terça-feira, 30 de junho de 2009

Que grande confusão vai naquela cabeça !


A transcrição é longa, mas vale a pena! Manuela Ferreira Leite não mente, nem tão pouco "falta à verdade". O que acontece é que vai uma grande confusão na naquela cabeça !

"Não pode ser a comunicação social a seleccionar aquilo que transmite"

Não vejo razão para Henrique Granadeiro se mostrar tão espantado com as declarações de Manuela Ferreira Leite (MFL) a propósito do caso da entrada da PT na Media Capital, pois "coerência" entre o que o diz e o que faz, não é propriamente o que se pode esperar de MFL (autora da afirmação em título). Afirmação, que, só por si, prova que a independência da comunicação social não está entre as suas preocupações. Em geral e no caso em questão. Bem pelo contrário.
Por isso, mais espantado fico eu com o "carinho" que agora a comunicação social lhe dispensa. Chego a pensar que os jornalistas gostam de ser domesticados. E a verdade é que a senhora até já tem domador de serviço e arena. Pacheco Pereira é o domador. A arena é a SIC.
Adenda:
A "lata" da senhora: Se o PSD fez mal, não devia ter feito. Calma aí que a questão não é tão simples, nem o assunto fica assim arrumado. A senhora não está no confessionário para confessar os pecados e sair de alma limpa. Até porque, pela amostra, o "arrependimento" não é nenhum !

Avifauna portuguesa # 57 : Cia (Emberiza cia)

[Cia ou Escrevedeira-de-garganta-cinzenta (Emberiza cia L.)]

(Local e data da obtenção da imagem: Termas do Cró - Rapoula do Côa - Sabugal; 30-05-2009)
(Clicando sobre a imagem, amplia)

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O Grande Educador da Classe ... Jornalística

Já sabemos ao que vem o novo programa, pois Pacheco Pereira até não pretende enganar ninguém. Ele próprio afirma que "é um programa de opinião sobre aquilo que nos faz ter opinião: a comunicação social, os media, os jornais, as rádios, os blogues, os livros, a televisão” e antecipa que o programa "não tem a preocupação de ser equilibrado nem isento e não será muitas vezes justo”.
Sendo assim, estamos todos de parabéns: os jornalistas que passam a ter um "Grande Educador"; a SIC que, com o Mário Crespo, só tinha um "momento Moura Guedes" e, agora com Pacheco, duplica a dose; e nós todos que vamos ter oportunidade de comprovar até onde chega o "índice de situacionismo" à moda de Pacheco e o seu descaramento.
Tendo em conta as suas próprias palavras, a "coisa" promete!
Post Scriptum:
Ao elaborar este comentário, as novas de que dispunha sobre o novo programa de Pacheco Pereira eram as da notícia para que remete o link supra. Posteriormente, venho a saber que, afinal, o programa já teve, ontem, uma primeira edição. O resumo de algumas opiniões sobre a première pode ser visto aqui.

Não disse o que disse .

O Presidente da República emitiu um comunicado para dizer que não emitiu quaisquer “juízos sobre o processo judicial envolvendo cinco ex-administradores do BCP”, comunicado em que se transcreve a seguinte gravação:
"PR: (…) É importante que os responsáveis da empresa de telecomunicações expliquem aos portugueses o que é que está a acontecer entre a PT e a TVI. É uma questão de transparência! E eu já tive ocasião de dizer publicamente que uma das lições mais importantes que se deve tirar desta crise económica e financeira que estamos a viver é a de que deve existir transparência e ética nos negócios. E eu não acrescento, neste momento, nem mais uma palavra.”
Jornalista: A história do BCP… não teme, enquanto Presidente da República, que os portugueses…, que isto seja o descrédito da banca e que deixem de acreditar nos Bancos?
PR: A Banca é muito importante para o funcionamento de uma economia. Economistas dos mais famosos dizem que não há crescimento económico sem estabilidade do sistema financeiro e, por isso e bem, a reunião do G20, que teve lugar em Londres – e, ainda recentemente, tive ocasião de discutir os resultados com o Primeiro-Ministro Gordon Brown - ou as decisões recentes tomadas pelo Conselho Europeu vão no sentido de garantir a estabilidade do sistema financeiro internacional, porque é uma condição para a retoma da confiança. Confiança de empresários, confiança dos consumidores para que possamos assistir a uma recuperação mais forte da economia. E, portanto, entendo que nada deve ser feito que possa impedir este conjunto de medidas, que têm vindo a ser anunciadas a nível internacional para estabilizar o sistema financeiro e, mais uma vez, vêm ao de cima os dois princípios fundamentais que foram violados nesta crise e que agora devem ser repostos: transparência e princípios e valores éticos no mundo dos negócios.
A pergunta era sobre o BCP. O Presidente até parece que ouviu, pois responde à pergunta. Reconhecendo embora que o Presidente não se refere ao processo em si, a verdade é que, no contexto da pergunta, é difícil não ver que a repetida referência à transparência e aos valores éticos só podia ter a ver com os administradores do banco. Isto digo eu, que julgo também que negar hoje, o que se disse ontem, está a fazer escola. Neste caso, porém, é o "mestre" (Cavaco Silva) a aprender com a "aluna" (M. Ferreira Leite). E, verdade seja dita, nesta matéria, o "mestre" ainda tem muito que aprender.

Cá e lá fora: mais confiança !

Por sua vez, o índice de confiança nos 16 países da Zona Euro atingiu em Junho a maior subida desde Novembro. O relatório divulgado hoje pela Comissão Europeia, mostra que o índice subiu de 70,2 para 73,3 em Junho, em relação a Maio.
Perante estes dados o ministro das Finanças, Teixeira do Santos, admite que se trata de “sinais positivos que indicam que a crise se aproxima do fim”.
Ainda que o ministro esteja a ser demasiado optimista, não se perde nada com afirmações de tal teor. A confiança e a recuperação da economia, que está dependente daquela, não se alcançam com "choradinhos", nem com anúncios a toda a hora de profetas da desgraça !

domingo, 28 de junho de 2009

A morte é um espectáculo !?

A morte de Michael Jackson transformada em espectáculo. E a pedido da família ?
Deprimente !

"Aurea mediocritas"

Pobres, desmobilizados mas, apesar disso, felizes!
Os portugueses, pois ! Quem havia de ser ? É uma casa portuguesa, com certeza ! Trá-la-ri-ló-lé !

E o Zé que pague !

Até o Professor Marcelo entrou no regabofe: "Marcelo Rebelo de Sousa também integra o elenco de jurisconsultos a que a ALM encomendou dezenas de pareceres. Em 1996, o então líder do PSD foi solicitado a dar cobertura jurídica ao escândalo das ilegais viagens fantasma dos deputados madeirenses, detectadas pelo Tribunal de Contas, entre 1989 e 1993, num montante superior a 160 mil euros (32 mil contos). O professor de Direito não reconheceu a este tribunal competência para "proceder a um controlo político (...) da conduta dos parlamentares regionais".
Venha de lá o maganão, o Zé (contribuinte) que pague.
O que tem o Presidente da República a dizer a este escândalo ? E a senhora do "Portugal de Verdade ?
Nada, que a Madeira é uma flor do "Jardim". E, numa flor, não se toca . Pois !
Muito bem cantais/mas a mim/ não me enganais!
Post scriptum:
E o Ministério Público (MP) não terá uma palavrinha a dizer sobre tudo isto ? Ou será que não estamos perante uma apropriação ilícita de bens públicos, logo, de um ilícto criminal ?
Em tempos, dizia-se que o MP na Madeira andava a toque de caixa, às ordens do poder regional. Será que ainda anda ?

