quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Coligação em estado comatoso e sob chantagem


O estado comatoso da actual coligação é iniludível. Basta atentar nas declarações que responsáveis dos dois partidos da coligação têm vindo a fazer ultimamente, durante e após o processo de elaboração do Orçamento do Estado para o confirmar. Mas tão ou mais significativos desse estado são os silêncios, designadamente de Paulo Portas  e as atitudes duma parte e doutra. 
Exemplo disso mesmo é o facto, hoje mesmo vindo a lume, de Paulo Portas, sem nenhum motivo aparente (pelo menos não foi apresentada qualquer justificação)  ter cancelado a viagem de hoje a Bucareste onde ia acompanhar Pedro Passos Coelho na cimeira do Partido Popular Europeu (PPE)Tal só pode ter o significado de que, mesmo a nível pessoal, os líderes dos dois partidos já não se suportam.
Sinal ainda mais sintomático da crise por que passa a coligação é o facto de o CDS  estar a ser objecto de autêntica chantagem, com o PSD a ameaçar responsabilizá-lo pela necessidade de um segundo resgate em caso de rompimento da coligação. Mesmo que o relato feito pelo jornal i, relativamente à conversa entre Passos Coelho e Paulo Portas tenha sido desmentida, a verdade é que não têm faltado vozes vindas dos lados PSD a fazer eco da chantagem em curso. O impagável Marques Mendes foi uma delas.
A chantagem, no entanto, não deve ser motivo de grande preocupação para Paulo Portas, sabendo-se que, com rompimento ou não da coligação, um segundo resgate vem já a caminho, visto que há unanimidade entre analistas e comentadores, quer da esquerda, quer até da direita, no sentido de que o Orçamento de Estado apresentado na AR é inexequível. Unanimidade que vai ainda tornar-se mais consistente perante o anúncio por parte de entidades tão diferentes como a Universidade Católica (que aponta para uma queda da economia no próximo ano à volta dos 2,6%, quase o triplo da prevista pelo governo - 1% -) ou o FMI que considera que a contracção da economia pode vir a ser o triplo ou mesmo o quíntuplo do previsto pelo ministro Gaspar)
Perante tão desastrosas perspectivas, é evidente que, para uma boa parte da população portuguesa, o rompimento da coligação e a queda deste governo, até seriam vistos como uma boa notícia que, em vez de penalizar o responsável, até o beneficiaria. 
De facto e de qualquer modo não se vê que vantagens há em continuar a trilhar o caminho traçado por Gaspar e seguido por Passos Coelho, pois é certo que este vai acabar em desastre. Num caso destes é mais prudente trocar o certo pelo incerto, porque, muito simplesmente, pior caminho do que este não há.
E se me é permitido um palpite, diria, para concluir, que, em caso de novas eleições, Paulo Portas ficaria lá em cima, à esquerda e Passos Coelho cá em baixo, à direita. 


1 comentário:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Cá para mim, o Portas ainda vai acabar a agir como o puto que atira a pedra e depois esconde a mão.
Isto, se não estivermos a assistir a uma encenação portentosa de uma crise, o que na verdade me custa a crer.