segunda-feira, 2 de março de 2015

Longe vai o tempo dos "fenómenos" do Entroncamento

O ano de 2014 terá batido todos os recordes no respeitante à entrada de turistas neste "rectângulo à beira mar plantado". É o que tem vindo a ser propagandeado nos media, com alguma probabilidade de, neste caso, ser verdade. Para variar.
Tudo indica, porém, que o suposto recorde venha a ser largamente ultrapassado a breve trecho. De facto, notícias recentíssimas dão conta de que nas agências de viagem, no estrangeiro, há uma procura inusitada de bilhetes de avião, de comboio e de autocarro para deslocações com destino a Portugal. No receio de que a capacidade de acolhimento no país se esgote a breve prazo, acontece até que,  nas filas que, entretanto, se formaram, não têm faltado as cotoveladas dirigidas a um ou outro mais "esperto" que, em tais circunstâncias aparecem sempre na tentativa de passar à frente.
Perguntar-se-á, e muito justamente, qual a razão de uma tal avalanche. Não tendo a pretensão de dar uma resposta cabal à pergunta, teremos de nos contentar com uma tentativa de explicação. A minha é esta:
Desde que se soube da estória das dívidas de Passos Coelho à Segurança Social seguida da confirmação pelo próprio de que, não obstante o prolongado calote, continua a ter condições para permanecer à frente do governo, cresceu no estrangeiro, de forma exponencial a curiosidade sobre um país em que tal era não só possível, como aceitável. 
Aceitável, desde logo pela população que, pelos vistos, convive sem grande sobressalto com o facto de ser governado por um caloteiro, facto que suscitou enorme espanto em países em que uma tal situação seria intolerável.
Como motivo para estupefacção ainda maior temos o facto de, perante um caso com esta gravidade, o indivíduo que faz de Presidente da República não ter, até agora, nem tugido, nem mugido. Cavaco afirmou, em tempos, que para alguém ser mais honesto do que ele, esse alguém teria teria que nascer duas vezes, fenómeno que, tanto quanto é sabido, nunca ocorreu. Deduzo, pois, que ele se proclama como o mais honesto dos homens, Seja ou não seja, o que é patente é que, pelo menos  pelo que é conhecido até agora, Cavaco convive perfeitamente com quem o não é.
Longe vai, pois, o tempo dos "fenómenos" do Entroncamento. Agora, no estrangeiro o que desperta enorme curiosidade é existência de um país, onde um caloteiro continua a ter condições para chefiar o governo, perante a passividade do povo e a cumplicidade de quem faz de Presidente da República.
Isto sim, é um "fenómeno"! Preparem-se: há "resmas" de turistas a chegar com a finalidade de o observar. Oxalá apareça por cá alguém que o consiga explicar...
(Imagem daqui)

2 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Boa malha, Francisco! Depois de saber isto, o Pires do Lima ainda vai pedir ao António Costa para aumentar a taxa do aeroporto, para evitar aglomerações junto a S. Bento e Gomes Teixeira.

Majo disse...

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~ No que concerne a turismo, no Algarve praticam-se preços de saldo e a avalanche é de alemães que preferem ''resorts'' ou clubes alemães.
~ Mal se encontram ingleses, franceses e espanhóis.


~ Quanto às trafulhices do Pedrocas tem toda a razão.
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