quarta-feira, 18 de março de 2015

VEM: Lomba e o "mínimo histórico de indigência" governamental

«(...) Imbuído pelo espírito do seu amado empreendedorismo como ideologia, o secretário de Estado adjunto do ministro-adjunto resolveu fazer uma prova de vida, não fossemos nós achar que foi morto em combate político naquela série humorística chamada ‘briefings' diários.

Na verdade, foi-o, mas alguém no Governo esqueceu-se de avisar Pedro Lomba, de modo a que este não tentasse nova incursão nos domínios da comunicação de vacuidades. Se foi avisado, esqueceu-se, criando ao Governo novo embaraço. Sabemos que o ‘spin' governamental precisava de criar um novo ciclo noticioso que retirasse o ‘affair' Passos Coelho-Fisco-Segurança Social da agenda mediática, mas que diabo, era preciso apresentar uma proposta intelectualmente tão constrangedora? É que é preciso um nível quase "pornográfico" de indigência para tentar que nos esqueçamos que foi este mesmo PM quem indicou a porta de saída aos professores de Português. 

E é quase "pornográfico" porque, para poder ser levada a sério, esta proposta (sem dotação orçamental, sem um número que sustente esta inocuidade) exige que nos esqueçamos que não houve qualquer preocupação com o ‘brain-drain' quando o ministro da Educação deste mesmo Governo cortou de forma cega o financiamento dos Centros de Investigação do Ensino Superior. Exige, igualmente, que sejamos amnésicos em relação ao facto de, desde 2011 até agora, o preço médio por empregado não ter parado de descer (19.312 euros em 2011 para 18.341 euros em 2013, invertendo a tendência de subida até 2010), acompanhado de alterações à lei laboral que facilitam os despedimentos.

Mesmo que conseguíssemos abstrair-nos da impreparação de Lomba (quantos emigrantes?...pelos vistos não sabe ao certo), é preciso atingir um novo mínimo histórico de indigência para achar que recaptar "uns 30 ou 40" emigrantes vai fazer com que, milagrosamente, este não seja o Governo que fica na História como aquele cujas políticas levaram ao maior êxodo de sempre (128 mil em 2013), superando mesmo a da emigração em massa de 1966 (o recorde: 120 mil). É que tanta indigência junta talvez já não seja só indigência - talvez seja outra coisa qualquer que roça a "pornografia" governamental

(Ana Martins; «'30/49 shades of Lomba'». Na íntegra: aqui)

4 comentários:

Majo disse...

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~ ~ Muito interessante a crónica e a ironia adequada e justamente cáustica de Ana Martins.

~ ~ ~ Grata pela partilha. ~ ~ ~
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Manuel Gago disse...

Parabéns . O artigo VEM:Lomba é realmente fenomenal pois acerta em cheio na tola deste ex jornalista de revistas conceituadas que já li , mas com estes exemplos não vão longe.
É mesmo de rir.....

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Chicamigo

Qomo çô muito dezimstruido não dêvo ter pressebido beim: o gájo é Lomba ô alomba?

Abç e qjs à Ana artins

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Continua a ser para mim um mistério, perceber como Lomba e Maduro chegaram onde chegaram, mas Lomba é o cúmulo da nulidade.