nas empresas em que o Estado tem participação".
Se falo em cobardia é porque o PSD (e o Pacheco que lhe dá voz) sabem que, ao anunciarem tal conclusão, à margem da Comissão, não correm o risco de ser contraditados pelo visado (José Sócrates) que, ao contrário de Pacheco, não tem conhecimento das escutas, nem a elas tem acesso para as poder infirmar.
E concluo eu: a herança deixada por Manuela Ferreira Leite  continua, pelos vistos, a ditar as  regras no grupo parlamentar do PSD. E com Pacheco a comandar, bem se pode dizer que o PSD tem ali uma pesada herança.

terça-feira, 18 de maio de 2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Animar a malta

Jerónimo de Sousa e o PCP não podem ignorar que a moção de censura ao Governo que o PCP vai apresentar na Assembleia da República está, à partida, condenada ao fracasso, pois toda agente o sabe.
E de facto, nem é a queda do Governo que está em causa, na mente dos dirigentes comunistas, pois a sua intenção, numa altura em que está anunciada, para breve, a manifestação da CGTP contra as medidas de austeridade decididas pelo Governo, é tão só a de "animar a malta".
Sobra, no entanto, uma dúvida que é a de saber quem é correia de transmissão e de quem: a CGTP do PCP, ou o PCP da CGTP ? Ou é tudo a mesma coisa ?

Falido

Se "Já não há dinheiro"  segundo nota recebida do seu antecessor pelo novo secretário do Tesouro do Governo de Sua Majestade, a Rainha de Inglaterra, temos que o Reino Unido está em condições de declarar bancarrota, para não dizer falência.
Estou cheio de curiosidade para ver qual a reacção das agências internacionais de notação financeira perante o caso. Às tantas sobem-lhe a notação, para baixar os juros das dívidas que o Reino Unido vai ter de contrair. Confesso que, perante o tratamento diferenciado dado por essas agências aos países do Sul da Europa, por um lado, e aos países do Norte, por outro, não me admirava nada.

Cautela e caldos de galinha

Embora a contragosto, como fez questão de deixar claro, Cavaco Silva promulgou a lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Depois de o Tribunal Constitucional se ter pronunciado no sentido da constitucionalidade da lei, Cavaco Silva, não tinha, como é óbvio, outra alternativa, a menos que quisesse ser desfeiteado em nova votação no Parlamento. Em vésperas de eleições presidenciais, o presumível candidato Cavaco Silva terá tomado as suas cautelas (e caldos de galinha), ao não querer assumir esse risco. 
Embora não coincidindo nas motivações, saúda-se a promulgação, pois a nova lei permite que todos os cidadãos sejam tratados em pé de igualdade qualquer que seja a sua orientação sexual e põe termo a uma situação discriminatória injustificável a qualquer título e, sobretudo, do ponto de vista do respeito pelos direitos humanos de toda e qualquer pessoa.

A resposta...

... do Primeiro-Ministro à comissão parlamentar de inquérito ao negócio PT/TVI:

domingo, 16 de maio de 2010

Pelourinhos : Mondim da Beira


Pelourinho de Mondim da Beira, freguesia do concelho de Tarouca, freguesia que foi sede de concelho até 26 Junho de 1896, data em que foi extinto. O pelourinho é também designado por Pelourinho de Mondim de Cima, visto situar-se na povoação com esse nome, uma das cinco que integram a freguesia..
(Clicando na imagem, amplia)

Estranho ...

Estranho que se tenha esquecido de dizer que Sócrates é que é o culpado...

sábado, 15 de maio de 2010

"Sobe e desce"

Pedro Passos Coelho inaugura este  "Sobe e desce"  e a justo título, julgo eu. Ao aceitar corresponsabilizar-se com o Governo na decisão de criar um novo pacote de austeridade, implicando cortes na despesa e também aumento de impostos, em nome do superior interesse do país,  revela-se um político sério, com sentido das responsabilidades e sentido de Estado, tanto mais que não contou, nem conta, com  a concordância de alguns sectores do seu partido adeptos da política do quanto pior, melhor. Pela minha parte, aplaudo. Logo: seta para cima.

