domingo, 27 de maio de 2012

A galinha de ovos de oiro e o camaleão

Com a Alemanha a financiar-se quase a custo zero, porque a ela afluem os fundos que desertam das praças dos países da UE mais endividados da UE, como Portugal, países que, por essa razão e em contrapartida, continuam a ver subir os custos dos financiamentos a que têm de recorrer cada vez mais, não admira que a senhora Merkel não queira prescindir da galinha de ovos de oiro que, para a Alemanha, outra coisa não tem sido a actual crise das dívidas soberanas. Por isso também se compreende perfeitamente que a senhora continue a opor-se firmemente à criação de eurobonds como forma de mutualizar a dívida dos países do euro, porque assim matava a galinha.
O que já não se compreende é que alguém, como Passos/Coelho chefe do "governo" dum dos países da zona Euro com a corda na garganta, continue a alinhar nas teses da senhora Merkel, ao defender decididamente que "as eurobonds não são uma resposta para a situação actual", contrariando as teses do primeiro-ministro italiano Mario Monti (para quem elas "são necessárias e (...) devem ser implementadas num futuro próximo") ou do presidente francês François Hollande que, depois de eleito e empossado, já "reiterou a sua proposta de emissão de títulos europeus da dívida pública, os chamados 'eurobonds'".
Curiosamente, Passos/Coelho, após ter mantido, durante a Cimeira da Nato, em Chicago, um encontro com o presidente francês, veio declarar, no seguimento, que foi estabelecida uma "boa base de trabalho". Não se vê como, com posições tão divergentes sobre a questão central da criação das eurobonds, como forma de resolver a crise europeia.
O que me leva a crer que Passos/Coelho, para além de "náufrago e suicida" também não recuse vestir a pele do camaleão. Não tem esta espécie a capacidade de mudar de aspecto consoante o ambiente ? E não tem Passos/Coelho, como parece, a capacidade de adaptar o discurso consoante o interlocutor?
(ilustração daqui)

1 comentário:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

E o Seguro cai como um anjinho no discurso balofo e nas palmadinhas nas costas.