Poupem energia !

Se é mesmo para "parar tudo", p.f. baixem os braços e poupem energia. O país agradece !

sábado, 27 de junho de 2009

O povo quer suicidar-se? Está no seu direito !

A transcrição é longa. O meu comentário é curto.
Apenas duas observações:

1. A utilização da expressão "rasgar as políticas sociais", por parte de José Sócrates, não é uma acusação, mas a simples reprodução de afirmações de Manuela Ferreira Leite que, há apenas dois dias, talvez entusiamada com o recente êxito eleitoral resolveu revelar a sua verdadeira face e proclamou tal intenção de forma cristalina: “Vamos rasgar e romper com todas as soluções que têm estado a ser adoptadas em termos de política económica e social”.

2. Miguel Abrantes, no Câmara Corporativa, deu-se ao trabalho de apresentar um primeiro elenco das medidas tomadas pelo Governo em matéria de política económica e social, ora sob a "ameaça" de Ferreira Leite, elenco que tomo a liberdade de reproduzir aqui:

"• O Complemento Solidário para Idosos;
• As escolas do 1.º ciclo do básico a funcionarem a tempo inteiro, até às 17:30, com inglês e refeições escolares;
• O abono pré-natal;
• A majoração do abono de família;
• O apoio público à procriação medicamente assistida para casais com problemas de fertilidade;
• O programa PARES, que tem financiado a criação de centenas de novos equipamentos sociais, nomeadamente assegurando um investimento sem precedentes na expansão do pré-escolar;
• O cheque-dentista para grávidas e crianças e jovens;
• As unidades de cuidados continuados integrados para idosos acamados e outros doentes prolongados;
• O programa de cirurgia oftalmológica, que permitiu no último ano operar — no sistema nacional de saúde — milhares de pessoas que há anos esperavam por uma simples operação às cataratas;
• O aumento da acção social escolar e o alargamento dos respectivos beneficiários;
• Os programas e-escolas e e-escolinhas;
• A reforma da segurança social, que assegurou a sua sustentabilidade e retirou Portugal do grupo de países de alto risco;
• O investimento nas energias renováveis, que tornou Portugal um caso de sucesso e um exemplo elogiado a nível internacional;
• A redução do IRC para empresas do interior e a criação de dois escalões (em que os primeiros 12.500 euros de matéria colectável são taxados a metade);
• O incentivo fiscal à actividade empresarial de Investigação & Desenvolvimento."

Concluo: O povo quer suicidar-se, votando Ferreira Leite ? Está no seu direito. Mas não contem comigo para colaborar no enterro!

Declaração de interesses

Agora que se encontram marcadas as eleições legistativas e as eleições autárquicas, aqui fica a minha declaração de intenção de voto (a considerar em futuras sondagens): votarei PS nas legislativas e, nas eleições autárquicas, o meu voto vai para Paulo Pedroso candidato pelo PS à presidência da Câmara de Almada.
E, a propósito de ambas as eleições, aqui fica também a minha declaração de interesses:
Não tenho qualquer interesse pessoal em qualquer das eleições: não sou militante de qualquer partido, nem tenho idade, nem disposição para fazer de "boy". O meu interesse não é, pois, diferente de qualquer outro cidadão.
Posto isto, as minhas motivações:
Não voto à direita (CDS e PSD, partidos que junto sob a mesma etiqueta, porque não sei mesmo onde se aloja actualmente a direita mais conservadora) porque ideologicamente não me identifico com as opções políticas de qualquer deles. Em particular em relação ao PSD, acrescento que a actual direcção liderada por Manuela Ferreira Leite não me merece um mínimo de credibilidade, como já resulta claro dos múltiplos comentários que aqui tenho deixado. Considero mesmo que uma vitória deste partido nas próximas eleições legislativas, tendo em conta as opções já conhecidas, as últimas declarações da líder e a obsessão desta com o endividamento, teria consequências graves para o país: o aumento do desemprego e os cortes em matéria de apoios sociais seriam apenas os resulatdos mais graves, na minha perspectiva.
Não voto BE, porque, como já disse algures, não voto em nebulosas, nem desperdiço o meu voto num partido que se assume como mero partido de protesto. Não contando com ele, porque ele próprio se exclui, como parte da solução para a governação do país, também me não faz falta para protestar. Os protestos fazem-se na rua e para tal não são precisos deputados na Assembleia da República.
Não voto PCP (ou CDU, tanto faz) porque não quero viver num país como Cuba ou como a Coreia do Norte (países que o PCP considera como exemplos de construção do socialismo). Louva-se a honradez do partido que não esconde as suas opções políticas, mas, decididamente, não vou por aí.
Voto PS, não por exclusão de partes, mas porque é, por excelência, o partido da Liberdade e o partido que, embora não seja adversário do funcionamento do mercado, entende que este deve ser objecto de mais regulação. E, finalmente, porque é a favor da solidariedade social, não apenas em palavras, mas em actos.
E apoio José Sócrates que, pesem embora os seus defeitos (quem os não tem ?) e os erros que possa ter cometido como primeiro-ministro (quem os não comete?) é o único político a quem reconheço a capacidade e a determinação para levar a cabo e concluir as reformas de que o país carece. Disse.

A revelação

Eleições legislativas a 27 de Setembro, diz o Presidente da República. Tal como aqui foi previsto, fazer o "frete" a Manuela Ferreira Leite e marcar as legislativas para a mesma data das autárquicas seria um risco demasiado grande para quem tem (?) em mente um segundo mandato em Belém.
Montar a mesma bicicleta, tudo bem, desde que não dê demasiado nas vistas. Pedalar em conjunto, montar e desmontar, Cavaco é que manda e os seus interesses é que vão à frente. A Drª Manuela já o devia saber!
Nem percebo por que é que o PSD continuava a insistir na tecla da simultaneidade das eleições.

Manifesto dos 60: também subscrevo !

