domingo, 27 de maio de 2012

Fez-se luz!

Ainda o périplo de Cavaco Silva não terminou, pois ainda se encontra em Singapura e não falta já quem se interrogue sobre se a viagem foi (é) vantajosa para o país, tendo em conta o rácio custo/benefício, não falando também que se pronuncie pela negativa. 
É caso para ponderar, porque, de facto, o périplo serviu para quê?
Pondo de parte o caso da visita a Timor que, suponho, ninguém porá em causa, tendo em conta os laços históricos e de amizade que ligam os dois povos, que temos, atendendo aos ecos que nos chegam através da comunicação social, para colocar na balança do lado dos "benefícios" ?

Enumeremos:
- Um apelo ao aumento do investimento em Portugal dirigido aos empresários indonésios que serão "muito bem-vindos", apelo provavelmente destinado a cair em saco, não só devido à distância que separa os dois países, mas também porque não devem ignorar por lá que os eventuais bons negócios (vide casos EDP e REN) estão reservados para a China que, além do mais, tem uma capacidade financeira e uma estratégia que a Indonésia não tem. Isto sem ter em conta que o Estado português dispõe de estruturas instituídas para realizar este tipo de acções, de forma profissional e continuada, logo, mais profícua;

- A plantação dum sobreiro em solo australiano, acção que se espera, apesar das boas intenções, não venha a dar origem à proliferação da espécie em terras australianas. É que essa eventualidade, embora constituindo uma forma de retribuição, devida aos australianos, pela introdução, em Portugal, do eucalipto, espécie originária, como se sabe, da Austrália, não deixaria de ser um desastre para a cortiça portuguesa.

- Umas quantas declarações, variando entre a banalidade e o desacerto.
Entre aquelas avulta a afirmação de que prefere que os jovens qualificados, "continuem na nossa terra [e] fiquem em Portugal”.
Que terá pensado Cavaco para se sair com uma destas? Terá ele suposto que poderia passar pela cabeça de alguém que a sua preferência fosse ao contrário? 
Completo desacerto é a justificação dada para não se pronunciar sobre o caso Relvas/Público, ao dizer que o assunto é "uma matéria (...) objeto de polémica político-partidária". O desacerto não está tanto na recusa em pronunciar-se sobre o caso, porque esse é, para Cavaco, o procedimento habitual sempre que o assunto não é do seu agrado e, como tal, já constitui motivo de surpresa. No invocar a inexistente "polémica político-partidária" é que está o erro. E grave, porque o que está em causa é o funcionamento das instituições da República, sendo certo que ele, como PR, é constitucionalmente o primeiro responsável por assegurar o seu regular funcionamento. Cavaco, pelos vistos, anda a precisar de reler o texto constitucional que jurou defender.

Em contraponto do que fica dito poderá alegar-se que o périplo sempre terá propiciado aos empresários integrados na comitiva a realização de alguns negócios. Admito. Só que me parece mais coerente com o pensamento da maioria dos nossos empresários que não se cansam de reclamar "menos Estado" que, para realizar os seus negócios, não procurem andar "ás cavalitas" do mesmíssimo Estado.

Não obstante e por contraditório que possa parecer, acabo por alinhar com os que entendem que o saldo destas visitas (foi) é positivo. Contento-me para chegar a esta conclusão com o verificar que Cavaco com esta ida até quase aos antípodas acabou por descobrir que "É óbvio que tem existido uma crise na zona do euro porque os líderes europeus, as instituições europeias, levaram demasiado tempo a perceber que a crise não era do país A, B ou C, era uma crise sistémica e também porque desvalorizaram o grau de interdependência financeira e económica entre os vários países".

Aleluia! Fez-se luz, finalmente, na sua cabeça! 
De lamentar é que a visita não tenha tido lugar algum tempo antes (há, pelo menos, um ano e poucos meses), para poder ter chegado a esta conclusão.Ter-se-iam evitado, em boa medida, os sacrifícios a que os portugueses estão agora sujeitos. Também, ou sobretudo, por culpa dele.

4 comentários:

antonio disse...

Na mouche meu caro Francisco.
o Cavalheiro em causa é o principal responsável que desgraça que se bateu sobre o País. Será que, seguindo os procedimentos da direita, não poderíamos pedir ao MP uma investigação sobre as suas responsabilidades na crise e nos prejuizos causados aos trabalhadores e pensionistas Portugueses?

antonio disse...

Na mouche meu caro Francisco.
o Cavalheiro em causa é o principal responsável que desgraça que se bateu sobre o País. Será que, seguindo os procedimentos da direita, não poderíamos pedir ao MP uma investigação sobre as suas responsabilidades na crise e nos prejuizos causados aos trabalhadores e pensionistas Portugueses?

Nascimento Ribeiro

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Subscrevo post e o cometário precedente.
Cavaco já não merece o meu desprezo, porque me mete nojo!

Anónimo disse...

Já não há pachorra para este senhor. Votaram nele agora aturem-no. Eu por mim desligo a televisão ou mudo de canal.