 Pedro Passos Coelho, no entanto, não podia, logo a seguir a ter assumido o compromisso de se associar às decisões tomadas, vir pedir desculpas aos portugueses. De facto, quem toma uma decisão, por penosa que seja, por entender que é essa a sua obrigação, não tem que pedir desculpa.  Fazê-lo, é, a meu ver, um sinal de fraqueza, ou, pelo menos, de inconsistência. Logo: seta para baixo.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Em busca de "pimenta"

Depois da audição do administrador do grupo Prisa, Miguel Polanco, relatada aquiaqui e aqui,  bem se pode dizer que a comissão parlamentar de inquérito ao negócio PT/TVI ficou,  não com uma,  mas com duas mãos cheias de nada.
Não sei onde é que a oposição, e em particular o PSD (de Pacheco Pereira, Branquinho, Duarte & Cª) vão buscar "pimenta" para apimentar o relatório, à semelhança do que o PSD pretende fazer em relação ao relatório das audições realizadas na comissão de Ética
Quando não há, inventa-se e é mesmo isso o que PSD faz ao querer introduzir, no relatório da Comissão de Ética, o caso do "Sol", quando é sabido que a ERC decidiu arquivar o processo instaurado com base nas alegações do "pequeno grande arquitecto"*, por falta de provas
É verdade que, em alternativa (o que vem a dar no mesmo) sempre se pode recorrer às "bocas" da senhora Guedes ou do ex.mo marido, cuja continuidade na TVI (espantos dos espantos!) até era desejada pelos dois intervenientes no frustrado negócio. E lá boca, tem ela. Pimenta, não sei.
Mas se "pimenta"  BUSCAM, aqui encontram, pela certa. Sirvam-se.
(*Expressão roubada ao CC.)

Não são rosas não...

Cardo-de-santa-maria [Silybum marianum (L.) Gaertner]
(Clicando, amplia)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Mais uma notícia importante...

(A fotografia é da casa, mas não garanto que a ave reproduzida na imagem seja da mesma subespécie da ora nidificante no Algarve)

Estados de negação (II)

Demitiu-se o jornalista Luís Calisto do cargo de director do Diário de Notícias da Madeira., alegando a existência de um "regime de excepção criado à comunicação social madeirense", por Alberto João Jardim, a quem imputa a responsabilidade pelo sufoco em que vive o jornal que dirigia e a quem acusa:
- de beneficiar o Jornal da Madeira, propriedade  do governo regional, com uma verba anual de 42 milhões de euros na última década, importância que corresponde cerca de dois euros por exemplar;
- de utilizar “os actos públicos para intimidar os empresários” que anunciavam no DN da Madeira;
-  de reduzir “praticamente a zeros a publicidade oficial” no mesmo diário, entregando-a na quase totalidade ao Jornal da Madeira
- de dar “ordens às instituições públicas dependentes do governo regional para cortar as centenas de assinaturas” do Diário de Notícias da Madeira;
 - e de, finalmente, ter passado o Jornal da Madeira a  gratuito, aumentando a sua tiragem de cinco mil para 15 mil exemplares com “delirantes custos cobertos integralmente pelos impostos do povo”.
Se todos estes actos, que até não são difíceis de comprovar, não constituem condicionamento da liberdade de informação, não sei o que seja tal coisa. E, no entanto, não vejo os deputados do PSD integrantes da Comissão de Ética e da Comissão de Inquérito ao negócio PT/TVI manifestarem qualquer preocupação a tal respeito, eles que tão afadigados andam na tentativa de  demonstrarem, por todos os meios, incluindo os não lícitos, as alegadas interferências do Governo da República na comunicação social.
Digo eu que o comportamento dos deputados do PSD (e, porventura, não só) é deplorável, mas, ao mesmo tempo, tenho de reconhecer que outro comportamento não seria de esperar pois é consentâneo  com a negação assumida por vários dirigentes do seu partido (como a  ex-líder do partido, Manuela Ferreira Leite, o seu alegado, e nunca desmentido, mentor, José Pacheco Pereira e o seu alegado afilhado Paulo Rangel) de que não existe na Madeira qualquer défice democrático. Os mesmos que, curiosamente, inventaram e repetiram até à exaustão, durante a última campanha eleitoral a ladainha da "asfixia democrática". Com isto, é bom de ver que não há modo de serem levados a sério. Eu, pelo menos, não levo, nem creio na genuinidade do seu empenho na salvaguarda da liberdade de informação.
E, já agora, porque se falou em "estados de negação" no "post" anterior, querem melhor exemplo de quem vive em estado de negação da realidade ?

