segunda-feira, 3 de setembro de 2012

"Entalado"

A crer na versão divulgada por Marcelo Rebelo de Sousa, na "homilia" televisiva do último domingo, Passos/Coelho  apareceu a recuar na hipótese de concessão da televisão pública, porque "estava entalado". "Entalado", deduz-se sem esforço do teor da "homília", pelo seu amigo do peito, o ainda (lamentavelmente) ministro Relvas.
Custa a crer que o histriónico professor e comentador, tido como uma inteligência brilhante, avance com uma explicação tão tosca. É que a tese é, simplesmente, mirabolante e, para mais, contraditória nos seus termos. 
De facto, só recua numa opção quem a tomou ou permitiu que alguém avançasse nesse sentido. Aliás, nem sequer é crível que Relvas se permitisse optar por aquela solução, sem dar cavaco a Passos/Coelho,  num assunto de grande e indiscutível melindre (como está à vista). Admitir a hipótese contrária seria  partir do pressuposto de que Passos/Coelho não passa de um boneco nas mãos de um qualquer Relvas. O que seria, como é óbvio, pior a emenda que o soneto. O equivalente a primeiro-ministro que nos desgoverna é , reconhecidamente, intelectual e politicamente muito fraco, mas nem eu que estou longe de morrer de amores por ele me atreveria a ir tão longe.
Isto dito, só resta acrescentar que é irrelevante saber se Passos/Coelho foi ou não "entalado" em toda esta estória, porque, em qualquer das hipóteses, ele não se livra de responsabilidades. De facto, se se deixou "entalar", a culpa é só dele. Não é ele, por acaso, o único  responsável pela permanência no "seu" governo dessa "nódoa" que dá pelo nome de Miguel Relvas?
Compreende-se que Marcelo, dependente de Passos/Coelho para se poder lançar  numa desejada candidatura a Belém, tudo faça para agradar ao presidente do seu partido. É, no entanto, de toda a conveniência que não exagere na dose porque, como está à vista, o exagero é contraproducente. 

1 comentário:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Talvez me engane, mas acho que no final quem vai ficar entalado é o MRS. Anda a fazer fretes à espera do ovo no cu da galinha e, na hora da verdade, o Passos manda-o dar uma grande volta.