Nesse sentido, para além da intervenção reguladora no sistema financeiro, a estratégia pública mais eficaz assenta numa política orçamental que assuma o papel positivo da despesa e sobretudo do investimento, única forma de garantir que a procura é dinamizada e que os impactos sociais desfavoráveis da crise são minimizados. Os recursos públicos devem ser prioritariamente canalizados para projectos com impactos favoráveis no emprego, no ambiente e no reforço da coesão territorial e social: reabilitação do parque habitacional, expansão da utilização de energias renováveis, modernização da rede eléctrica, projectos de investimento em infra-estruturas de transporte úteis, com destaque para a rede ferroviária, investimentos na protecção social que combatam a pobreza e que promovam a melhoria dos serviços públicos essenciais como saúde, justiça e educação.
aa) Manuel Brandão Alves, Economista, Professor Catedrático, ISEG; Carlos Bastien, Economista, Professor Associado, ISEG; Jorge Bateira, Economista, doutorando, Universidade de Manchester; Manuel Branco, Economista, Professor Associado, Universidade de Évora; João Castro Caldas, Engenheiro Agrónomo, Professor Catedrático, Departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural do Instituto Superior de Agronomia; José Castro Caldas, Economista, Investigador, Centro de Estudos Sociais; Luis Francisco Carvalho, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; João Pinto e Castro, Economista e Gestor; Ana Narciso Costa, Economista, Professora Auxiliar, ISCTE-IUL; Pedro Costa, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; Artur Cristóvão, Professor Catedrático, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro; Álvaro Domingues, Geógrafo, Professor Associado, Faculdade da Arquitectura da Universidade do Porto; Paulo Areosa Feio, Geógrafo, Dirigente da Administração Pública; Fátima Ferreiro, Professora Auxiliar, Departamento de Economia, ISCTE-IUL; Carlos Figueiredo, Economista; Carlos Fortuna, Sociólogo, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; André Freire, Politólogo, Professor Auxiliar, ISCTE; João Galamba, Economista, doutorando em filosofia, FCSH-UNL; Jorge Gaspar, Geógrafo, Professor Catedrático, Universidade de Lisboa; Isabel Carvalho Guerra, Socióloga, Professora Catedrática; João Guerreiro, Economista, Professor Catedrático, Universidade do Algarve; José Manuel Henriques, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; Pedro Hespanha, Sociólogo, Professor Associado, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; João Leão, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; António Simões Lopes, Economista, Professor Catedrático, ISEG; Margarida Chagas Lopes, Economista, Professora Auxiliar, ISEG; Raul Lopes, Economista, Professor Associado, ISCTE-IUL; Francisco Louçã, Economista, Professor Catedrático, ISEG; Ricardo Paes Mamede, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; Tiago Mata, Historiador e Economista, Universidade de Amesterdão; Manuel Belo Moreira, Engenheiro Agrónomo, Professor Catedrático, Departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural, Instituto Superior de Agronomia; Mário Murteira, Economista, Professor Emérito, ISCTE- IUL; Vitor Neves, Economista, Professor Auxiliar, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; José Penedos, Gestor; Tiago Santos Pereira, Investigador, Centro de Estudos Sociais; Adriano Pimpão, Economista, Professor Catedrático, Universidade do Algarve; Alexandre Azevedo Pinto, Economista, Investigador, Faculdade de Economia da Universidade do Porto; Margarida Proença, Economista, Professora Catedrática, Escola de Economia e Gestão, Universidade do Minho; José Reis, Economista, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; João Rodrigues, Economista, doutorando, Universidade de Manchester; José Manuel Rolo, Economista, Investigador, Instituto de Ciências Sociais; António Romão, Economista, Professor Catedrático, ISEG-UTL; Ana Cordeiro Santos, Economista, Investigadora, Centro de Estudos Sociais; Boaventura de Sousa Santos, Sociólogo, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Carlos Santos, Economista, Professor Auxiliar, Universidade Católica Portuguesa; Pedro Nuno Santos, Economista; Mário Rui Silva, Economista, Professor Associado, Faculdade de Economia do Porto; Pedro Adão e Silva, Politólogo, ISCTE; Nuno Teles, Economista, doutorando, School of Oriental and African Studies, Universidade de Londres; João Tolda, Economista, Professor Auxiliar, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Jorge Vala, Psicólogo Social, Investigador; Mário Vale, Geógrafo, Professor Associado, Universidade de Lisboa.
Observação da casa: Limito-me a constatar que, afinal, há, em Portugal, mais economistas do que os 28 de Manuela Ferreira Leite e que não subscrevem as suas teses. Embora não seja economista, com vossa licença, também subscrevo.

Observação dos dias (IX)

[Pega-azul (Cyanopica cyanus Bonaparte)]
(Esta ave, por enquanto, não está preocupada com esta sondagem. Mais tarde, ver-se-á. Sendo azul, como se vê, em nenhuma circunstância, votará "laranja". E também não emigra.)

(Local da obtenção da imagem: Vila Nova de Foz Côa; 30-05-2009)
(Clicando sobre a imagem, amplia)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Falta a revelação !

O Governo, como lhe cumpria, decidiu marcar as eleições autárquicas para o próximo dia 11 de Outubro, de acordo com a preferência manifestada por todos os partidos políticos previamente ouvidos sobre o assunto, nos termos da lei.
Tendo o Presidente da República procedido já à audição dos partidos sobre a marcação das eleições legislativas e removido que está o obstáculo (marcação prévia das autárquicas) que, na sua original leitura das disposições constitucionais, o impedia de anunciar a sua opção quanto à data das legislativas, só nos resta agora esperar pela revelação presidencial que ponha termo a mais este tabu. Revelação que aqui se aguarda com especial interesse para verificar até onde vai a cumplicidade Cavaco/Manuela e para concluir se o peso dos dois juntos não é demais para uma só bicicleta.
Adenda:
Entretanto, o PSD continua a pedalar por eleições no mesmo dia e o PCP entende que o Presidente da República "não pode deixar" de acolher a opinião maioritária dos partidos e convocar as eleições legislativas para data diferente das autárquicas. Lá poder, até pode. Não sei é se essa vai ser a sua opção, apesar de não ter querido pronunciar-se (se, por alguma razão, mais tarde se verá) antes da marcação das autárquicas. O que não significa que, embora podendo, o deva fazer. Se o fizer, os portugueses terão, mais tarde ou mais cedo, oportunidade para lhe mostrar que não devia. E quanto mais cedo, melhor.

Assim se vê / a força do ... PSD*

(* Titulo roubado ao ... PCP)

Citações # 37

"Não é sério atribuir-se a si mesmo a totalidade da verdade e ao adversário a totalidade das mentiras."
João Cardoso Rosas: A mentira da verdade

Negócio Prisa/PT: o veto

Compreendo as razões do Governo, mas discordo da decisão, por uma razão simples: embora o veto constitua uma prova irrefutável de que o Governo não pretendia interferir na linha editorial da TVI, de pé permanecerá a suspeita. É a vantagem de toda e qualquer suspeição quando não baseada em provas. Quem lança a suspeita sabe que assim é e que não há maneira de dar a "volta ao prego". Por isso mesmo, julgo que melhor fora que o negócio fosse concretizado (se, como parece, era vantajoso para ambas as partes) e que se deixasse que os factos se encarregassem de demonstrar, a posteriori, que a suspeição lançada não tinha fundamento.
Adenda:
Não foi preciso esperar muito para confirmar que os pais da suspeição (a arma dos cobardes) não iam ficar calados: Para MFL o veto do Governo serve apenas para defender a imagem, como se não fosse ela a primeira (ir)responsável pela tentativa de a enlamear.
Para o CDS, o Governo deixou de ter interesse em que a PT compre a TVI só depois de saber que o director-geral daquele canal "não sai". E não sai mesmo ?
Para os partidos da direita, pelos vistos, é-se "preso por ter cão e preso por não ter". Começo a ficar enojado! Desculpem o desabafo, mas tudo deve ter limites. Até a pouca vergonha !

Provedor de Justiça: fumo branco

O nome de Alfredo José de Sousa, agora proposto, em conjunto pelo PS e pelo PSD, como novo provedor de Justiça, não me aquece, nem me arrefece. Ou antes, até arrefece, se tiver em conta que a sua apresentação, como candidato conjunto, se fica a dever à persistente e inexplicável recusa por parte do PSD em aceitar a candidatura de Jorge Miranda, personalidade bem melhor talhada para o exercício de tal cargo.