Estados de negação

As novas medidas para redução do défice e para consolidação das contas públicas estão aí, repartindo-se entre as destinadas à redução da despesa do Estado e as tendentes à obtenção de maior receita, pela via do aumento dos impostos.
Raros são os comentadores que não concordam com a necessidade de serem tomadas as medidas anunciadas, mas não falta quem acuse o primeiro-ministro e Governo de terem mentido quando, ainda há poucas semanas, afiançavam que não haveria aumento de impostos.
Confesso a minha perplexidade perante tais acusações, pois partem do pressuposto de que o primeiro-ministro e o Governo português tinham a obrigação de prever o que ninguém mais previu. No caso, o descalabro das contas públicas da Grécia e, na sequência, a baixa de notação da dívida soberana portuguesa e espanhola e o ataque especulativo contra o Euro que se lhe seguiu, factos que tornaram imperiosa a tomada de medidas pela generalidade dos países europeus para pôr termo àqueles ataques e que passaram pelo acordo alcançado no último Conselho Europeu e pelas medidas excepcionais nele tomadas.
Diga-se que se a acusação fosse justificada e séria, então a acusação teria de englobar todos os dirigentes partidários, pois não me recordo de ter ouvido nenhum deles defender, durante a campanha eleitoral, o aumento de impostos. Pelo contrário, recordo-me de, ainda antes da aprovação do Orçamento de Estado, termos assistido à formação, na Assembleia da República, de uma coligação de todos os partidos da oposição, a tomar decisões implicando aumento da despesa e diminuição da receita. E também me lembro de ter ouvido o actual líder do PSD (agora solidário com o Governo na tomada destas medidas)  afirmar que não se sentia comprometido com as medidas incluídas no PEC negociado com a anterior direcção do seu partido, medidas que eram, todavia, menos graves do que as ora anunciadas.
Tudo isto me parece inquestionável. Não obstante, os críticos não se ficam por aquela acusação e passam, com a maior das facilidades, à afirmação de que José Sócrates vive em "estado de negação".
E eu pergunto:
Negação de quê ? De que o país enfrenta graves dificuldades, à semelhança de todos os países europeus ? Nunca o ouvi negar essa realidade e a verdade é que se tenta passar uma mensagem de optimismo, mais não faz do que a sua obrigação. Para alimentar pessimismos já bastam os profetas da desgraça que por aí não faltam.
Em estado de negação vejo eu muita gente que não aceita, de bom grado, dar a sua contribuição para a resolução do problema, como se este não fosse da responsabilidade do colectivo nacional, como de facto é. E em estado de negação estão também os mesmos críticos que se recusam a reconhecer como importante o facto de se ter apurado no último trimestre, segundos os dados do INE, um aumento de 1% PIB, muito superior aos dos nossos parceiros europeus. Se isto não é estado de negação, é o quê ?

quarta-feira, 12 de maio de 2010

As boas e as más novas

Surpreendam-se, ou antes, surpreendamo-nos que o caso não é para menos. E também não é para menos, desconfiar de todas as previsões, venham elas de onde vierem. Aliás, depois de tantos erros de previsão, o que mais admira é que ainda se lhes dê algum crédito. E já nem sequer falo dos apocalípticos como Medina Carreira e quejandos. Para tolos, como estes, o único remédio é ouvidos moucos.
Não é menos verdade que este bom desempenho da economia portuguesa não dispensa a tomada de medidas no que respeita à consolidação orçamental, como salienta o ministro Teixeira dos Santos,  tendo em conta as pressões dos mercados financeiros e os compromissos assumidos com Bruxelas. O que se espera é que os males que se anunciam se repartam pelas aldeias e que não seja preciso ir tão longe quanto a Espanha que acaba de anunciar uma redução, a partir de Junho, de cinco por cento dos salários dos funcionários públicos e o congelamento salarial em 2011 e a redução em 15 % dos salários dos membros do Governo, para além de outras medidas draconianas. E aqui entram as más novas, pois está visto, pelo exemplo de Espanha, que os défices das contas públicas não se resolvem com paninhos quentes. Resta-nos, por isso, prepararmo-nos para o que aí vem e que, de certeza, não será muito agradável..
Pela minha parte, já estou pronto para tudo. Agradeço é que se acabe com o chinfrim, que pode ser de alguma utilidade para quem aposta no quanto pior, melhor, mas do qual não resulta nada de positivo para o país. Como se tem visto.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Ao menos, tapem-lhes as caras

