segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Um erro providencial

Um erro entretanto detectado no Orçamento de Estado vai permitir que, por decisão da maioria parlamentar e do governo, as transferências do Estado para Madeira sejam aumentadas em detrimento dos Açores. Se o erro existia, justa é a correcção, mas nem por isso deixa de poder ser considerado um erro providencial que vai dar mais uma ajuda ao senhor Jardim para este espatifar mais uns milhões em iluminações de Natal e em fogo de artifício e num  "programa de animação que (...) terá início a 9 de Dezembro e se prolonga até 6 de Janeiro". E, assim, lá vão borda fora mais 5 milhões de euros que é, mais ou menos, o mesmo valor gasto nos últimos dois anos.
Tudo isso é verdade, mas a mesma alma não só não quer saber que os municípios de todo o país estão a conter as despesas com iluminações e afins, como parece ignorar que mesmo cidades como Lisboa e Porto,  onde a indústria do turismo também tem grande relevância económica, vão reduzir as despesas de 850 mil euros para 150 mil, no caso de Lisboa, e para metade do gasto nos anos anteriores, no caso do Porto.
Isto, para além de, com aquele discurso, estar a passar em branco todo o escândalo que rodeou a adjudicação: por ajuste directo a uma empresa liderada por um ex-deputado do PSD e que vai receber mais meio milhão de euros em relação ao valor anual da sua própria proposta apresentada num concurso, entretanto, anulado. Muito edificante, como se vê.
O que tudo isto quer dizer muito simplesmente é que o senhor Jardim pode continuar a fazer o que muito bem entender e a gastar à tripa forra, quando toda gente é obrigada a conter despesas, situação que é tanto mais acintosa quando se sabe que a Madeira tem uma dívida pública acumulada (e durante anos dolosamente escamoteada) de milhares de milhões de euros que o senhor Jardim, por este andar, não pensa pagar. 
E, pelos vistos, haverá sempre uma alma que ache bem. 
Eu, por acaso, não acho, mas, à conta do senhor Jardim, cá vai mais um foguete.

2 comentários:

Anónimo disse...

Estou cá a pensar, que se calhar a Madeira é um bom "país" para se emigrar...

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

E logo a seguir vem o Carnaval. E depois a Festa da Flor. E depois, e depois, e depois, nós continentais pagamos e ficamos com ar de bois