Observação dos dias (VIII)

[Narciso-das-areias (Pancratium maritimum L.)]
(Uma beleza aproveitando o sol, na praia.)
(Clicando sobre a imagem, amplia)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A incoerência em política tem nome: MFL

Manuela Ferreira Leite revelou hoje quais serão as duas “bandeiras fundamentais” do programa eleitoral: educação e justiça, e, na mesma circunstância, afirmou que hoje, em Portugal, “não se premeia o mérito nem se condena o demérito”.
Diria que estas duas afirmações, quando conjugadas, são a prova provada de que esta senhora tem direito ao título não de "loira do regime", que já tem dono, mas de "incoerente do regime".
Com efeito, sendo verdade que MFL tentou, através da apresentação de uma proposta de resolução na Assembleia da República, suspender a avaliação dos professores (e se mostrou solidária com a luta destes contra qualquer avaliação) como é que ela vai premiar o mérito e condenar o demérito, no sector da educação?
Haja quem me explique.
E no que respeita à Justiça não foi o PSD quem rasgou (verbo de que ela tanto gosta) o pacto que sobre esta matéria celebrou com o PS, impedindo, por esse modo, a concretização de reformas de que a Justiça tanto carece?
Onde está a coerência ?
Mas, para que não restem dúvidas: que dizer, quando ela afirma que Santana Lopes é “exemplo democrático para todos os elementos do partido”, sendo sabido que foi ela também quem se recusou a afirmar que tinha votado em Santana Lopes nas últimas eleições legislativas?
Coerência, onde moras ?
Porém, quanto a Santana Lopes, MFL não se fica por aqui em matéria de elogios, pois, no dizer dela, " Pedro Santana Lopes teve a humildade de optar por candidatar-se a uma autarquia.”
Candidatar-se à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, em vez de aceitar a candidatura a deputado é prova de humildade ?
Só para quem não está bom da cabeça, ou não sabe que o lugar de presidente da Câmara de Lisboa é um dos que maior visibilidade pública confere ao respectivo titular. Até Pedro Santana Lopes sabe isso! Ela, pelos vistos, nem isso!

O tandem Cavaco-MFL

Não é a primeira vez e, por certo, não será a última que vemos o tandem Cavaco-MFL a funcionar, tal como agora no caso do negócio PT/PRISA relativo à aquisição, por aquela, de uma participação na Media Capital, dona da TVI: uma lançou a suspeita, o outro, prestes, acorreu a exigir explicações.
Todavia, se o negócio se vier a concretizar nos termos anunciados (Acordo PT-TVI quase concluído, José Eduardo Moniz fica na estação) prova-se que, para além de não terem razão nas suspeições, para ambos, na luta política, é o vale tudo. Mesmo que tenham que recorrer ao insulto, já que, como bem diz Zeinal Bava (presidente executivo da PT) “Qualquer sugestão de instrumentalização é um insulto”.

Nem agora, nem no futuro será necessário subir impostos

Querem melhor chapada ?

Querem melhor chapada? Em Manuela Ferreira Leite, Cavaco Silva e tutti quanti?
Por vezes, donde menos se espera, "sai a melra". Ou o melro, como é o caso.
Entretanto, cabe-me a mim retirar o que disse: afinal, JEM não precisa de madrinha.

Consensual só se for do PSD

Dificilmente poderá o PSD encontrar uma personalidade com as condições necessárias para ocupar o cargo de Provedor de Justiça, como o Prof. Jorge Miranda: jurista de mérito e como tal amplamente considerado, constitucionalista com provas dadas até na elaboração da Constituição da República e sem outras ligações a partidos políticos que não sejam as que se prendem com o próprio PSD, como deputado por tal partido à Assembleia Constituinte. Logo, para o comum dos mortais, reuniria todas as condições para que a sua escolha para o cargo fosse consensual.
Não assim para o PSD que o recusou, nem, pelos vistos, para o vice-presidente do mesmo partido, José Pedro Aguiar Branco que considera agora que com a desistência de Jorge Miranda pode surgir uma hipótese de se encontrar uma solução que seja mais consensual.
Disse "mais consensual" ? José Pedro Aguiar Branco toma-nos por parvos, ou quê ?
Está visto que para o PSD, consensual é o mesmo que ser do PSD. Tal como Mário Raposo (1990 - 1991) Menéres Pimentel (1992 - 2000) e Nascimento Rodrigues, (o último) todos do PSD.

Olhe para Portugal !

Mandem o recado a Manuela Ferreira Leite. E, de caminho, aos demais dirigentes partidários. E, já agora, a Pacheco Pereira, o anti-Magalhães. Please!

A dignidade e o cinismo

Jorge Miranda, invocando a sua dignidade pessoal, resolveu retirar a sua candidatura ao cargo de provedor de justiça, porque, como afirma "verificou-se que depois de duas votações parlamentares, numa das quais, a segunda, eu tive mais de dois terços dos votos expressos, o Partido Social-Democrata continua a insistir em não aceitar o meu nome, apesar de saber que eu sou uma personalidade independente".
Fez bem em não pactuar com a falta de seriedade que por aí campeia.
Ao invés, Cavaco Silva, revela até que ponto pode chegar o cinismo em política, ao lamentar decisão de Jorge Miranda, afirmando: "Se foi uma desistência não é bom para o nosso sistema democrático".
Pergunta-se: o que fez ele para evitar tal desistência ?

As "certezas" de MFL

"Um abalozinho de terra"

Ainda a entrevista dada à SIC:
Para Manuela Ferreira Leite, a maior crise económica mundial dos últimos 80 anos (é assim que a generalidade dos peritos qualificam a actual) não passa de um "abalozinho de terra".
Sendo assim, cabe perguntar: é esta a política de verdade que a líder do PSD nos promete ?
Cá por mim respondo: quem faz uma tal afirmação ou não é economista ou não é séria. Ela que escolha.
E diria mais: quanto à política de verdade, estamos conversados !

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A madrinha

Não sei se, como Manuela Ferreira Leite (MFL) afirma categoricamente, o primeiro-ministro foi posto ao corrente das negociações entre a PT e o grupo Prisa com vista à aquisição, por aquela, de uma participação na "Média Capital", dona da TVI. Como não sei, igualmente, se o negócio vai ou não concretizar-se e em que termos. O mais que sei, através desta notícia , é que tais negociações existem.
Mais importante, no entanto, foi o ter ficado a saber, depois da entrevista dada por MFL à SIC, é que esta senhora é madrinha de José Eduardo Moniz, pois, segundo se lê aqui, para MFL "seria “verdadeiramente escandaloso” e uma “interferência num órgão de comunicação social” se a PT comprasse parte da Média Capital, do grupo espanhol Prisa, e José Eduardo Moniz deixasse o cargo de director-geral da TVI".
É verdade que esta madrinha tem umas ideias muito originais sobre comunicação social, mais próprias do antigamente, pois, como convém recordar, a frase "Não pode ser a comunicação social a seleccionar aquilo que transmite" é dela. Madrinha, no entanto, é sempre madrinha e José Eduardo Moniz, por certo, agradece. Até porque, amor com amor se paga.