Pouco haveria a acrescentar ao excelente comentário de Porfírio Silva sobre as palavras do deputado Pedro Duarte, coordenador do PSD na comissão parlamentar de inquérito ao negócio PT/TVI, que, ao ser confrontado com o facto de o PSD estar, para já, isolado na intenção de consultar as escutas remetidas à comissão de inquérito pelo Tribunal de Aveiro, disparou estas duas belas sentenças:
1 - os deputados sociais-democratas "não estão preocupados com o facto de os outros partidos não acederem aos documentos, nem se deixarão condicionar por isso";
2 - ao PSD "só lhe interessa  apurar a verdade e, por isso, vai naturalmente consultar os documentos que foram enviados" (in DN, de 9 de Maio de 2010)
Até diria que nada mais haveria a acrescentar se não se desse o caso de a posição do deputado Pedro Duarte estar em linha com a orientação seguida pelo seu partido no que respeita à violação do sigilo dos meios de comunicação privada (onde se incluem, como é óbvio, as conversas telefónicas) orientação que já vem desde os tempos de Manuela Ferreira Leite e que, pelos vistos, ainda continua, agora sob a liderança de Pedro Passos Coelho. Para comprovar tal linha de orientação, basta recordar as variadíssimas tentativas levadas a cabo pelo PSD com vista a ter acesso às escutas das conversas entre o primeiro-ministro e Armando  Vara, mesmo já depois de consideradas nulas pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça, ou as insistências junto do procurador-geral da República para obter cópia dos seus despachos de arquivamento onde aquelas escutas foram transcritas parcialmente.
Ora, ainda que sustentada na doutrina defendida por penalistas lá da casa (autores de alguns escritos tão disparatados que são de molde a pôr os cabelos em pé) certo é que as pretensões do PSD e a orientação seguida pela sua liderança violam claramente normas constitucionais como a que determina que "o sigilo da correspondência e de outros meios de comunicação privada são invioláveis" (art 34º, nº1) ou como a que estatui que  "É proibida toda a ingerência das autoridades públicas na correspondência, nas telecomunicações e nos demais meios de comunicação, salvo os casos previstos na lei em matéria de processo criminal" (art. 34º, nº4).
Se bem entendo os dispositivos constitucionais, se é proibida a ingerência nas telecomunicações, salvo nos casos previstos na lei "em matéria de processo criminal", é óbvio que proibido é também o uso, fora do âmbito do processo criminal, dos resultados obtidos por via da ingerência quando legalmente permitida. Como é bom de ver, entender o contrário seria permitir que entrasse pela janela o que não se deixou entrar pela porta.
Os deputados do PSD têm, pois e ao contrário do que alegam, razão para estarem preocupados, pois embora admita, sem conceder, que possam não incorrer nas penas previstas no art. 194º do C. Penal, do que eles não se livram, seguramente, é do labéu associado à indignidade de usarem, para fins políticos, de conversas privadas obtidas no âmbito de investigações criminais. Procedimentos desta natureza não causariam qualquer surpresa se praticados por um qualquer agente do antigo regime, mas ver militantes de um partido (que já teve como líderes um Francisco Sá Carneiro e um Mota Pinto) lançar mão de expedientes deste tipo, isso sim, é motivo de espanto. Para mim, pelo menos, que estou convencido que nem um, nem o outro dos referidos dirigentes pactuaria com tais métodos.
Como ambos continuam presentes, em efígie, na sede do PSD, ao menos que lhes tapem as caras. Para não verem e não se sentirem envergonhados.
______
Adenda:
O deputado Agostinho Branquinho repete aqui,  quase ipsis verbis, as palavras de Pedro Duarte. São precisas mais explicações ?
(Reeditada)

"Olho vivo", mas com palas.

O "Olho vivo" ("Público" de 7 de Maio) de Eduardo Cintra Torres, sempre atento aos desvios da ortodoxia que cultiva, detectou num artigo de Frei Bento Domingues (a que já aqui fiz referência) vindo a lume no "Público" de 2 Maio, uma coincidência entre o autor do escrito e as posições do "Governo socratista no que à (des)informação diz respeito". Coisa grave que o nosso "Olho vivo" não podia deixar passar em claro, como é bem de ver, para quem conheça a peça.
 Mas em que consistiu, afinal. o "crime" de Frei Bento Domingues? No essencial, Frei Bento limitou-se a verberar algum jornalismo e em particular "os infindáveis telejornais, tecidos do princípio ao fim quase só por desgraças" para, na sequência, estabelecer uma comparação entre tais jornalistas e os pregadores que centravam a pregação no medo do inferno e que no Norte eram designados por "padres da vinagreira".
O "Olho vivo" não gostou da comparação e vai daí toca a dar uma lição a Frei Bento sobre o que é e não é a verdade, e sobre o que é e não é a liberdade de informação, tirando, aliás, ilações que não têm cabimento no texto, como quando conclui que Frei Bento Domingues entende que a liberdade de informação é mostrar notícias "positivas". Cintra Torres pode ter "Olho vivo" mas treslê, pois Frei Bento Domingues (pessoa que conheço desde os idos da minha juventude em Coimbra e que, pelo que dele sei, não precisa de lições em matéria de liberdades e/ou de verdades e menos ainda das vindas de um qualquer Cintra Torres) o que censura é apenas que "mesmo quando há sinais de que é possível enfrentar as enormes dificuldades com que o país se debate" se insista "em mostrar que não há saída".
Mas Cintra Torres até vai mais longe e não hesita em estranhar que "Frei Bento condene as notícias "depressivas" quanto a religião cristã se fundamenta numa tragédia que, em cada eucaristia, os fiéis recordam e vivem". Até eu, que não sou Frei, nem Bento, sei que a religião cristã se fundamenta não na tragédia do Calvário, mas sim na alegria da Ressurreição (Se Cristo não ressuscitou, a nossa fé é vã - alguém disse e escreveu e eu cito de cor).
Como diz o outro, quem te manda a ti, sapateiro (Cintra Torres) tocar rabecão?
Mas, como um azar nunca vem só, não é que o bispo do Porto, D. Manuel Clemente, no discurso de aceitação do Prémio Pessoa retoma a lição de Frei Bento Domingues ? Lê-se, com efeito, no "Expresso" do último sábado, que, a este respeito, D. Manuel Clemente escreveu: "O melhor de Portugal pouco aparece e não abre geralmente os noticiários. Mas existe" .
É muito azar de Cintra Torres, ou a explicação é bem mais simples ?
Vou por aqui. Cintra Torres pode ter "Olho vivo", mas com palas.  Ou será "burka", que limita ainda mais o campo de visão ?

