terça-feira, 23 de outubro de 2012

O papel de Passos no jogo dos tabuleiros

Temos de jogar em dois tabuleiros. Estar totalmente disponíveis para cumprir e, em segundo lugar, trabalhar em paralelo para conseguir melhores condições e outros pressupostos que possam aliviar [o programa de ajuda financeira]” acrescentando que "Portas devia falar mais sobre a Europa
Ao comentar aqui estas afirmações do eurodeputado Paulo Rangel, admiti que este estivesse a dirigir uma "indirecta" a Passos Coelho pela sua manifesta falta de intervenção na cena política da União Europeia.
Inequivocamente, estava errado. Digo isto, porque o eurodeputado retoma o assunto numa crónica publicada no Público de hoje, intitulada "Gaspar, Portas e os dois tabuleiros" (sem link) onde o nome de de Passos Coelho nem sequer é citado, pelo que é lícito presumir que, para Rangel, Passos Coelho, pelo menos no plano em que se coloca, nem sequer existe. Se ele não "existe", é evidente que Rangel não poderia estar a dirigir a Passos Coelho, nem uma crítica directa, nem uma indirecta.
Erro meu. Assumo.

Mas vejamos, a traços largos, o que diz Rangel, na sua crónica : "Tenho escrito bastante sobre política geral na União Europeia, mas menos do que seria recomendável sobre a política europeia do Estado Português. E aí, de há muito que propus a adopção consciente daquilo a que chamo (...) a "doutrina dos dois tabuleiros".
"(...) O primeiro corresponde grosso modo, à política do "bom aluno"(...) A condução dos trabalhos neste tabuleiro cabe ao ministro ao ministro das Finanças (...)

A actuação neste tabuleiro, acrescenta Rangel, "não nos deve impedir nem nos impede de recorrer a um segundo tabuleiro. Um tabuleiro em que se joga, com impacto mais forte no imediato, a eventual mudança de algumas das condições dos programas de ajustamento (...) É aí, a meu ver, que entra o papel decisivo do ministro dos Negócios Estrangeiros, o qual se tem mantido demasiado discreto na condução dos assuntos europeus e, especialmente, na  apresentação da sua visão sobre a Europa"

E conclui Rangel: "Mostrar disponibilidade para cumprir o que nos é exigido, mas demonstrar que esse não será talvez o melhor caminho; creio que anda por aí a solução para mais uma crise da nossa independência. Oxalá, os ministros de Estado [Gaspar e Portas] a compreendam*.

Perante esta explícita referência aos dois ministros de Estado e a falta de menção à pessoa do primeiro-ministro, omissão que só pode ser levada à conta de ostensiva, porque é ao primeiro ministro que cabe definir as linhas gerais da acção governativa e coordenar toda a equipa ministerial, impõe-se a pergunta: neste jogo de tabuleiros, qual o papel atribuído papel atribuído por Rangel a Passos Coelho?
Aparentemente, nenhum. Em matéria de tabuleiros, Rangel, pelos vistos, reserva para Passos Coelho o papel de participante na "Festa dos Tabuleiros", em Tomar, papel este que Passos Coelho está apto a desempenhar, como o testemunha a fotografia supra.
(*Negrito meu)
(imagem daqui)

1 comentário:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Embora os argumentos me pareçam válidos, continuo a acreditar que PR se refere mais uma vez a PPC, mesmo sem o mencionar...