As contas da merceeira

Manuela Ferreira Leite (MFL) acaba de confirmar, na entrevista dada à SIC, que vive obcecada com o problema do endividamento externo, a tal ponto que viu, uma segunda vez, a entrevista de José Sócrates dada à mesma estação de televisão, para verificar se o primeiro-ministro tinha proferido algum "murmúrio" sobre a questão e mostrou-se altamente escandalizada pelo facto de o não ter ouvido.
Diga-se que a estimável senhora até é a favor do investimento público, só que lá está, uma vez mais, o endividamento que "só nos faz empobrecer". Não obstante, a senhora promete-nos que o país, com a sua política, vai enriquecer. Infelizmente, não nos diz como, nem com que meios. Se não existem recursos internos e o país não pode continuar a endividar-se, como é que a venerável senhora vai obter recursos para o conseguir ?
A resposta só pode ser: magia, por certo, só ao alcance desta "maga" das finanças que tem a ousadia de nos falar em negócios ruinosos realizados por outros, mas que se esquece do negócio, ruinoso por excelência, por ela concretizado com o Citigroup, cujos encargos estamos e continuaremos a pagar.
Entusiasmados com este discurso sobre o endividamento, os agentes económicos devem, por esta altura, estar já a congeminar novos investimentos, embora não saibam, com a receita da merceeira, onde encontrar os meios. Até a crise, ao ouvir MFL falar de "endividamento" (palavra em que ela, insistentemente, tropeçou) se pôs a andar. Foi mesmo "um ver se te avias"!

Uma perguntinha ...

Se, como há dias, o procurador-geral da República afirmou, na entrevista dada ao "Expresso, o caso Freeport não é um processo complexo, como explicar, então, a demora na sua conclusão ? E mais: porquê esta constituição de arguidos a conta gotas ?
Adenda:
Entre ontem e hoje, a 5ª gota. Abriram, finalmente, a torneira ?
Assim parece, com mais esta.

Só e a contar com o favor presidencial

PS, BE, PCP, CDS e PEV voltam a pronunciar-se contra a simultaneidade das eleições legislativas e autárquicas. Só Manuela Ferreira Leite e o seu partido continuam a defendê-la. Nem a anunciada (por Paulo Rangel e Guilherme Silva) coligação com o CDS lhes vale. Pelos vistos, só podem contar com o favor presidencial para alcançar o seu objectivo. É mau sinal. Para o PSD, seguramente, porque surge isolado. Mas também para o Presidente, se lhe fizer o jeito, pois a sua imparcialidade de julgamento será posta em causa. Como será de inteira justiça. Diga-se.

Revolta na Bounty ?

Com o "capitão" (J. M. Fernandes) ausente in incertis partibus, (desembarcado algures) a nau cavaquista (em que o "Público" foi transformado) está, aparentemente, a ensaiar um novo rumo, sob a direcção do "imediato" Manuel Carvalho que, em dois dias seguidos (ontem e hoje) assinou outros tantos editoriais pouco ortodoxos, se atendermos à orientação editorial do seu director.
Ontem, afirmava: "O que tem de se saber é se somos capazes de formular juízos ponderados sobre quem decide, criticando quando discordamos e aplaudindo quando, afinal, eles acabam por chegar à nossa razão. A continuar assim, ancorados no conforto de dizer mal de tudo e do seu contrário, dispostos a jogar à defesa só por medo de falhar, só resta o caminho que nos está a levar ao cinismo e ao desespero" e "O que importa saber é se se fecha o país num casulo à espera que a tempestade passe ou se vale a pena acreditar que é em tempos difíceis que se fazem as grandes escolhas".
Convenhamos que este discurso se compagina mal com o "Pára tudo" de Manuela Ferreira Leite ou com o manifesto dos 28 (de que não se esqueceu) ao afirmar que "a terapia sugerida por políticos ou personalidades influentes pode ser perigosa ".
Hoje, aparece a contrariar a indisfarçável "inclinação presidencial" (coincidente com a posição do PSD e da sua líder) para a marcação simultânea das eleições legislativas e autárquicas, ao exarar estas considerações: "Fazer eleições simultâneas pode significar poupanças, pode evitar o cansaço dos eleitores, pode satisfazer a maioria dos que respondem às sondagens do Presidente e pode até [e sobretudo, acrescento eu] satisfazer os desejos estratégicos do PSD. Mas, caso seja tomada, essa decisão significará também um grave atentado contra a saúde democrática de centenas de autarquias nacionais". Isto porque "o silenciamento do debate autárquico imposto por uma eleição simultânea teria custos (...) graves nas autarquias, (...) palcos onde, afinal, a democracia mais padece dos males da prepotência, do caciquismo e do nepotismo", sendo que " é no decorrer das campanhas autárquicas que muitos dos problemas e dos atentados à democracia chegam ao conhecimento do país (...).
Pese embora o título, não estamos perante nenhuma "revolta", como é óbvio. Trata-se, tão só, de um ensaio de independência. Que não irá longe, por certo, mas que, entretanto, se louva.
(reeditada)

“Era fácil para alunos que estudaram”

Depois de tanta consideração:
(Exame de Matemática A do secundário “não é escandalosamente fácil” e
Associação de Professores de Matemática diz que prova cumpre programa)
a conclusão:
“Era fácil para alunos que estudaram”
E, pergunto eu: não foi e não será sempre assim ?
Onde está, pois, a novidade para tanto catar piolhos ? Como aqui, por exemplo.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Avifauna portuguesa # 56 : Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

[Cegonha-branca (Ciconia ciconia L.) no ninho]

(Local e data: Rapoula do Côa - Sabugal; 13-06-2009)
(Clicando sobre a imagem, amplia)

Obscenidades

O montante da cláusula de rescisão, o custo da transferência (94.000.000,00€) e o salário de Cristiano Ronaldo (só perceptível para o comum dos mortais, se contabilizado, não ao mês, nem ao dia, mas ao minuto) não passam de obscenidades. Que chocam quem ainda tem algum sentido das realidades, nos dias que correm. Acho eu.

O meu "lado masoquista"

Embora o meu voto não corra o risco de ir a parar a tais bandas, confesso-me ansioso pela chegada de um Governo liderado por MFL (Manuela Ferreira Leite, in extenso).
É, certamente, o meu "lado masoquista" a explicar tal contradição. Ou então, o meu "lado bloguista", porque, também pela certa, vai ser um fartote. De riso !
Com a esperança de que a experiência não venha a durar muito e com a vantagem suplementar (desejada) de que possa servir de vacina. É que há muita gente (à direita, ao centro e à esquerda) a precisar. Digo eu.
Adenda:
Confirmam-se as minhas "esperanças": o PSD já vê “o fim de um ciclo do Governo do PS”.
Terá sido por um canudo ?

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A "guerra" dos poços

Como se chegou a toda a celeuma levantada a propósito da obrigação que, segundo a comunicação social, incidiria sobre generalidade dos donos de poços e furos e, nos termos da qual, aqueles teriam de declarar a sua existência e obter um título de utilização junto das administrações da respectiva região hidrográfica, obrigação que, afinal, diz apenas respeito aos proprietários que tenham motores com capacidade para extrair 110 metros cúbicos por hora, o que representará menos de um por cento dos casos ?
O ministro do Ambiente admite que pode ter havido simultaneamente falha de comunicação, erro de percepção e manipulação. Eu não vou fora disso, mas julgo que a responsabilidade primeira cai sobre os serviços do Ministério do Ambiente, que surgido o fogo, deviam atempadamente tê-lo extinto, o que não foi o caso. Se esclarecimentos houve, eles não chegaram ao conhecimento da generalidade da população. E o que acaba de se dizer, em relação ao passado recente, continua a ser verdade no presente, pois as declarações do ministro nas páginas de um jornal não são suficientes para acalmar as populações.
Seria bom que alguém chamasse a atenção do ministro do Ambiente para a necessidade de os serviços que tutela virem a público esclarecer as populações, através dos grandes meios de comunicação social, para, de uma vez por toda, se acabar com esta "guerra" que tem custos eleitorais não despiciendos. E não só ao nível das populações rurais, mas também nos meios urbanos, pois há muita gente na cidade que tem um poço lá na horta da sua terra.
O ministro Nunes Correia tem aqui uma boa oportunidade para sair do "biombo". Se nada fizer, confirma-se que é lá que há muito devia estar. Ou mais longe ainda !