segunda-feira, 10 de maio de 2010

...de volta com esta

Pintassilgo (Carduelis carduelis L.)
Depois do Fiquem-se com esta ... estou de volta com esta. Eu não disse que ia à procura de mais ?
(Clicando na imagem, amplia)

Remédios contra a depressão

A decisão dos países da União Europeia (UE) de criar um mecanismo num valor até 750 mil milhões de euros para proteger a moeda única dos ataques especulativos dos mercados financeiros, teve, desta vez, um impacto imediato, com as bolsas europeias a abrir em forte alta, com valorizações a atingir mais de 10 %,  em Madrid, 7,88% em Lisboa, 7,84% em Atenas  e 7,64% em Milão, assistindo-se ao mesmo tempo à queda acentuada das taxas dos juros implícitos das Obrigações do Tesouro portuguesas que estavam na sexta-feira nos 6,418%, estando agora abaixo dos 5%, fenómeno que teve ainda maior amplitude relativamente às taxas das Obrigações gregas que desceram para quase metade (6,6% hoje, para 12% na sexta feira).
Pelos vistos, foi necessário que os movimentos especulativos se tivessem dirigido contra a Espanha para a UE se dar conta que era necessário tomar decisões firmes em defesa da moeda única e para a senhora Merkel se deixar de calculismos que, afinal, de nada lhe serviram, pois acabou por perder as eleições na Renânia do Norte-Vestefália, resultado que lhe acarretou também a perda de maioria na câmara alta do Parlamento Federal.
Ter vistas curtas raramente compensa e as tergiversações sobre o que é importante têm regra geral como tiveram, neste caso, consequências funestas: para a Grécia, para Portugal, para a Espanha e, ao fim e ao cabo, para toda a zona Euro, consequências que poderiam ter sido evitadas se a UE tivesse tomado uma decisão desta natureza, atempadamente, pois teria acalmado os mercados financeiros, como está à vista.
Mas os remédios contra a depressão, não vêm só do exterior. O anúncio do ministro das Finanças de que em Fevereiro e Março houve uma evolução “muito positiva” da receita fiscal” e que “dados preliminares de Abril mostram que isso se continua a fazer sentir”, constitui também um excelente tónico contra a depressão. Tónico que surge num momento particularmente importante, pois ocorre precisamente na data em que vai ter lugar a procissão dos profetas da desgraça a caminho de Belém. Que vão e por lá fiquem!

Actualização:
- A romagem a Belém traduziu-se numa declaração dando conta que os romeiros foram manifestar a  sua "profunda preocupação mas também a convicção de que os portugueses apoiarão medidas que se impõem face à situação actual para restabelecer a confiança na economia portuguesa desde que sejam apresentadas com transparência". Para tão pobre peça, para quê tamanha encenação?
- A Bolsa de Lisboa fechou a sessão com a maior valorização de sempre, num só dia, registando ganhos superiores a 10%.

domingo, 9 de maio de 2010

Benfica Campeão (Benfica: 2 - Rio Ave: 1) (Golos -Vídeos)

Com a derrota sofrida na penúltima jornada frente ao FCPorto e a perseguição persitente de um Sporting de Braga de excepção, o Benfica só nesta jornada (que também é última) conseguiu confirmar o favoritismo de que já gozava, desde há muito,  alcançando, com a vitória sobre o Rio Ave, por 2-1,  o título de campeão nacional de futebol.
Diga-se que a vitória sobre o Rio Ave foi, de alguma maneira, facilitada com a expulsão de Wires (Rio Ave) aos 11', mas não sofre dúvidas a justiça da vitória, ainda que escassa. Como também não há duvidas sobre a justiça do título conquistado. O Benfica, foi, sem dúvida, a melhor equipa do campeonato. Só o Sporting de Braga lhe deu boa réplica. O FCPorto ficou-se pôr um 3º lugar a que já não estava habituado e o Sporting, embora colocado no 4º lugar, foi uma sombra da equipa de outros tempos: por ali anda bruxa, ou falta dinheiro.
Parabéns, pois ao Benfica, pelo título e ao Sporting de Braga, pela façanha de alcançar o 2º lugar, ainda que cedendo um empate (1-1)no último jogo, frente ao Nacional.
Parabéns também, Francisco Tiago.
Para reveres, aqui te ficam os golos:

Golo de Cardozo (Benfica)



Golo de Ricardo Chaves (Rio Ave)



Golo de Cardozo (Benfica)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

... e, antes de ir, ainda mais esta ...

citação:

"Portugal vive uma crise gravíssima, sendo agora claro que os credores querem garantias explícitas de que vamos mesmo mudar de vida. Não é apenas o Estado que tem de viver com muito mais parcimónia de meios. Somos todos nós que temos de ser mais produtivos, poupar mais e ganhar em linha com aquilo que efectivamente produzimos.
Em Portugal não há apenas um responsável, nem a situação tem origem recente. Seria muito fácil e até, no meu caso, conveniente, apontar José Sócrates e o seu governo como únicos responsáveis. Têm uma importante dose de responsabilidade que os portugueses e a história um dia lhes cobrarão. Mas não serão os únicos: o insustentável modelo português tem muitos progenitores e até alguns padrinhos, estes no sector privado. Trata-se de todo um modo de vida que é insustentável e que, para sermos justos, temos conceder que resulta de mais de 20 anos de acções e de inacções."
António Nogueira Leite (aqui)

(Deixo o julgamento sobre a responsabilidade de José Sócrates e dos seus governos para os eleitores, conquanto me pareça conveniente lembrar que o anterior Governo liderado por José Sócrates conseguiu, em dois anos, reduzir o défice das contas públicas de 6,8% para 2,6%. Depois, convém também recordar que surgiu a crise económica internacional que afectou,  não apenas Portugal, mas todos os países e  muitos de forma bem mais aguda, incluindo alguns com economias bem mais fortes e que apresentam défices ainda mais graves. Quanto ao resto, passim).

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Fiquem-se com esta ...


Toutinegra-carrasqueira, ou Toutinegra-de-bigodes (Sylvia cantillans L.)
Caros visitantes, por dois ou três dias, fiquem-se com esta, que eu vou à procura de mais.
(Clicando na iamgem, amplia)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

"A Brigada do Reumático"


A história repete-se? Há 36 anos, foi assim.
(Fonte)

Querem que chore ?

O Bloco de Esquerda, o CDS-PP  o PCP e o PSD criticaram hoje os comentários do primeiro-ministro relativamente às previsões da Comissão Europeia que revêm em alta (de 0,4% para 0,5%) o crescimento da economia portuguesa, por se ter declarado “muito confiante relativamente à evolução da economia portuguesa”, considerando que as referidas previsões são um bom sinal.
E, de facto, não são um bom sinal? Perante um dado positivo, queriam que José Sócrates se lavasse em lágrimas ?
No mínimo, os partidos da oposição bem fariam se "de Conrado guardassem o prudente silêncio", porque toda a gente sabe o que eles diriam se as previsões fossem de sinal contrário.
Ou não sabe ?

Petição Cidadãos pela Laicidade

O texto:

"Senhor Presidente da República Portuguesa,

Nós, cidadãs e cidadãos da República Portuguesa, motivados pelos valores da liberdade, da igualdade, da justiça e da laicidade, manifestamos, através da presente carta, o nosso veemente protesto contra as condições – oficialmente anunciadas – de que se revestirá a viagem a Portugal de Joseph Ratzinger, Papa da Igreja Católica.

Embora reconhecendo que o Estado português mantém relações diplomáticas com o Vaticano e que a religião católica é a mais expressiva entre a população nacional, não podemos deixar de sublinhar que ao receber Joseph Ratzinger com honras de chefe de Estado ao mesmo tempo que como dirigente religioso, o Presidente da República Portuguesa fomenta a confusão entre a legítima existência de uma comunidade religiosa organizada, e o discutível reconhecimento oficial a essa confissão religiosa de prerrogativas estatais, confusão que é por princípio contrária à laicidade.

Importa ter presente que o Vaticano é um regime teocrático arcaico que visa a defesa, propaganda e extensão dos privilégios temporais de uma religião, e que não reúne, de resto, os requisitos habituais de população própria e território para ser reconhecido como um Estado, e que a Santa Sé, governo da Igreja Católica e do «Estado» do Vaticano, não ratificou a Declaração Universal dos Direitos do Homem – não podendo portanto ser um membro de pleno direito da ONU – e não aceita nem a jurisdição do Tribunal Penal Internacional nem do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, antes utilizando o seu estatuto de Observador Permanente na ONU para alinhar, frequentemente, ao lado de ditaduras e regimes fundamentalistas.

