segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Um forte cheiro a podre

Que Paulo Portas é um exímio farsante é já um dado adquirido. Não era preciso confirmação, mas ele faz questão de, dia sim, dia sim, apresentar novas provas, porque, pelos vistos, tem orgulho nessa imagem de marca. 
Não admira, por isso, que a sua irrevogável decisão de se demitir deste governo, tenha passado a revogável, dum momento para outro. Bastou-lhe, como pretexto, que Passos Coelho (um farsante de menor qualidade, mas, nem por isso, menos perigoso) lhe tenha acenado com a promoção a vice-primeiro-ministro para Portas dar o dito por não dito.
Tanta questão faz Portas em que não haja dúvidas sobre as suas capacidades no capítulo da farsa, que ainda recentemente, nos presenteou com novas provas. Durante a recente conferência de imprensa sobre os resultados da 8ª  e 9ª avaliações da troika, Portas usou, uma vez mais, da sua já proverbial habilidade: não só fez passar, como se nada fosse, a derrota, às mãos da troika, da sua posição sobre a necessidade de aumentar o défice para 2014 de 4% para 4,5% do PIB, como teve o desplante de vir garantir que, no próximo ano, os portugueses não teriam de suportar novas medidas de austeridade, garantias que, ainda a procissão não saiu do adro, já estão a ir por água abaixo, com o anúncio de uma nova "TSU" que vai atingir as pensões de sobrevivência dos viúvos (atacando um dos sectores da população portuguesa mais fragilizados) e o anúncio de novos cortes nos subsídios de refeições de trabalhadores de empresas públicas, para já não falar dos cortes a incidir sobre as pensões dos reformados da Caixa Geral de Aposentações, em nome duma falaciosa convergência com as pensões do regime geral, em qualquer dos casos, em completo desrespeito pelos direitos adquiridos, direitos que a prática deste governo vem demonstrando que podem ser impunemente violados desde que as vítimas sejam os mais fracos, como é próprio de um governo "forte" com os pobres e remediados e "fraco" com os ricos.
Num país decente, Portas (e quem diz Portas, diz qualquer outro governante que siga a mesma cartilha - e o que não falta neste governo é gente desta) já teria sido sacrificado na ara da comunicação social com a consequente perda de credibilidade. Em Portugal, porém, tal não acontece. Com uma ou outra sempre honrosa excepção, o que mais se vê, é gente a incensar Portas pela inauguração de um novo "estilo" fruto da sua "inegável habilidade", posto em confronto com o "estilo" do ex-ministro Gaspar que seria (dizem) marcado pela "seriedade".
Se, como já se tem dito por aqui, este governo fede, a verdade é que o fedor que paira na sociedade portuguesa não provém apenas dos lados do governo. Da comunicação social também sopra um forte cheiro a podre.
Daí a pergunta: com gente desta, no governo e na comunicação social, onde é que este país vai parar?
Adenda:
Portas, acabo de ler,  tem uma explicação para a não divulgação do corte das pensões de sobrevivência: a medida ainda não estava desenhada. Como, afinal, ainda não está. Mas que importa este pormenor a um sujeito que, para além de ser um mentiroso, faz gala em sê-lo?

1 comentário:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Os canalhas arranjam sempre desculpas para as suas sacanices