O baptismo do ano

Luís Filipe Menezes pode não ter sido um bom dirigente partidário, mas merece, sem dúvida, o prémio de melhor padrinho do ano, ao baptizar Pacheco Pereira de "loira do regime".
Apesar da justificação ensaiada por Menezes (lisonjeira, na perspectiva deste), aquele não achou graça ao baptismo, pelos vistos. Fica, assim demonstrado que Pacheco Pereira não só tem fraco poder de encaixe, como não usa do remédio que com frequência recomenda a outros, vítimas de bem maiores agravos.
E como não gostou, Pacheco Pereira nem sequer se ensaiou para retaliar o órgão de comunicação social que serviu de baptistério. O seu conceito de liberdade de imprensa é um tanto unilateral. Nada que não se soubesse já, mas sempre fica o aviso. Se algum dia tiver poder para tanto (longe vá o agoiro) ele tratará de domesticar a comunicação social. Esta que se cuide!

Em bicos de pés ?

Segundo Francisco Louçã, o Bloco de Esquerda está disposto a prescindir da apresentação de um candidato próprio às eleições presidenciais, se Manuel Alegre se dispuser a entrar na corrida, pois representaria “um grande vendaval de esperança e uma renovação da emergência política em Portugal”.
Passando por cima de tão grande entusiasmo, que não compartilho, esta tomada de posição do dirigente bloquista pode ser lida como uma inflexão na estratégia seguida, até agora, de hostilização do PS. Porventura com receio (tardio) do triunfo da direita, nas próximas legislativas ?
Será assim, ou será mais, simplesmente, mais um expediente para se pôr em bicos de pés?
Fiquemo-nos, por ora, pela interrogação.

domingo, 21 de junho de 2009

Observação dos dias (VII)

[Goivinho-da-praia - Malcomia littorea (L.) R. Br.]

Com o fim da Primavera e a chegada do Verão: Flores. Na praia.

Scripta antiqua


do amor rouxinol

Março quente
Choveu ontem à noite
Quem o disse
Foi o vento
Na manhã ao acordar
Havia flores a chorar

As águas do rio murmuram o aumento
Que nasceu ao meio dia
Quando o vento relatara a desgraça
Que afligira o mundo todo

Ele sabia
O canto último do rouxinol viúvo
Sem mulher que o amasse na noite
Quente ninho
Hábito antigo que perdeu
Ontem
Perdeu o pio

sábado, 20 de junho de 2009

Por Terras de Ribacôa: Sabugal (I)

(O Castelo)

(Escudo - pormenor da torre de menagem)

(Gárgula - pormenor da torre de menagem)

O Castelo do Sabugal, também designado por Castelo das Cinco Quinas, devido à planta pentagonal da torre de menagem, foi construído no reinado de D. Dinis, tendo sido concluído em 1313. Posteriormente, foi objecto de várias obras de beneficiação, de alteração e de restauro, como, com todo o pormenor, se pode ler aqui.
Está classificado como Monumento Nacional.
(Para ampliar, clicar sobre as imagens)

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Uns "empatas" é o que são...

Entre os subcritores do documento há alguns (poucos) pelos quais não tenho a menor consideração e outros (muitos) cujas opiniões, pelo contrário, me merecem respeito.
Não obstante, não me parece a recomendação que subscrevem seja a mais adequada aos tempos que correm, em que se vive uma crise geradora de desemprego, em que o investimento privado se retrai e em que, por isso, se impõe o reforço do investimento público. Para mais, quando se sabe que, para os entendidos na matéria, a construção do novo aeroporto de Lisboa é premente e que a construção do TGV, além de necessária para assegurar o rápido transporte de pessoas e mercadorias em direcção à Europa, foi objecto de compromissos assumidos com Espanha que, na execução desses compromissos, está já a fazer o que lhe compete.
Por outro lado, não estou a ver como é que estes senhores economistas resolvem o problema do aumento do desemprego. Talvez, seguindo a lição do Presidente da República, contruindo estradas secundárias no interior do país, onde não fazem falta!
Se, mesmo depois de todos os estudos que foram feitos, estes economistas consideram que, por exemplo, o calendário da construção do aeroporto de Lisboa deve ser revisto, então acho que o que estes senhores querem mesmo é que o Governo mande fechar a loja e entregue a chave à Drª Manuela do "Pára tudo".
Resumindo: uns "empatas"! Alguns bem intencionados, creio eu.

Não há pachorra !

Alguns deputados membros da Comissão Parlamentar de Inquérito ao Sector Bancário mostraram-se hoje muito ofendidos (em declarações prestadas antes da audição do ministro das Finanças) pelo facto de José Sócrates, na entrevista dada à SIC, ter manifestado a sua surpresa com o tratamento de deferência dado por alguns deputados inquiridores às pessoas a quem são imputadas responsabilidades pela situação a que chegou o BPN, em contraponto com o tratamento insolente (e no caso de Nuno Melo, malcriado) proporcionado ao governador do Banco de Portugal.
Já vi, a este propósito, atribuir a tais deputados o qualificativo de "virgens ofendidas". Ora, eu penso que não são uma coisa, nem outra. Na verdade, essa mesma afirmação ouviram eles da boca do governador do Banco de Portugal, durante a sua inquirição, que lhes disse isso mesmo, cara a cara, tendo eles comido e calado. Ora, se assim foi, tal significa que, ao ouvir o mesmo reafirmado por José Sócrates, já não era a primeira vez (logo não são virgens) e se, na altura própria, não reagiram, é porque não se sentiram ofendidos.
Ao que parece e ao que é por eles afirmado, no entender de tais deputados, José Sócrates, só pelo facto de ser primeiro-ministro está impedido de fazer apreciações menos lisongeiras para suas excelências, só porque as excelências são membros de um órgão de soberania de que o Governo depende.
O Governo depende, de facto, da Assembleia da República, mas não depende, nem do deputado A, nem do deputado B ou C. Por isso, criticar o órgão (Assembleia da República) parece-me inadmissível para o primeiro-ministro que dele depende. Pelo contrário, acho que o cidadão e secretário-geral do PS (José Sócrates) tem todo o direito de manifestar as suas opiniões em relação ao comportamento de cada um dos deputados e em relação todos os partidos onde eles se integram, em igualdade com todos os cidadãos e dirigentes partidários deste país. Isto parece-me tão evidente que julgo que nem carece de demonstração.
Tinha, aliás, a sua graça se levássemos o entendimento de tais deputados até às suas últimas consequências: em qualquer debate parlamentar, o primeiro-ministro teria de entrar mudo e sair calado, a menos que fizesse coro com todos os que o confrontassem.
Em nota de rodapé, devo dizer que assisti, em parte, ao desenrolar dos trabalhos da dita Comissão, pelo que posso testemunhar que, no caso do ex-presidente do BPN, Oliveira e Costa, assisti a uma audição, entremeada até com algumas graças para amenizar o ambiente e, no caso do governador do Banco de Portugal, o que vi foi uma inquirição. Só pela utilização das palavras (audição e inquirição) já se vê o quão justos foram os reparos de Vítor Constâncio e de José Sócrates.
Tais deputados, que são tão expeditos a criticar, quanto sensíveis às críticas quando estas lhes tocam, não gostaram. Paciência ! É que não há pachorra para tanta sensibilidade ! Digo eu.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Um Presidente posto à prova