Desejamos deixar claro que, se em Portugal há católicos dos quais uma fracção, mais ou menos importante, se regozijará com a visita de Joseph Ratzinger, há também católicos e não católicos para quem o carácter oficial da visita papal, o seu financiamento público e a tolerância de ponto concedida pelo Governo, são agressões perpetradas contra os princípios de laicidade do poder político que a própria Constituição da República Portuguesa institui.

Esta infracção da laicidade a que estão constitucionalmente vinculadas as autoridades republicanas torna-se ainda mais gritante e deletéria quando consideramos que se celebra este ano o Centenário da Implantação da República, de cujo legado faz parte o princípio de clara separação entre Estado e Igreja, contra o qual atentará qualquer confusão entre homenagens a um chefe de Estado e participação oficial dos titulares de órgãos de soberania em cerimoniais religiosos.

Declaramos também o nosso repúdio pelas posições veiculadas pelo Papa em matéria de liberdade de consciência, igualdade entre homens e mulheres, auto-determinação sexual de adultos, e outras matérias políticas.

Porque nos contamos entre esses cidadãos que entendem que a laicidade da política é condição fundamental das liberdades e direitos democráticos em cuja defesa e extensão estão apostados, aqui deixamos o nosso protesto e declaramos a Vossa Excelência o nosso propósito de o mantermos e alargarmos através de todos os meios de expressão e acção ao nosso alcance enquanto cidadãos activos da República Portuguesa."

Subscritores iniciais:

Alexandre Andrade, Andrea Peniche, António Serzedelo, Carlos Esperança, Eugénio de Oliveira, Francisco Carromeu, João Pedro Cachopo, João Tunes, Joana Amaral Dias, Joana Lopes, José Rebelo, Ludwig Krippahl, Luís Grave Rodrigues, Luís Mateus, Luis Sousa, Maria Augusta Babo, Miguel Cardina, Miguel Duarte, Miguel Madeira, Miguel Serras Pereira, Onofre Varela, Palmira Silva, Pedro Viana, Porfírio Silva, Ricardo Gaio Alves, Rui Tavares, J. Xavier de Basto.

Querendo, o leitor pode assinar a petição indo aqui. Eu já assinei.

Um Semedo de triste figura

A inquirição do ministro da Presidência, Silva Pereira que hoje teve lugar na comissão parlamentar de inquérito ao negócio PT/TVI justifica um regresso ao tema.
Recordo que a inquirição deste membro do Governo foi requerida pelo deputado João Semedo do Bloco de Esquerda, com fundamento em alegadas declarações daquele, declarações que, no entender deste, provavam que o Governo tinha informação confidencial e privilegiada do negócio e que tais declarações eram a prova que faltava.
Pois bem, logo na declaração inicial, o ministro provou, com documentação nas mãos, dois factos:
1 - que as declarações que o deputado João Semedo lhe atribuía, não correspondiam à verdade;
2 - que as suas declarações remetiam, expressamente, para documentação do domínio público emitida pelos intervenientes do negócio, estando pois fora de causa a existência de informação confidencial.
Não obstante, o deputado João Semedo foi incapaz de reconhecer o seu erro, menos ainda de pedir desculpa pelo erro cometido e pela acusação infundada e, pelo contrário, insistiu à outrance, na sua versão.
Como contra factos não há argumentos, só há duas explicações para as tristes figuras que João Semedo fez hoje, como, aliás, tem feito desde o início dos trabalhos da comissão: ou o deputado é bronco ou não é sério. Como não creio na alternativa bronco, concluo que  João Semedo não é sério. Politicamente falando, claro está. A conclusão é, quanto a mim, ponto assente. Pese embora a severidade do julgamento, a verdade é que o episódio da inquirição de hoje foi suficientemente elucidativo para dissipar e remover as eventuais dúvidas que pudesse ter a tal respeito.
Tendo em conta a anterior conclusão e o facto de João Semedo ser o relator escolhido pela comissão de inquérito, passo também a ter por seguro que qualquer conclusão que saia da comissão também não é para levar a sério, pois sério não pode ser o relatório que ele tem a responsabilidade de elaborar.
Outras conclusões se poderiam extrair, sem grande esforço interpretativo, dos trabalhos da comissão e, designadamente, da inquirição de hoje, mas porque não quero especular, fico, para já, por aqui. A seu tempo veremos.
(Reeditada)

terça-feira, 4 de maio de 2010

De surpresa em surpresa

Temos, pois, de volta e em força, o discurso de Manuela Ferreira Leite. Mas, sendo assim, por que razão puseram a "Nossa Senhora das Certezas" e da "Verdade" a andar?
Será que esta gente já fez as contas ao reflexo e ao peso nas contas públicas derivado do aumento do desemprego que uma tal decisão inevitavelmente geraria? Ou um tal resultado não é para ter em conta?
Se calhar, não, como porventura também lhes é indiferente que, por estas e por outras, o país entre em depressão, quando até já indícios de alguma recuperação (v. aqui, aqui e aqui; a fonte aqui).

