terça-feira, 6 de novembro de 2012

Diria antes: igual a si próprio

José Vítor Malheiros interroga-se hoje, nas páginas do "Público", em crónica intitulada E se Cavaco Silva estivesse incapacitado? (sem link), sobre "se o Presidente é, ou não, capaz de assumir responsabilidades pesadas como poderão ser a demissão do Governo e as negociações para a formação de um novo executivo" atendendo a que "numa situação de extrema gravidade como a actual, só comparável a uma situação de guerra, onde à crise financeira e ao brutal empobrecimento de toda a população se somam uma crise política e uma crise de desconfiança sem paralelo nas instituições democráticas", "Cavaco não aparece, não fala, não se reúne (…)"
Não estou, como é óbvio, em condições de me pronunciar sobre a dúvida levantada pelo José Vítor Malheiros. Noto, contudo, que Cavaco Silva sempre soube gerir os seus silêncios, de forma calculista, e sempre que tal se mostrou conveniente aos seus interesses políticos pessoais.
É o que me parece que se passa agora. 
Perante a situação dramática a que o país chegou, Cavaco tem todo o interesse em guardar de Conrado o prudente silêncio, por forma a fazer esquecer as suas próprias responsabilidades na situação a que se chegou, dada a sua mais que evidente cumplicidade no derrube do anterior Governo e o indisfarçável apoio activo por ele proporcionado ao actual executivo.
Diria, pois, que o Cavaco Silva actual se comporta como sempre se comportou. Dito de outra forma: Cavaco mantém-se igual a si próprio: um político egoísta, calculista e frio, mas não ao ponto de não ser capaz de se vingar de ofensas (reais ou imaginárias). Igual a si próprio, dizia eu, embora mais velho e a carecer de reforma. Esta deveria ter-lhe sido dada aquando das últimas eleições presidenciais. Para desgraça nossa, a maioria dos eleitores assim não quis.
Estamos e, pelos vistos, continuaremos, a pagar por isso.

1 comentário:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Na verdade o sr Aníbal sempre esteve incapacitado. Disfarça é muito bem.