Com excepção do PSD, nenhum dos partidos com representação parlamentar quer a marcação das eleições legislativas e das autárquicas para a mesma data. Que essa é a opção do PS já se sabia há muito. O BE, o PCP, o CDS e o PEV afirmaram-no agora e, por alguma razão, até estão de acordo quanto às datas preferidas para a realização de umas e de outras (27 de Setembro para as legislativas e 11 de Outubro para as autárquicas).
Perante este coro, o Presidente da República, embora tenha o pão e o queijo na mão, dificilmente se arriscará a fazer a vontade a Manuela Ferreira Leite. A colagem aos desejos da Drª Manuela seria por demais evidente e lá se ia o mito da independência do Presidente e da imparcialidade dos seus juízos. O risco seria demasiado grande. Isto, claro está, no caso de o Presidente da República estar a ponderar a hipótese de se candidatar a um segundo mandato, hipótese que não sei se é verdadeira, se falsa.
Se for verdadeira, é quase certo que podemos ir marcando na agenda as datas de 27 de Setembro e de 11 de Outubro para, de novo, irmos às urnas. De novo, bem entendido, só para que os já foram e não são muitos, como se sabe.

Por todos os motivos e mais um !...

Manuela Ferreira Leite afirmou hoje que o PSD vai defender que as eleições legislativas e autárquicas sejam realizadas no mesmo dia. "Por todos os motivos", diz ela.
Por todos os motivos e mais um, digo eu. A realização na mesma data das legislativas e das autárquicas, com o aparecimento de uma multidão de candidatos, é uma excelente forma de tentar, uma vez mais, passar despercebida, numa campanha para a qual, manifestamente, não tem "jeito". Que o não tem para comícios já ela o disse. Quanto ao resto não tenho eu grandes dúvidas.

Cuidado com os exageros ! ...

Digam o que disserem, o "anúncio" da "morte" política de José Sócrates era, afinal e manifestamente, um exagero. Viu-se, ontem, no debate da moção de censura, mas sobretudo na entrevista à SIC, conduzida por Ana Lourenço (uma senhora !), onde surgiu ao seu melhor nível.
Os ansiosos "coveiros", como este, podem guardar as enxadas: ele está vivo e bem vivo !

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Observação dos dias (VI)

O Dia da Donzelinha
(Filo: Arthropoda; Classe: Insecta; Ordem: Odonata; Subordem:Zygoptera)
(Homenagem do editor)

As formigas agradecem...

No "Sobe e Desce" do "Público" (edição impressa) o Presidente da República (PR) tem sempre, salvo muito raras excepções, direito a seta apontada para cima. Na edição de hoje, para não fugir à regra, o PR ganhou direito a mais uma. Graças a quê ? Transcrevo: "O Presidente congratulou-se com o adiamento do TGV. E deixou no ar, em jeito de alternativa, a urgência da aposta em estradas secundárias do interior que, não sendo tão vistosas, podem, na sua opinião, ser mais importantes para o desenvolvimento e a coesão territorial. Ainda bem que o Presidente aprendeu com os excessos do seu Governo. Como se viu, não é com obras sumptuosas que o país avança."
Quer a opinião do Presidente, quer a peça são uma delícia e vê-se bem que, nem o PR, nem o autor da peça fazem ideia da realidade e das necessidades do interior. Por aí andei agora, durante umas três semanas, durante as quais não vi, nem senti da parte das gentes do interior, qualquer necessidade de novas ligações ou de melhoria de estradas secundárias, assunto de que as autarquias locais (municípios e freguesias) têm tratado com eficiência, algumas vezes (ouso dizê-lo) pecando até por excesso. E, já agora, falando daquilo que melhor conheço, informo que para "o desenvolvimento e coesão" da Beira Interior foi, e é, bem mais importante a construção da A-23 [no entender de Cavaco Silva (enquanto Presidente, que não enquanto primeiro-ministro) obra sumptuosa, por certo] que milhentas estradas secundárias que não fazem falta nenhuma.
A sugestão do PR é, pois, a meu ver, do domínio do anedótico e como tal deve ser tratada. Por isso, não vou ao ponto de dizer que não tenha alguma utilidade, porque tem: as formigas, nos caminhos rurais e nas estradas de terra batida, vêem-se em dificuldades para arrastar as cargas que transportam em direcção aos formigueiros, devido às irregularidades do terreno. A melhoria e a asfaltagem desses caminhos e estradas seria, na perspectiva das formigas, um grande benefício. Estas, estou certo que se revêem na posição do PR e que, reconhecidas, agradecem.
Adenda:
Em tom mais sério, devo dizer que, no interior do país, há, com certeza, carências. Estou a lembrar-me, por exemplo, que não existe suficiente cobertura das redes móveis e, por isso, não há possibilidade, em muitas aldeias do interior, nem de uso de telemóveis, nem acesso à internet, a não ser através dos telefones fixos, que, hoje, muito boa gente já não tem. Isto, porém, cheira a "Plano Tecnológico" e disso não convém falar.

Moção de censura: um tiro pela culatra

Já se sabia, à partida, que a moção de censura ao Governo apresentada hoje pelo CDS na Assembleia da República era um acto inútil, pois, a três meses de eleições legislativas, nenhum resultado relevante dela resultaria, mesmo que fosse aprovada, o que não aconteceu, como também era previsível que o não fosse.
O que não se esperaria é que moção acabasse também por ser um tiro saído pela culatra. Virando-se o feitiço contra o feiticeiro, o debate da moção demonstrou que a direita parlamentar, constituída pelo partido proponente (CDS) e pelo partido que a votou favoravelmente (PSD) é incapaz de apresentar uma alternativa de Governo. Diga-se que, em boa verdade, aqueles partidos nem sequer tentaram fazê-lo. Não o tentou o partido proponente, que transformou a moção numa série de perguntas ao Governo como se estivesse num debate parlamentar e não o tentou o PSD, que continua enredado na "grande" questão do TGV, como se este fosse o grave problema com que o país se confronta.
Uma tristeza !
Adenda:
Embora a probabilidade de, alguma vez, estar de acordo com Alberto João Jardim, fosse diminuta, acabou por acontecer com a sua afirmação de que a "moção de censura do CDS ao Governo de José Sócrates foi um "favor" de Paulo Portas ao primeiro-ministro". E ao PS e ao Governo, tendo, para o efeito, contado com a prestimosa colaboração do PSD, acrescento eu.

Ei-los a salivar !

A empresa tem nome. Chama-se JP Sá Couto. O que importa, no entanto, não é o nome da empresa, mas sim o facto de fabricar o "Magalhães".
Confesso que até dá gosto ver como o "Magalhães" lhes caiu no goto: basta falar nele e ei-los, de imediato, a salivar !

O vazio e coisa nenhuma

E, acrescento eu, também podem não coincidir, como é sabido. Assim sendo, a declaração presidencial e a notícia que a reporta, não são mais do que verdadeiras inutilidades que se completam, juntando o vazio a coisa nenhuma !

terça-feira, 16 de junho de 2009

Que difícil é Crescer !