"Mea culpa, mea maxima culpa"

Parece confirmar-se a realização, no próximo dia 10, de um encontro entre Cavaco Silva e um grupo de ex-ministros da Finanças, já qualificado, bem apropriadamente, como a "brigada do reumático". Não obstante concordar com a designação, prefiro, contudo, incluir os referidos ex-ministros no rol dos "padres da vinagreira" de que fala Frei Bento Domingues. Pois não é verdade que aqueles, à semelhança destes, mais não fazem do que meter medo e contribuir para criar um clima de depressão colectiva?
Dizem por aí que o encontro se destina a debater o tema dos grandes investimentos públicos. Ora, não creio que tal vá ser o objecto da reunião e por duas razões. À uma, porque a questão dos investimentos públicos (grandes ou pequenos) é do foro e da competência do Governo (que, por isso, terá de responder por eles) e não da Presidência da República. Não tem, pois, Cavaco Silva legitimidade para meter o bedelho no assunto, nos termos da Constituição que ele tantas vezes invoca. É verdade que muitas vezes, em vão. Mesmo assim, sobra-me, em todo o caso, uma outra razão e com muito maior peso: tratando-se de uma reunião entre o "pai do monstro" (Cavaco Silva, segundo Cadilhe) e ex-ministros das Finanças, todos, em maior ou menor grau, responsáveis pelo descontrolo das contas públicas, o mais natural e, logo, o mais provável é que aproveitem o ensejo para fazer um "mea culpa" colectivo.
Dito isto, só espero que não batam com a mão no peito com tanta força, nem façam tanta penitência quanto a requerida pela gravidade das faltas, pois não desejo que saiam da sessão penitencial a necessitar de tantos cuidados médicos que ponham em causa o Serviço Nacional de Saúde. Que, por essa forma, ou por outra, lá capazes disso são eles!
E de muito mais.

A Espanha no olho do furacão

Os rumores sobre a necessidade de a Espanha recorrer ao FMI  para fazer face à dívida, embora já formalmente desmentidos, revelam que a especulação contra o Euro (hoje a cair abaixo do limiar dos 1,3 dólares) está para durar e que pode ter graves consequências para toda a Zona Euro, uma vez que agora é já a Espanha a estar no olho do furacão. As consequências das hesitações da Alemanha em apoiar a Grécia estão à vista. Espera-se, por isso, que a todos tenha servido de lição. Como os predadores, pelos vistos, não desarmam, bom será que a lição seja levada a sério.

A brincar com a justiça

Não ponho em causa a bondade da decisão tomada pelo colectivo da 5ª vara criminal de Lisboa  de ilibar Carmona Rodrigues, ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa  e os ex-vereadores Fontão de Carvalho e Eduarda Napoleão do crime de prevaricação por titular de cargo público no caso da permuta dos terrenos da Feira Popular e do Parque Mayer feita com o grupo Bragaparques, com o fundamento na falta de "relevância criminal dos actos cometidos”, até porque não disponho de elementos para a questionar. Todavia, sendo a irrelevância criminal dos actos tão evidente, a ponto de o colectivo de juízes decidir liminarmente não realizar o julgamento, já me parece de todo inaceitável que o caso tenha sido investigado durante anos, que tenha sido deduzida acusação pelo Ministério Público e que esta tenha sido aceite por um juiz para ser levada a julgamento, sem que nenhum magistrado se tenha apercebido de tal irrelevância.
Por isso, entendo que, quer seja acertada a decisão ora tomada pelo colectivo de juízes, quer o não seja, certo é que esta decisão  põe em causa seriedade da justiça. Até parece, com efeito, que os senhores magistrados judiciais e do Ministério Público andam a brincar com a justiça e com os cidadãos deste país. Sim, porque, entretanto, neste processo, que não é caso virgem, não só foi posta em causa injustificadamente, segundo a decisão,  a honorabilidade das pessoas envolvidas, como se gastou com ele, pelos vistos, também inutilmente, o dinheiro dos contribuintes.
São processos como este que justificam que os cidadãos tenham perdido a confiança na justiça e que o descrédito atinja hoje duramente as magistraturas. Por muito que  o senhor António Martins (presidente dessa aberração que se chama Associação Sindical dos Juízes) e o senhor João Palma (presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público) digam o contrário.
A circunstância, aqui anunciada, de o Ministério Público poder vir a recorrer, em nada afecta as precedentes considerações. Como é óbvio.