sexta-feira, 4 de maio de 2012

Melhor em quê?

Não é só o Coelho, Carlos!
Então não é que também o Bagão Félix se saiu hoje com esta "boutade": "Portugal está melhor, mas os portugueses estão pior"!
Deixando de parte a contradição que uma tal afirmação em si própria encerra, pois não se vê como é que um país pode estar melhor se os seus habitantes, no seu conjunto, estão pior,  pede-se ao senhor Bagão Félix o favor de esclarecer onde é que estão os indicadores da melhoria do país, se:
- o desemprego, que é maior chaga social, continua a galopar, tendo saltado já para lá dos 15%, (no final de Março, para sermos exactos, atingia já 15, 3%)  com tendência para subir, tendência reafirmada por Passos/Coelho, há dias, com o ar displicente de quem nada tem a ver com o assunto;
- a economia que, em 2010 ainda cresceu, embora ligeiramente, vai, segundo as previsões mais favoráveis (as do próprio governo) conhecer uma recessão  na ordem dos 3,3%; 
- a dívida pública portuguesa tem continuado a aumentar exponencialmente, tendo já ultrapassado em muito os 100% do PIB;
- a pobreza continua a alastrar mais e mais;
- o subsídio de desemprego diminuiu;
- o número de desempregados sem subsídio continua a crescer;
- o país se está a financiar, a curto prazo, a juros muito superiores aos exigidos à Espanha e à Itália, por exemplo. (3,9% no último leilão, para um financiamento a 12 meses). A curto prazo digo eu, porque a médio e longo prazo, nem pensar, com os juros das obrigações da dívida pública portuguesa, a cinco anos, a atingir 12,318%  e  10,813%, a 10 anos)

Chega, acho eu, para demonstrar o absurdo da afirmação.

O senhor Bagão Félix alega que Portugal está melhor no que respeita às necessidades de financiamento externo. Melhor fora que assim não fosse. De facto, é caso para lhe perguntar: o acordo celebrado com a troika terá servido para quê ? Não  foi para assegurar o financiamento externo, enquanto durar a sua intervenção?
Mas mesmo sobre este ponto ainda é cedo para ter certezas, pois não falta quem garanta que Portugal,  quando tiverem acabado os fundos disponibilizados pela troika e tiver que recorrer aos mercados para se financiar a longo prazo, nos finais de Setembro de 2013, não vai encontrar quem esteja disposto a fazê-lo.  Um sinal nesse sentido acaba de ser dado pelo Fundo de Pensões do Banco Central da Noruega. A confiança do Fundo na capacidade de Portugal honrar os seus compromissos é tanta que se desfez de toda a dívida pública portuguesa. Em todo o caso, quando lá chegarmos, veremos, mas uma coisa é certa, para já, quanto a mim: quando esse dia chegar, o país vai estar completamente destroçado pela política de "empobrecimento" que este governo está a levar a cabo. Essa é que essa! 
O resto são tretas.

3 comentários:

Isa GT disse...

Ainda agora comentei esta frase noutro blogue... um país sem povo... nunca vi mas deve ser interessante... se calhar, está a falar dos outros habitantes que estão melhor... as bestas, as sanguessugas, os piolhos, as carraças... ;)

Bjos

Francisco Clamote disse...

Se calhar, é isso, Isa!
Ou então, para eles, o país são as pedras da calçada.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Acabei há pouco de ler, Francisco, e fiquei alguns minutos de boca aberta.
De qualquer maneira, tb não esqueço que ele já fez duras críticas à política de austeridade deste governo.
Abraço e bom fds