Ao ver actuação do deputado Nuno Melo como inquiridor de Vítor Constâncio (Governador do Banco de Portugal) na comissão de inquérito parlamentar à supervisão ao BPN veio-me à memória este "post" aqui lançado antes das eleições europeias: um cartaz do CDS e um breve comentário: "Que difícil é Crescer!".
É verdade que o prognóstico quanto ao resultado eleitoral do CDS saiu furado. Todavia e ao invés, o comentário, quando reportado à pessoa do cabeça-de-lista que nele figura (Nuno Melo) parece ter acertado no alvo. Em cheio.

Avifauna portuguesa # 55 : Chasco-ruivo (Oenanthe hispanica)

[Chasco-ruivo (Oenanthe hispanica L.)]

(Local e data: Sabugal; 11-06-2009)
(Clicando sobre a imagem, amplia)

segunda-feira, 15 de junho de 2009

"Os deuses devem estar loucos"...(I)

Retomo aqui, depois de alguns dias dedicados à "observação dos pássaros", as considerações sobre as eleições europeias, para destacar o quanto foram surpreendentes os resultados e as "vitórias" eleitorais do BE (de que ora trato) e do PSD (que fica para ulterior reflexão).
A primeira surpresa relativamente à votação no BE é o facto de, em termos eleitorais, este partido ter ultrapassado o PCP como terceira força eleitoral (possibilidade que as sondagens já apontavam, salvando assim, pelos mínimos, a honra do convento, já que no mais falharam redondamente) e a segunda o próprio resultado em si.
Sabendo-se que o BE não dispõe, nem da organização, nem da capacidade de mobilização do PCP é, sem dúvida, digno de registo o facto de aquele "bater" este, em termos eleitorais.
Julgo eu que, em boa medida, os resultados destas duas forças políticas são fruto do chamado voto de protesto. Considero, no entanto, que, tendo em conta tal carácter, o BE teve sobre o PCP a vantagem de o voto a seu favor ser isso (voto de protesto) e pouco mais que isso: toda a gente sabe qual o projecto de sociedade que o PCP defende, porque o próprio tem o cuidado (honra lhe seja) de nos esclarecer, ao indicar quais os países que considera empenhados na construção do socialismo, mas duvido que alguém possa dizer, com rigor, qual é o projecto do BE para Portugal. Para quem não queira fazer extrapolações a partir dos partidos que o originaram, o mais que pode dizer é que o projecto político do BE é uma enorme e impenetrável nebulosa.
Este aspecto parece-me essencial para compreender o voto no BE: aos eleitores não agradam as dificuldades actuais e não curam de saber (até porque isso implica algum trabalho de reflexão) se as causas da actual situação são internas ou externas. Logo, opta-se pelo mais fácil: protesta-se, votando em quem, fazendo coro com os protestos, menos problemas de "consciência" levanta, porque o voto no BE (ao contrário do voto no PCP) não é uma opção em termos de projecto político concreto. O facto de o BE se assumir tão só como um partido de contrapoder, recusando responsabilidades no plano da governação, é mais uma ajuda no mesmo sentido.
Diria, pois, que o voto no BE, nestas eleições europeias (ao contrário do voto no PCP) foi um voto fácil. E, pelas mesmas razões, volátil.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Palavra de Chapim-azul !





Este trabalhador, desde que ouviu o discurso de António Barreto, no 10 de Junho, tem andado num virote. Quer, à viva força, servir de exemplo. Palavra de chapim-azul !
(Clicando sobre as imagens, amplia)

Piu! Piu !...

Chapim-azul nas comemorações do 10 de Junho. Nos intervalos (curtos) entre idas e vindas de regresso ao ninho (providenciando alimento para as crias) foi fazendo ouvir os seus cantos, que o público em geral compreendeu, tal a clareza do seu cantar. Duvido que o mesmo se possa dizer dos discursos presidenciais, voluntária ou involuntariamente, transformados em oráculos: cada qual só ouve e retém o que mais lhe convém.
(Clicando na imagem, amplia)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

terça-feira, 9 de junho de 2009

Este nunca me enganou...

"O PSD está disponível para alterar os aspectos da lei do financiamento dos partidos contestados pelo Presidente da República até porque esteve contra eles".
Quem tal afirma é Paulo Rangel, segundo o PUBLICO.PT.
Assim sendo, cabe perguntar: então, como é? Esteve contra tais aspectos e votou favoravelmente a lei em questão ?
Depois desta e de outras afirmações de igual teor, quererá ele que o levem a sério?
A sua verborreia pode enganar muito boa gente. A mim nunca me enganou, nem engana, pois o novo "herói" da direita em geral e do PSD em particular não passa de um charlatão. Insisto: muita parra e pouca uva é o que dele se pode esperar. E, pelos vistos, uva estragada.
Post scriptum:
Esclareço que concordo com a alteração da lei, porque acho que o PR tem razão nos reparos que faz e estou de acordo com o veto presidencial. Como resulta do acima exposto, não é, pois, a disponibilidade do PSD para alterar a lei o que eu questiono. As piruetas de Paulo Rangel é que me impressionam.
(reeditada)

Diz e diz bem ...

Diz e diz bem. Não é o Estado (ou os contribuintes) quem tem de suportar os riscos de negócios em que não foi havido (o Estado) nem achados (os contribuintes). Quem correu os riscos que os assuma e ponto final. Ubi commoda ibi incommoda. Já era assim no tempo dos romanos.
Os clientes do BPP estão "completamente insatisfeitos" com a decisão do Governo em não injectar dinheiro público para garantir o retorno total das aplicações no Banco Privado Português? E eu ralado!
O Estado deve assegurar os meios de subsistência a quem deles careça, mas "não é nenhuma vaca leiteira". (Passe a pouca elegância da expressão).

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Arrogância a mais ...

Que o PSD foi o partido vencedor das eleições europeias é um facto e reconhecê-lo é obrigação de qualquer democrata. Tal não significa, no entanto, que assista ao PSD qualquer legitimidade para, na sequência de tal vitória, vir, uma vez mais, exigir que o Governo se abstenha de tomar decisões, como se a sua legitimidade se tivesse esgotado com estas eleições. Tal exigência não é legal, nem constitucional: as eleições realizadas ontem foram eleições para o Parlamento Europeu e não para a Assembleia da República de cuja composição resulta a formação do Governo. Enquanto Manuela Ferreira Leite (ou alguém por ela) não se submeter a sufrágio, em eleições legislativas, o PSD não conta com mais deputados na Assembleia da República do que os que já tinha, continuando, por isso, em minoria e, de acordo com as regras constitucionais, é como tal que terá de intervir na vida política. Constitucionalmente, com esta vitória do PSD, nem a actual maioria parlamentar ficou enfraquecida, nem os partidos vencedores viram a sua posição reforçada. Não subsiste, pois, do ponto de vista constitucional, qualquer dúvida sobre legitimidade do actual Governo nem sobre a sua capacidade para o pleno exercício da acção governativa. Sobre esse exercício se pronunciarão os cidadãos na altura própria e dirão de sua justiça.
Até lá, o PSD tem todo o direito de se regozijar e de festejar a sua vitória e de tirar todo o proveito dela, se o conseguir. O que não pode é fazer exigências que a lei lhe não consente. Proceder de tal forma é, no mínimo, revelador de um espírito pouco democrático. E, já agora, diga-se, arrogância a mais, face à modéstia dos números: contando o PSD com 31,68 % dos votos(menos de um terço dos votantes) num universo constituído por cerca de um terço dos eleitores inscritos, tal significa que o PSD recebeu o apoio da nona parte do eleitorado, se a minha matemática não falha. Não parece ser caso para grande embandeirar em arco! Acho eu.
(reeditada)